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Friday, May 19, 2017

A melhor refeição de minha vida, num dos melhores dias de minha vida: Praga

A entrada de algum café, achei muito bonitinho essa cestinha onde ficava a placa do estabelecimento e umas porcelanas tão características de lá
Ano passado, eu estava já de viagem marcada quando li sobre a greve dos trabalhadores da Airfance, companhia que iria usar. A favor de todas as greves que sou, só torci muito para que me deixassem levantar de Guarulhos com uma tripulação brasileira, que se ficasse presa em Paris, já diria o Chapolin Sincero: eu pelo menos estaria chorando em Paris.

Eu sou uma pessoa sortuda, mas considero recentemente que estou treinando o olhar para ver novas camadas de sorte, além das óbvias. Quando cheguei em Paris e meu voo para Budapeste estava cancelado, além de feliz por passar mais um dia inteiro em Paris, e um dia e uma noite em Praga (que ainda não conhecia), me senti feliz por estar de férias, e poder encarar aquele incidente como um presente.

Afinal, eu poderia estar indo para uma cirurgia, ou velório, e não era nada disso. Naqueles dias em conexão intermináveis, eu me senti na insustentável leveza do ser: tranquila com o fato de que a jornada terminaria bem, e que o trajeto também seria agradável, poderia aproveitar ao máximo as baldeações. As malas perdidas. O gasto a mais que isso representou.


Outra camada de sorte, foi saber que, dias antes da minha própria chegada nazoropa, a Pat Feldman, mulher e culinarista que admiro imensamente, estava também viajando e eu já havia anotado várias de suas diquinhas. Havia decidido ir a Praga por conta própria, de trem, no meio das férias - e no fim não foi necessário, pois eu já comecei por lá.
Coisa mais linda esse papel de embalagem - e a carne, perfeitamente picada (creio que não é feito na ponta da faca)

E uma das dicas era justamente esse lugar onde tive uma das melhores refeições da minha vida: um açougue onde as pessoas compram carne crua, mas também podem comer simples sanduíches feitos com as deliciosas salsichas assadas ali mesmo, com pães levain de um fornecedor confiável, e com vinhos "naturebas" (categorização que descobri também seguindo muito a Pat Feldman, e entendi que existem esse estilo de vinho que não é só orgânico: é de fermentação natural, biodinâmico, sem sulfitos e outros processos que aceleram e uniformizam o vinho).

Sentadinha numa banqueta, pedi o meu vinho, o meu steaktartare e algumas salsichas assadas com pão. E fiquei vendo o entra-e-sai de clientes comprando carne, lanchando os seus próprios sanduíches, e bebendo cerveja dessa torneira da parede, da qual também saía vodka. Lembrei de quando gosto de brincar com amigos socialistas sobre como em todas as casas, teriam torneiras de cerveja encanada. 
Cerveja em checo é PIVO

Passei um bom par de horas por lá, feliz e encantada com o sabor daquela carne que tinha algo de mentolado, que depois descobri que era picles. E também apreciando aquele vinho que me trazia algo de "fungo", meio de floresta, não sei explicar. Que não sabendo o que esperar, talvez considerasse o vinho "meio estragado", mas agora sabia ser a espontaneidade de um vinho vivo.

Saí dali e fui barafustando pelos corredores, pois havia uma galeria cheia de lojas de vinhos raros, gourmet e também nesse mesmo estilo: biodinâmico, orgânico, e palavras outras que jamais saberei nomear em checo. Trouxe uma minigarrafa de vinho branco italiano nessa proposta, pelo preço e pelo peso, embora quisesse trazer muito mais. 

Sonho com o dia que voltarei ao Nase Maso para comer mais steaktartare e com o dia que poderei perambular tranquila por aquela linda região de Praga, meio residencial e meio mercado de pulgas, uma rua cheia de antiquários e coisas inusitadas. Quem sabe em julho próximo. ;)

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