Total Pageviews

Friday, February 26, 2016

Saudades imateriais

Eu percebi no sábado passado, mas fingi que não era comigo. Quando passou a anoitecer próximo de 19h outra vez, eu sabia que todas as promessas de aproveitar este verão ao máximo, de ver as pessoas, de fazer exercícios, de comer mangas e melancias, não irão mais se cumprir. Só no próximo verão.
Veja bem, não é que não fiz tudo isso que escrevi acima, é só que no verão, aquela sensação de recomeço nos assola, e eu encontro vizinhos caminhando, encontro pessoas atrás de receitas de suco. Vejo a natureza mais de pertinho, vejo tantas pessoas. 
E por último, mas não menos importante, quando fevereiro termina (na verdade quando Gustavo, um de meus melhores amigos faz aniversário, em meados de fevereiro), já sei que a vida vai mudar novamente. E eu fico com saudades do verão passado... E de um verão em especial.

Um café cosmopolita: a Winkel 43 em Amsterdam

Estou devendo o relato e vou pagar. Em minha defesa, ninguém mais cobrou. Mas aí também às vezes eu penso que pode ser cansativo ler minhas longas postagens cheias de fotos pessoais e mal tiradas, que são minha especialidade... 
Por isso, resolvi separar um pequeno fragmento de meu singelo dia em Amsterdam e lhes contar como foi minha ida a esse café tradicional e famoso de uma capital famosa.
Primeiro, ajustei minhas expectativas quanto à elegância de cafés, habituada que estou com o raio gourmetizador que atingiu os cafés brasileiros. Amsterdam não é esnobe nem chique em sua aparência, sabem? É uma bonita e simples. Linda e simples. Maravilhosa, e simples.
Fucei muito a respeito para descobrir que não estava indo ao pináculo da evolução em termos de gastronomia, assim, foquei em queijo gouda e laticínios, todos. Barafustei por supermercados, revirando os olhos e babando cada vez que via o preço dos orgânicos e a imensa consistência deles em TODAS as gôndolas. 

Supermercado AJ, óleo de coco orgânico mais barato que no Brasil. Classe média sofre.

Acabei por conta de pouco tempo, muita comidinha de avião e muitas incursões a lojas de comida e supermercados, passando um dia sem fome em Amsterdam. Mesmo sem fome, caminhei até a Winkel 43, da qual lera a respeito nesta postagem (aliás, esse blogue como um todo foi meu guia principal para definir meu dia lá), para um café com torta de maçã e chantilly.
Ao chegar, um ambiente aquecido, ultralotado e barulhento me esperava. Não era ricamente decorado ou coisa do tipo, apenas era de madeira e tons quentes no interior, como uma cozinha de filme americano. Sentei-me no balcão, em frente à barista que faria meu café, e pedi o óbvio: espresso médio, torta de maçã e porção de creme, sonhando com o melhor creme de leite fresco de minha vida.




Lhes confesso que: o creme era um chantilly de máquina, que de modo algum enriquecia a composição do doce, o espresso deles é sofrível e a torta de maçã, perfeitamente executada, é ok.
Sobre a torta, no entanto, cabe ressaltar que eu não estou habituada com esse sabor delicado e meio acidinho no final, não se trata de minha sobremesa predileta. A torta é praticamente um almoço, grossa e alta fatia de uma base amanteigada, ali no limite entre macio e crocante (o último estágio do macio antes de ser crocante), fartamente recheada de maçãs caramelizadas e com perfume de canela. 
Paguei cerca de 8 euros pelo meu café com torta, e vi hordas de pessoas passarem por ali, sem conseguir divisar se eram ou não locais (a fama é de que locais vão ali com regularidade). Me aqueci, conversei com um brasileiro (sempre tem um brasileiro...), reli bem meu mapa e acabei indo embora um pouco logo, pois não é um café silencioso e aconchegante para passar uma boa hora lendo, escrevendo, usando o wifi.
Além de conhecer a Winkel 43, descobri que gosto de cafés mais retirados, mais anônimos. Mas acho que sintetiza bem o espírito do local, e eu não sugiro que ninguém deixe de ir por causa dos detalhes que lhes dei.

Thursday, February 25, 2016

As lojas maneiras do leste europeu


A síntese do que comprei por lá: roupas, cosméticos baratos e ingredientes não-tão-baratos...

