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Friday, February 26, 2016

Um café cosmopolita: a Winkel 43 em Amsterdam

Estou devendo o relato e vou pagar. Em minha defesa, ninguém mais cobrou. Mas aí também às vezes eu penso que pode ser cansativo ler minhas longas postagens cheias de fotos pessoais e mal tiradas, que são minha especialidade... 
Por isso, resolvi separar um pequeno fragmento de meu singelo dia em Amsterdam e lhes contar como foi minha ida a esse café tradicional e famoso de uma capital famosa.
Primeiro, ajustei minhas expectativas quanto à elegância de cafés, habituada que estou com o raio gourmetizador que atingiu os cafés brasileiros. Amsterdam não é esnobe nem chique em sua aparência, sabem? É uma bonita e simples. Linda e simples. Maravilhosa, e simples.
Fucei muito a respeito para descobrir que não estava indo ao pináculo da evolução em termos de gastronomia, assim, foquei em queijo gouda e laticínios, todos. Barafustei por supermercados, revirando os olhos e babando cada vez que via o preço dos orgânicos e a imensa consistência deles em TODAS as gôndolas. 

Supermercado AJ, óleo de coco orgânico mais barato que no Brasil. Classe média sofre.

Acabei por conta de pouco tempo, muita comidinha de avião e muitas incursões a lojas de comida e supermercados, passando um dia sem fome em Amsterdam. Mesmo sem fome, caminhei até a Winkel 43, da qual lera a respeito nesta postagem (aliás, esse blogue como um todo foi meu guia principal para definir meu dia lá), para um café com torta de maçã e chantilly.
Ao chegar, um ambiente aquecido, ultralotado e barulhento me esperava. Não era ricamente decorado ou coisa do tipo, apenas era de madeira e tons quentes no interior, como uma cozinha de filme americano. Sentei-me no balcão, em frente à barista que faria meu café, e pedi o óbvio: espresso médio, torta de maçã e porção de creme, sonhando com o melhor creme de leite fresco de minha vida.




Lhes confesso que: o creme era um chantilly de máquina, que de modo algum enriquecia a composição do doce, o espresso deles é sofrível e a torta de maçã, perfeitamente executada, é ok.
Sobre a torta, no entanto, cabe ressaltar que eu não estou habituada com esse sabor delicado e meio acidinho no final, não se trata de minha sobremesa predileta. A torta é praticamente um almoço, grossa e alta fatia de uma base amanteigada, ali no limite entre macio e crocante (o último estágio do macio antes de ser crocante), fartamente recheada de maçãs caramelizadas e com perfume de canela. 
Paguei cerca de 8 euros pelo meu café com torta, e vi hordas de pessoas passarem por ali, sem conseguir divisar se eram ou não locais (a fama é de que locais vão ali com regularidade). Me aqueci, conversei com um brasileiro (sempre tem um brasileiro...), reli bem meu mapa e acabei indo embora um pouco logo, pois não é um café silencioso e aconchegante para passar uma boa hora lendo, escrevendo, usando o wifi.
Além de conhecer a Winkel 43, descobri que gosto de cafés mais retirados, mais anônimos. Mas acho que sintetiza bem o espírito do local, e eu não sugiro que ninguém deixe de ir por causa dos detalhes que lhes dei.

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