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Thursday, March 24, 2016

As preciosas horas em Amsterdam

Isso foi 14h. Teve sol, um milagre, mas não muito mais que isso.

Sim, resolvi desencantar os relatos da viagem e buscar seguir uma ordem cronológica. Também me é mais simples relatar um dia apenas de viagem do que vários!
Entre mim e Slovakia havia um tanto de conexões, sendo uma delas das 9h da manhã às 22h em Amsterdam. E dali por diante eu dediquei longas horas no planejamento da melhor forma de aproveitar esse período!
Então, para minha sorte e total deleite, descobri o blogue Ducs Amsterdam, que é a coisa mais completa que já vi em termos de dicas sobre uma cidade específica. Sugiro fuçar em tudo se você for para lá, porque a qualidade é altíssima. E não é que ele tinha justamente um post ensinando um roteirinho para poucas horas?
Pois bem: minhas escolhas foram baseadas nesse roteiro, mas também nas postagens sobre o supermercado mais comum da Holanda e as comidas típicas. Então eu tinha noção de que nessas poucas horas, eu iria comer queijo, beber cerveja, caminhar pelas ruas e curtir os canais, tomar um café (ou vários, pelo frio), não entrar em nenhum museu e nem comer em restaurantes. A ideia de um sanduíche num lugar lindo comprado no mercado ou na feira, com alguma cerveja local, já havia me seduzido!
Não entrou em meu roteiro a parte dos coffe shops - não porque eu não aprecie de forma recreativa, mas porque eu tinha pouco tempo, pouco dinheiro e estava em conexão sozinha. Se fosse para eu transgredir alguma norma holandesa sem saber e ir parar na cadeia, preferia ter alguma testemunha que me salvasse, além de achar um pouco bad trip ficar sozinha num coffe shop desses, perdia bastante do elemento recreação, ao meu ver!
A minha boa sorte é mesmo incrível: poderia estar mais frio e chovendo, mas estavam módicos 6ºC com sol! Eu estava preparada (de galochas, inclusive) para um dia molhada, e ganhei um dia lindo de caminhada.

Um pouco após a Centraal Station, um momento incrível - era cerca de 12h.

Eu já sabia que tinham bons queijos e boas cervejas, que os canais eram bonitos, mas nada me preparou realmente para a beleza espetacular de Amsterdam. Ela é muito mais do que tudo que se lê a respeito, e merece pelo menos uma semana a dez dias para explorá-la. As ruas de paralelepípedo e as elegantes casinhas, num estilo arquitetônico tão peculiar, pareciam usar chapéus!

Oi, eu sou uma ruela cheia de casas lindas com telhados cômicos

Confesso que as orientações do roteiro do Ducs não puderam ser seguidas completamente. Ou eu que sou um pouco ruim de obedecer as descrições, super pode ser, mas o fato foi que a partir da Winkel, andei por minha própria conta e risco sem encontrar os demais pontos - o que de modo algum foi um problema, pois se perder por Amsterdam e contemplá-la com um pouco mais de calma é um lindo programa.
Primeiro, caminhei bastante, circundei os canais, bati muitas e muitas fotos, olhei os imensos estacionamentos de bicicletas, olhei muito para cima e para as casas...Me perdi um pouco, achei uma feirinha, uma loja de queijos, mas ainda não era hora disso.
Eu tentando sair com um canal, casinhas e bicicletas - quase consegui!

Muitos turistas caminhavam, locais de bicicleta, e eu conseguia confortavelmente usar as rodinhas de minha mala de mão. Não precisei de luvas ou gorro por lá, apesar de que ficar parada era difícil.
Minha primeira interação com os holandeses foi ao procurar um nome de rua, sendo que já estava nela. Havia lido que eles têm um humor meio debochado, e já levei uma trollada de cara por não ter percebido que estava na rua certa!
Me perdi um pouco para chegar na Winkel 43, pois ela fica numa esquina em frente a uma praça: ao invés de chegar pelo verso, cheguei pela frente, e precisei de um holandês de camiseta naquele frio para me apontar o local.
Dali, fui caminhando em busca da estatuazinha de Anne Frank, e apesar de ter obedecido completamente as instruções, nunca a achei. Nessa hora, me senti meio perdendo tempo, pois entrei numa rua asfaltada sem o charme dos canais, e se era para andar a toa, preferia estar por lá...
Mas foi nessa rua mesmo que encontrei o supermercado, o qual havia lido sobre os cartões de bônus que nos dá desconto. No entanto, naquele mercado não estava nenhum funcionário para me dar, e então me dediquei a perambular pelas gôndolas mesmo. Confesso sem nenhuma vergonha que devo ter passado cerca de uma hora chafurdando cada mísera prateleirinha, encantada com a quantidade de orgânicos disponíveis, a abundância de variedades de alimentos frescos que, infelizmente, eu não podia comprar.
O início da Damrak - turistas e um lixo transbordante denuncia a presença de turistas em excesso