Eu paguei R$4,65 cada euro e por isso, ao invés de me ater num limite de comprar coisas de até 10 euros, rapidamente ajustei a expectativa para 5. Isso valeu para cosméticos, roupas e QUASE valeu para as comidas, onde, confesso, dei umas belas escorregadas.
Não peguei a melhor época, cheia de promoções incríveis nas lojas, aliás nunca viajei para fora nessa facilidade. Mesmo assim, as grandes lojas sempre têm uma sessão que estão com preços rebaixados.
Todo mundo conhece a H&M, Mango, e até já ouvi elogios à Zara fora daqui. Destas, gosto bastante da H&M, mas no leste, salvo se em períodos de saldões, temos três opções melhores:

1 - Orsay. Preço de H&M, mas com uma qualidade e e estilo mais lindos, com muita coisa estilo mais clássico, social para trabalhar, sabe? Muita roupa também romântica, acessórios de pérolas, uma princesa indo trabalhar. Meio Andrey, mas também tem uns cortes baphos, tecidos tecnológicos. 

2 - Terranova e New Yorker. A mesma proposta das fast fashion, só que mais popular, um pouco piorzinhas nos acabamentos e tecidos. Camisetas de malha por 3E, cachecóis por 7E, casacos de até 20E. Tem acessórios, mas não acho grandes vantagens nos preços e não são tão bonitos. A mais barata é a Terranova, mas precisa futricar um pouco mais para ver vantagem - acho uma boa para compras básicas de camisetas, meias, etc.


Comprei principalmente nestas três lojas. Na foto acima vocês podem algumas das coisas que escolhi vestir: uma blusa de seda branca, Orsay, por inacreditáveis 7E (por ser branca, estava com uma pequena mancha de alguma mulher que a experimentou usando maquiagem - saiu na primeira lavada), um tricô escuro mas com linha metalizada por 10E na New Yorker, uma camiseta de malha por 2,99E na TerraNova... Colares em promoção na seção de acessórios da H&M de Amsterdam que havia dentro do aeroporto: 3,99 e 5E, respectivamente.
A Orsay existe que tenho certeza na Slovakia, Budapeste e Viena. As outras duas, só tenho certeza sobre a Slovakia - que é o país com menos dicas do que fazer, onde comprar, o que comprar e por aí vai. Assim, recomendo que quem por ventura estiver nessas bandas entre e explore um pouco - certeza de que vão encontrar muitas pechinchas mesmo fora das promoções. Vale ainda dizer que os preços nas fast fashion e outras lojas universais sempre ficou menor na Slovakia, que é um país menos turístico, mas cheio de coisas interessantes de se visitar e com muito o que fazer.

Wednesday, February 24, 2016

A falta de privacidade

O banheiro da repartição é um local imensamente movimentado, em que as pessoas permanecem por mais tempo do que deveriam, conversando, se analisando no espelho, retocando seus produtos de beleza, sei lá fazendo o que.
E eu, que só queria fazer meu cocô em paz, fico constrangida com aquele tanto de gente adivinhando o que estou fazendo, e faço menos do que deveria!

Tuesday, February 23, 2016

O Carnaval em BH

Notícias não param de dizer que BH finalmente está competitiva com os tradicionais carnavais do interior de Minas, mas me pareceu que compete mesmo é com algo entre Rio e Olinda, só que sem praia, teoricamente sem muita confusão ainda, mas confesso que já me assusta.
Eram dezenas de blocos todos os dias, multidões imensas e a maioria deles começava pela manhã. Os blocos andam, andam desgraçadamente, mesmo estando em Belo Horizonte no sol, o povo anda atrás do bloco.
A estrutura que a prefeitura não forneceu faz com que o som seja insuficiente, a depender do tamanho do bloco, os que fui não contava com muito policiamento (não que eu queira, apenas me chamou a atenção eles não investirem nisso), os banheiros químicos estiveram dignos - dentro do que era possível considerando que é um banheiro químico.
As cervejas se mantinham geladas durante todos os dias nos mais variados pontos.
Acho um saco gente que fica falando mal do Carnaval, porque é um feriado, caceta! Se não curte Carnaval, instala o Netflix, pede uma pizza e vai botar as séries em dia. Mas reconheço que em BH não era possível circular pela cidade sem que o Carnaval te invadisse, especialmente no transporte público - era incrível e divertido ver hordas de pessoas maquiadas, fantasiadas, falando alto e dançando no metrô. 
Mas pude constatar que não gosto desse estilo de Carnaval agigantado, me sinto meio na roubada. Gosto de ir em um bloco ao dia, de porte pequeno, onde eu possa transitar com maior facilidade, mas também aliviar o calor indo à praia e de preferência quando anoitece! 
Fica como lição para os próximos anos: Carnaval vai ser aqui mesmo, e deixo para visitar BH em meses mais frios.

