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Thursday, May 12, 2016

Filme: Still Alice




Eu e essas minhas manias de demorar a ver os filmes que são notoriamente os melhores de sua safra. Coração mole que sou, tive medo de chorar copiosamente e por isso adiei bastante o dia de ver esse filme que inclusive está no Netflix para nossa facilidade, e ontem, estando completamente de folga, julguei que conseguiria lidar com o eventual drama e fotografia sombria demais.
Boba, boba eu. Não só a fotografia não era como eu temia, como não chorei com o filme, embora ele tenha me tocado profundamente.
Conta a história da pesquisadora e professora Alice, que desenvolve Alzheimer precocemente e tem que ir abrindo mão de sua antiga vida. No caso dela, abrir mão das memórias e capacidade cognitiva tem um impacto muito forte, uma vez que é uma intelectual renomada, acostumada a se expressar com desenvoltura e reconhecida pela inteligência.
Assim, talvez para algumas pessoas, esquecer as relações e pessoas queridas dói mais do que abrir mão do trabalho, mas para alguém que trabalha com pesquisa, com linguagem, que se realiza fazendo pesquisas, que construiu a própria autoimagem a partir de se sentir intelectualmente desenvolvida... Perder o aspecto profissional e intelectual para uma pessoa com este perfil é deveras doloroso, ao mesmo tempo que coloca uma dignidade no processo de encarar a doença como não costumo ver em outras pessoas.
Acho que o filme me tocou porque passo a vida toda buscando um aprofundamento intelectual que, em teoria, me fará atravessar melhor os momentos da vida. Esse filme reafirma isso. Esse colocar em segundo plano aquelas coisas que em geral as pessoas me associam em primeiro plano: a juventude, a beleza, e de uns anos pra cá, a magreza. 
A cena do discurso é para mim a mais impactante, mas está longe de ser a única. Fiquei emocionada com a história e apaixonada pela protagonista - porque vi nela algo que passo a vida tentando ser, uma versão amadurecida e autorrealizada de mim mesma.
Duvido que alguém ainda não tenha visto, mas se for o caso, vejam no Netflix.

1 comment:

Cristiano said...

Essa temática é sempre tensa! sempre...

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