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Monday, April 03, 2017

A Chapada dos Veadeiros num bate e volta insano

Anos atrás, havia lido esse post da Jojo sobre a Chapada dos Veadeiros e ficado encantada, embasbacada pela grandiosidade das paisagens.
E desde então, ficou aquele post-it mental de que queria muito ir, e sempre naquela iminência de que logo ia acontecer, mas a verdade é que os voos domésticos andam caros, eu ando com essa sorte de poder viajar "pra fora" nas férias, e o tempo ficou escasso. Até os feriados eram poucos!
Daí tem quase três anos que vou várias vezes ao ano para Brasília, mas nunca conseguia conciliar um final de semana por lá.
Esse ano, resolvi que não ia deixar nenhuma oportunidade passar, e quando dia 21 de janeiro foi marcada uma reunião em Brasília, o primeiro pedido que fiz foi: me deixem no último voo de domingo.
E comecei as minhas pesquisas e os planos!
Rapidamente, descobri que dois dias era tempo suficiente para algumas coisas, mas não para todas. Encontrei um hostel muito bem falado, o Buddy's Alto Paraíso, que tinha fotos gracinha, uma diária de R$50 (em alojamento misto, mas com meninas no quarto, que foi meu pedido à Alice, depois do episódio uruguaio), que era lindo, bem localizado e confortável.
Salinha do hostel

Praticamente não fiquei nele, era só uma cama pra dormir mesmo, mas a conversa do pessoal (hóspedes e funcionários) era muito agradável, os espaços muito legais, e com certeza quando voltar lá, ficarei novamente!
Fui de carro locado, pois o único ônibus que sai de Brasília para Alto Paraíso era às 12h de sábado, e tinham muitos reviews falando de quebradeira na estrada. Eu perderia valioso tempo, além disso, a volta seria tarde demais no domingo. Então 11h da manhã entrei no aeroporto de Brasília e fui em todas as locadoras (uma ao lado da outra) e escolhi a mais barata, no caso, a Movida. Por uma diária e mais algumas horas-extra, paguei R$140. Podia parcelar no cartão. Peguei de tanque cheio e devolvi da mesma maneira - um tanque foi a medida para a viagem e os passeios, aliás.
A estrada é simples, mas asfaltada, e o limite de velocidade é quase o tempo todo 60km/h. Fui respeitando o limite, apreciando a paisagem e cantando dentro do carro. Saindo da área urbana de Brasília e Planaltina, você logo começa a ver aquela paisagem fora do comum que é a área nacional da Chapada dos Veadeiros:

Cheguei pelo meio da tarde, e só entrei no hostel, me troquei e estava querendo ir para uma cachoeira específica (Almécegas). Mas Alice me explicou que como já eram quase 16h, eu teria muito pouco tempo dentro do parque, pois as coisas lá fecham 17h30. Por sua indicação, fomos ali na cachoeira dos Cristais, uma fazenda particular (como a maioria das cachoeiras, aliás), que era muito perto e aproveitaríamos o resto do dia.
"Nós" porque no meio do caminho, fui incumbida de levar Vincent, o irlandês em sabático que recém havia chegado em Alto Paraíso e não tinha como ir para lugar nenhum. Dei carona a ele e fizemos a trilha juntos. Ele pagou minha entrada na cachoeira em retribuição à carona :)

A trilha é leve, as cachoeiras bonitas, mas bonito mesmo é ver o paredão de cânion à sua frente. Tomamos banho na última, lá embaixo, e caminhamos novamente, enquanto pelas diversas quedinhas as pessoas tocavam flauta, praticavam yoga e outras coisas comuns numa localidade conhecida pelo povo embarcar em naves espaciais. 
Ao subir, estávamos com sede e fome, e havia a promessa de que ali vendia o melhor pastel da região. Não tinha mais pastel, mas rolou umas cervejas contemplando a vista e tentando eu arranhar meu inglês e Vincent, arranhar seu pouco português. 
Cerveja com essa vista. MDDC
De volta, foi o tempo de um banho e saímos novamente para jantar, agora, no outro lugar que prometeram os melhores pastéis (o gringo essas horas não pensava mais em outro assunto). Comemos de pupunha com pequi, de camarão, e de carne-seca. Todos estavam muito gostosos, mas qualquer feirinha da Liberdade já seria melhor. Eram 21h e a cidade estava numa escuridão completa fora da avenida central, caminhar até o hostel foi meio confuso, mas chegamos novamente para dormir e levantar muito cedo.
Achei uma gracinha esses detalhes de decoração e o filtro de barro usado como vasinho!
Estava cansada do dia, de falar inglês e de ser babá de Vincent, então, na manhã seguinte, madruguei para ir até o Parque Nacional, porém, não pude achar a entrada.
Com medo de não fazer nada, rumei para o Vale da Lua, APENAS A DECISÃO MAIS ACERTADA EVER:

Foi lá que respirei fundo, me encantei e vi que sim, é possível qualquer ateu querer fazer contato novamente com sua nave. Era maravilhoso, energético, especialmente onde a câmera do meu celular não chega, entrar por baixo dessas "crateras" e sentir a água cair forte em cima de você. Dessa cor incrível. Olhar pra cima e ver esses cânions que não pude encarar de dentro do parque. 
Olhando a parte de baixo, os "furinhos" ou crateras, e acima, esse desbunde de novo
Mais ou menos ao meio-dia, tive que sair de lá para reiniciar a viagem. Em menos de 3h estava novamente em Brasília, para devolver o carro e esperar meu voo com folga. E com muita vontade de voltar, pois tem MUITO o que se ver por lá.
Fica de aprendizado, no entanto, que é um lugar para o qual a pessoa deve ir preparada: com dinheiro em espécie, com paciência para encontrar as coisas fechadas, para não ter quase sinal nenhum de internet ou mesmo de telefone, encher o tanque cada vez que encontrar um posto.
E abrir bem os olhos, pois coisas incríveis podem ser vistas: eu vi um camaleão fosforescente cruzar meu caminho, muitos pássaros e borboletas de cores maravilhosas, tinha flor do cerrado aqui e ali, e o ar puríssimo.
Higiene mental é a palavra!




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