Thursday, February 18, 2016

O que tem pro almoço? Legumes assados e farofa lowcarb


Uma coisa que as pessoas costumam confundir quando se fala da dieta paleo ou mesmo de dietas lowcarb é qual o principal alimento presente nela - como o povo conhece, ainda que de longe, Atkins e Dukan, acaba imaginando montanhas de ovos ou montanhas de peito de peru (eu imaginava, então)...
Tempos atrás estava sem o que fazer e compilei despretensiosamente nessa postagem as dietas das quais ouço falar e com as quais tive contato: funcional, atkins, dukan, e a paleo. A rigor, não sigo nenhuma dessas, talvez pudesse encaixar no conceito de primal, mas ainda tenho alguns industrializados que consumo, enfim, é trabalhoso ficar nominando as coisas.
Tem um povo que pensa também que sou vegetariana: sigo as segundas sem carne, e é comum que não consuma proteínas animais em todas as minhas refeições. E também porque, o principal "tipo" de alimento presente numa "paleo-LCHF" é justamente os vegetais.
Nunca fui muito boa de salada; os sabores não me agradam e comida fria me faz torcer o nariz - é preciso estar calor como agora para que eu suporte mascar folhas. E eu tinha um purismo de que deveria mascar folhas e brotos, desconstrução que venho levando um tempo para fazer, incrementando o sabor de meus legumes e verduras com preparações mais maneiras.
Sendo estes vegetais as minhas fontes de carboidratos, é ok para mim adicionar gordura para deixá-los mais apetitosos, e também variar no preparo. O ótimo não pode ser inimigo do bom: se tostar as cenouras no forno com azeite e alecrim é o dique entre mim e a Pringles, que sejam chips de vegetais, então!
Este almoço foi de alguma segunda-feira, por isso, foram somente eles de diversas formas. Experimentem esses e muitos outros!

CHIPS DE COUVE

1 maço de couve
sal a gosto
azeite de oliva a gosto

Pique a couve finamente, unte uma assadeira com azeite e espalhe-a o mais uniformemente possível numa camada só. Tempere com sal (CUIDADO COM O SAL, POIS APÓS A COUVE ASSAR, O SAL TENDE A FICAR MAIS CONCENTRADO!) e leve ao forno por cerca de 20min em temperatura média, ou pelo tempo necessário para ficar crocante (preste atenção, pois, assim, ela vai assar muito rápido e periga de queimar!). Dura cerca de 3 dias na geladeira, mas não garanto a mesma textura crocante - se quer crocante, melhor consumir imediatamente.

CHIPS DE ABÓBORA

abóbora pescoço fatiada em rodelas finas (0,5cm)
azeite de oliva a gosto
sal a gosto
alecrim desidratado

Mesmo processo: após fatiar a abóbora, unte uma assadeira e faça novamente uma única camada de vegetais, polvilhando sal e demais temperos que utilizar, levando ao forno médio por cerca de 30min, virando as fatias no meio do processo uma vez. Retire no ponto que gostar: eu gosto das pontas queimadinhas mas com centro macio. Dura um pouco mais na geladeira, uns 4-5 dias.

BETERRABA COM FAROFA LOWCARB

1 beterraba média cortada em fatias de 2cm
3 colheres de sopa de farinha de coco
4 dentes de alho descascados e fatiados ao comprimento
1 colher de sopa de cream cheese
sal, azeite e ervas a gosto (usei orégano seco)

Unte uma assadeira, levando as beterrabas temperadas com sal e azeite por cerca de 20min ao forno médio numa única camada. Devolva ao forno por mais 15min, agora com os dentes de alho. Leve uma última vez, virando as fatias, adicionando a farinha de coco, uma pitada de sal na farinha e porções do cream cheese por cima da farinha (colheradinhas) e as ervas, por mais 15min. Dura 3 dias na geladeira, mas sem a crocância da farinha de coco - ao ser reaquecida, ela se umedece com a beterraba e eu acho mais gostoso assim...