Depois de muito debate comigo mesma, selecionei um gouda fatiado, um salame e um pão escuro para almoçar. O ponto alto ficou com o salame, pois fiquei aflita com a quantidade de alternativas e não sabia direito o que escolher, acabei escolhendo pão e queijo que já comi melhores. Escolhi a pracinha onde o holandês me ensinou a chegar na Winkel, e sentei lá para montar meu sanduíche e saborear a vista. Essa pracinha tem uma igreja que pelo que li, era próximo ao refúgio de Anne Frank, que ouvia seus sinos e se sentia confortada durante seu período de provação. Não entrei na igreja porque né, não sou obrigada a nada.
Dali, andei mais um pouco pelas ruas que já havia percorrido pela manhã, e acabei retornando à feirinha. Um fato curioso é que era cerca de 15h quando retornei ali e por alguns minutos minha mente me pregou uma peça, achei que estava mais tarde, porque iniciou o entardecer!
Entrei numa loja especializada em queijos e comprei um gouda maturado, mais um cream cheese de trufas, e ninguém me atendeu ou deu muita atenção, tampouco podia experimentar para entender melhor a diferença entre eles. Mas no final da compra a senhora holandesa me deu um biscoito de gingerbread de presente.
Dali, entrei na famosa rua Damrak, que é por onde os turistas circulam mais e o comércio estava aberto. Havia lido e concordei que se trata de um local estritamente turístico e por isso não era de muito interesse, mas já estava quase voltando para o trem, e não queria voltar por onde já tinha vindo. Ali tinham lojas abertas, muita gente na rua (como não vi nos outros locais), e quase no final, selecionei um pub onde entrei para me aquecer, tomar Amstel e subir fotinhos para o instagram com o wifi deles. Estava um ambiente alegre e bem cheio.


Dali, fui novamente andando para a estação Centraal, tomei novamente o trem para Schipol e foi novamente muito tranquilo e rápido. Daí me recordei que não havia comprado os famosos stroppwaffles, mas ali havia uma estrutura imensa, como de um shopping, com lojas de departamentos e outras coisas, e supermercados também. Comprei o que queria, talvez tenha pago mais caro, mas foi coisa de 2,60 euros dentro de uma latinha fofa. Comprei ainda dois colares bonitos na H&M, que estava em liquidação por 3,99 e 4,99, se bem me recordo - e vocês podem visualizá-los na foto que ilustra meu primeiro post de compras na Europa. 


Ali vocês podem ver os stroppwaffles, sobre os cafés, mas isso é já na casinha de meus pais na Slovakia

Queria ter comprado mais queijos, queria ter comprado mais stroppwaffles, andado mais, batido mais fotos, conversado com as pessoas, entrado nos museus... Amsterdam, que não era um desejo meu muito forte, agora se tornou uma prioridade. É uma cidade linda, lúdica, de uma beleza que remete às nossas recordações de montar cidades com o Brincando de Engenheiro, quem lembra? 

CONTABILIDADE DO DIA

trem aeroporto até estação Centraal - 7,80 euro (comprando nas maquininhas automáticas não há taxa, no guichê há uma pequena taxa)
café e torta na Winkel 43 - não lembro com exatidão, mas foi algo menor que 10 euros
pão, queijo e salame no Albert Heijin - também não lembro com exatidão, mas ficou em 8 euros
queijos na lojinha de queijos - 4,99 o gouda, 2,99 o cream cheese de trufas (só não comprei mais porque eu ainda ia ficar 15 dias em outro país, não sabia se era durável)
Amstel num pub na Damrak - 2,60 cada copo de 300ml, não foi cobrado serviço
strooppwaffle no aeroporto - 4,99 com uma latinha com pintura de porcelana holandesa, e 1,99 só um pacotinho simples
colares na H&M do aeroporto que estavam on sale - 9 euros
TOTAL: 46 euros.

Disso conclui-se que Amsterdam é cara, mesmo para os roots, e que quem converte, não se diverte.

1 comment:

Liu said...

Eu não cheguei a visitar Amsterdã, mas todos os meus amigos falavam: que cidade cara! Você paga até pra respirar.

Quando vc for pra europa novamente, recomendo experimentar o gouda com pesto. Ele é bem verdinho, uma graça, mas principalmente delicioso - ao menos pra quem gosta de pesto e gouda.

Aquele resuminho dos gastos sintetizou muito bem minhas saudades da França: transporte público, queijo, cerveja pâtisserie e sales (ou soldes, como a gnt falava por lá).

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