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Monday, April 11, 2016

A oficialização de que sou adulta

Estava andando com o cãozinho ontem à tarde quando percebo duas meninas na esquina do meu prédio respondendo um homem que "pedia uma informação"*. Como se fosse meu cão, levantei bem as duas orelhas e já fui encerrando o passeio dele pela praça, para me aproximar da esquina onde elas estavam. Ao me ver, as duas só faltaram me abraçar de alívio, e cochichando uma para a outra "ai olha ali aquela moça!", se aproximaram.
- Oi meninas, tudo bem com vocês? 
- Sim, esse moço quer saber como faz para chegar na igreja!
- Pode virar a primeira a esquerda e seguir reto que vais chegar na igreja.

Vai-se ele embora e as duas:

- Obrigada, a gente ficou com medo!
- Onde vocês vão?
- Minha amiga estava indo embora, mas acho que vamos entrar de novo!
- Esse moço não estava procurando igreja nenhuma*. Tomem cuidado (blablabla)...

O dia em que você é a moça que salva duas mocinhas que juntando a idade delas não soma a sua, você percebe que envelheceu e que não é mais elas - embora muitas horas se sinta ainda mais novinha que elas. 

*Desculpem por estar dizendo isso, queria muito ser diferente e poder confiar em estranhos, mas tanto a mocinha que já fui quanto a assistente social de infância que também já fui, me treinaram para reconhecer um perfil - não um perfil sócio-econômico ou cultural, mas um perfil psicológico, um jeito de olhar, um quê de ameaça que todo violador tem. Vítimas e profissionais envolvidos com o tema vão me entender. Entre diversas outras atitudes que tomo ao longo da vida para que a violência não seja tão presente na vida de crianças (pequenas e crescidas), uma delas é, infelizmente, ser a adulta que enfrenta homens nas esquinas e manda as meninas desconfiarem deles. 

2 comments:

Cristiano said...

O interessante que elas já tinham sacado... por isso iam entrar de novo.
O perigo é um domingo a tarde e não ter ninguém na rua alem deles.

Estas coisas que desanimam em espaço publicos, esta tendo uma onda de ocupar espaços publicos aqui em BH, parques, praças e afins... mas isso desanima a gente.

Sara com Cafe said...

me sinto tão desconfortável quanto essas coisas acontecem... infelizmente existe pessoas tão ruins no mundo que dói o coração.

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