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Tuesday, May 09, 2017

As atribulações de uma vida que te roubam de si própria


Risotto caprese de ontem à noite, com mozzarella, manjericão e tomatinhos - e duas tacinhas de vinho


Então eu fiz planos.

Neles, eu seria humilde, paciente comigo mesma e não exageraria nem pegaria pesado. Coisa pouca, ia me respeitar e jamais abusar da minha própria disponibilidade.

E como sempre quando a gente faz os planos - ao menos eu - eles foram calculados tendo em mente dias de sol, sem trânsito e com todos os meus infinitos fatores condicionantes ali correspondendo de forma favorável a eles.

Daí vem a vida e aquela adiada de ir ao banco no momento que fosse pra faculdade é sumariamente abortada porque só dormi 4h na noite passada e durmo sem nem sentir o que houve, de roupa e tudo.

Daí eu planejo uma nova estrutura de trabalho na repartição, mas entro em greve e todos os meus pequenos esforços de ter um sistema e organizar um pouco melhor o caos, também vão por água abaixo.

Daí aquele moreno bonitão, que era só uma abstração longe o suficiente para não impactar sua rotina de trabalho, estudo, treino e dieta se materializa no seu apartamento, e com ele nada dessa rotina tem mais sentido. Parece que só a companhia dele tem sentido, mesmo que isso faça com que a sua pilha da to-do só aumente, e além da pilha, a sua necessidade de ter momentos como esse de agora, calada no sofá há quase 2h, que te abastecem pra dar cabo da lista.

Daí você passa o final de semana em São Paulo, não gostando de quase nada do que comeu, mas comendo mesmo assim, e inclusive pagando caro por isso. Vê seu dinheiro - aquele que você recentemente aprendeu a dominar, ir escapando de suas mãos feito água. Parte porque você precisa, parte porque você escolhe isso.
As coisas mais lindas de SP, dessa vez, eram intangíveis - como as cores dos origamis na Feira da Liberdade

Dorme uma noite inquieta e de pesadelos no hostel - nem sabe se é porque comeu glúten demais, ou se porque está se procurando e não se acha.

E como sempre quando a gente se perde assim de si próprio, ao questionar tudo, corre o risco de na sanha de jogar fora o que não serve, jogar a criança junto com a água da bacia.

Então parei hoje.

Não compareci à aula, porque precisava de algumas horas quieta para tomar pé da situação - a interna e a externa. Responder os e-mails que ignorei insistentemente todos esses meses, mandar outros, e perguntar a mim mesma o que é que eu quero?

Resposta: quero um pouco mais de sossego. 

Quero saber onde estarei cada dia da semana e a que horas, também quero comparecer aos meus compromissos comigo mesma: a academia, que me viu pela última vez há 7 dias, a alimentação que foi ignorada enquanto me perdia numa quantidade abissal de doçuras que, convenhamos - nem estava tão bom assim.

Essa pequena e ressignificada lista acaba de ser escrita
Quero uma noite de sono completa, em horários condizentes com meus próprios hábitos, e quero ir à aula prazerosamente aprender. Chega de correr contra o tempo pelas provas. Elas já passaram.

Quero cozinhar, agora para dois, porque ele parece realmente apreciar essa comida meio raiz, meio nuttella que faço. Quero escutar a voz alta, clara e forte de quem chega chegando e me toca o coração - toca música, não toca agonia.

Quero sentir a vitalidade e a disposição de quem cuida de si, e a tranquilidade de quem precisa de pouco, só do bastante, para ficar contente. Porque a roda-viva atrás da magia por trás de diversões sofisticadas desse final de semana não me bastou. 

E como quero ser paciente, cuidadosa e humilde, inclusive comigo mesma, quero tudo isso apenas por alguns dias. E de lá, a gente vê outra vez o que é que quer. 

Também quero escrever mais por aqui, que estou gradativamente me cansando desses aplicativos em que preciso retalhar cada textinho que escrevo e ainda saber que a grande maioria achará um textão. Eu mesma não posso achar meus próprios pensamentos um textão!
Esse singelo e esquisito buquêzinho é o nirá - um vegetal que tem gosto de cebolinha, comprado também na Liberdade



1 comment:

Nanda Silva said...

Oi linda, eu entendo perfeitamente tudo isso, estou passando pelo mesmo processo, redefinir metas e muitas outras coisas. Fico sempre assim quando se aproxima meu aniversário, me questionando o que gostaria e o que tenho, o que posso melhorar enfim, espero que se encontre em suas novas metas. Que delicia ter alguém para compartilhar seus interesses e sentimentos :) me faz sempre bem ler seus posts, beijo.

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