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Tuesday, February 16, 2016

Uma postagem feita com o coração

Nas bolas prateadas do Inhotim, eu contemplo meu próprio reflexo
 Em dezembro eu viajei para a Europa a fim de visitar a família e conheci novos lugares, todos muito lindos (e sim falarei deles logo, prometo). Voltei a tempo de aproveitar o verão de janeiro como há anos não conseguia, estando próxima dos amigos, mas sabe quando parece que as férias não te zeram?
Daí que semana passada, estando há anos sem conseguir ir a BH a passeio, usei umas milhas que ganhei de mommys, umas folgas que o sindicato me devia e passei uma semana.
E queria dizer que agora, realmente, o ano passado passou.
Só quando voltei ao lugar onde já morei, e que já conheço há tanto tempo e que tantas vezes já voltei, o cérebro resetou as águas todas que rolaram por baixo de minha ponte. Foi lá, pegando o metrô e sentindo o característico cheiro do pequi vendido nos hortifrutis que vi a cura acontecer. Foi naquele sofá rasgadinho, de um apartamento simples de Contagem, que tomando uma cerveja barata e nada paleo ou lowcarb que as pequeninas mazelas que meu corpo passara janeiro inteiro enviando finalmente sararam.
Quando as vozes bondosas e simples das pessoas que amo, mas que não posso ter todos os dias, riram de si mesmas e agiram como se nada fosse complicado demais, que pude relativizar todas as dores que ardiam, latejavam, mas que agora apenas me lembram que posso sempre recomeçar.
Porque se sobrevivi à dor que senti quando estive lá, se pude ainda amar e receber o amor de quem me conheceu quando de tão ferida, eu só sabia ferir, é certo que todo o resto pode ser ajeitado.
Hoje de verdade me sinto descansada e em paz, e resgatei isso exatamente onde a guerra se instalou há muitos anos atrás. Lá onde eu finalmente me encontrei com minha sombra, hoje foi o que me jogou de volta na luz.
E eu repeti, repeti inúmeros trajetos, e no entanto, nada estava igual, porque eu estava diferente. E de amor e de respeito, se fez essa nossa trama, que me marcou por dentro, e agora também por fora. O vermelho que sempre foi minha fonte de movimento e energia, minha aposta ideológica, é também a cor da homenagem permanente a esse lugar tão cheio de pessoas, memórias, afetos, cheiros... bem próximo do pulso, pulsando em mim permanentemente, me lembrando de minha força, de minha energia, de minha capacidade de sofrer - mas também de me curar. 
Pontilismo em degradê
Ah... não doeu nada, pelo contrário, achei uma delícia e quero fazer muitas outras :)

3 comments:

Não importa said...

Nossa, que texto mais lindo!
O bom da vida é saber que podemos sempre recomeçar!
E também gosto dessa sensação. Tenho uma cicatriz grande no meu braço, causada por uma queimadura. Na época, doeu muito, fez bolha, inflamou, chorei. Hoje olho para a marca que ficou, passo a mão por cima e não sinto nada, lembro mais ou menos de como foi que aconteceu, mas hoje em dia, dou outro significado para aquilo que um dia tanto me fez sofrer.
É assim que eu quero também que seja com as dores da vida... Que bom que cicatrizou em vc tbm! ;)

Nanda Silva said...

Linda a tatoooooo
Amo Minas sou suspeita para falar afinal aqui é minha casinha neh!!!
Adoro como escreve suas postagens, muito natural. Já estava morrendo de saudades deste cantinho!
Beijo

Nay said...

Caceta! Um dos textos mais bacanas que li aqui no blog.
Tenho diversas cicatrizes desse cantinho, então falou muito comigo.
Lindíssima a tatuagem com todo o significado. <3

Bjs!

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