Wednesday, February 17, 2016

Projeto No More Choices: os cosméticos e os cardápios

Fiquei encantada com a ideia, me emocionei com ela numa tarde de ócio aqui na repartição, mas continuei diariamente me vendo com aquelas questões de sempre: o que vestir, por onde vou, etc.
Daí que nessa semana o ano iniciou mesmo, e arrumando meu quartinho um pouco ontem, resolvi limpar minha bancada de maquiagens e deixá-la mais do meu agrado. Hoje estou mostrando os produtos de maquiagem que elegi para durante a semana, no trabalho.
São eles: BBCream de rosto e de olhos Nude Magique, da L'oreal (incríveis e tecnológicos, se adequam ao seu tom de pele, e têm cobertura baixa e efeito mais natural), rímel Neutrogena, blush líquido da Benefit (rosado e com glow, não é para quem gosta de efeito matte), batom Taupe da MAC (no meu tom de pele, fica um boca mais destacado, mas ainda discreto) e o lápis de sobrancelha da MAC (super suave, mas salva minha vida e preenche com facilidade - bem difícil a pessoa errar usando ele).




No mesmo processo, ao invés de facilitar as coisas, minha culinária intuitiva estava gastando minha criatividade, sendo que ter mais o que fazer deveria me restringir. Então acabo de fazer um levantamento do que tenho na geladeira atualmente e defini o restante do cardápio da semana!
Destaquei em amarelo o que é mais perecível, e serão minhas prioridades. Fiz somente almoço e jantar, pois eu não tomo café da manhã - não tenho fome, e é desnecessário forçar, além de autorizado por minha nutricionista (antes que alguém venha trollar como sempre ocorre):

Sentiram falta do Lagosto? Esse é o versão 2015/16



Próximo passo vai ser organizar as roupas já na ordem por dia de semana, talvez hoje ainda. Mas já aliviou bem minha rotina!




Tuesday, February 16, 2016

O dia em que a vergonha na cara oficialmente deixou o recinto

Acabo de voltar do meu intervalo de almoço e encontrar zippy boss dormindo sobre sua mesa, exatamente como fazíamos quando crianças/adolescentes na escola.
Constrangidíssima, arrumei outro lugar para ir e não ter que vê-lo levantar nessa situação.
Ao retornar, ele havia ido lavar o rosto, presumo. E um de seus coleguinhas prediletos, Shrek, estava no local - acho que o ajudou, dando aquele conselho amygo.
Quando eu digo que trabalho num local bárbaro, alguém ainda duvida?

Uma postagem feita com o coração

Nas bolas prateadas do Inhotim, eu contemplo meu próprio reflexo
 Em dezembro eu viajei para a Europa a fim de visitar a família e conheci novos lugares, todos muito lindos (e sim falarei deles logo, prometo). Voltei a tempo de aproveitar o verão de janeiro como há anos não conseguia, estando próxima dos amigos, mas sabe quando parece que as férias não te zeram?
Daí que semana passada, estando há anos sem conseguir ir a BH a passeio, usei umas milhas que ganhei de mommys, umas folgas que o sindicato me devia e passei uma semana.
E queria dizer que agora, realmente, o ano passado passou.
Só quando voltei ao lugar onde já morei, e que já conheço há tanto tempo e que tantas vezes já voltei, o cérebro resetou as águas todas que rolaram por baixo de minha ponte. Foi lá, pegando o metrô e sentindo o característico cheiro do pequi vendido nos hortifrutis que vi a cura acontecer. Foi naquele sofá rasgadinho, de um apartamento simples de Contagem, que tomando uma cerveja barata e nada paleo ou lowcarb que as pequeninas mazelas que meu corpo passara janeiro inteiro enviando finalmente sararam.
Quando as vozes bondosas e simples das pessoas que amo, mas que não posso ter todos os dias, riram de si mesmas e agiram como se nada fosse complicado demais, que pude relativizar todas as dores que ardiam, latejavam, mas que agora apenas me lembram que posso sempre recomeçar.
Porque se sobrevivi à dor que senti quando estive lá, se pude ainda amar e receber o amor de quem me conheceu quando de tão ferida, eu só sabia ferir, é certo que todo o resto pode ser ajeitado.
Hoje de verdade me sinto descansada e em paz, e resgatei isso exatamente onde a guerra se instalou há muitos anos atrás. Lá onde eu finalmente me encontrei com minha sombra, hoje foi o que me jogou de volta na luz.
E eu repeti, repeti inúmeros trajetos, e no entanto, nada estava igual, porque eu estava diferente. E de amor e de respeito, se fez essa nossa trama, que me marcou por dentro, e agora também por fora. O vermelho que sempre foi minha fonte de movimento e energia, minha aposta ideológica, é também a cor da homenagem permanente a esse lugar tão cheio de pessoas, memórias, afetos, cheiros... bem próximo do pulso, pulsando em mim permanentemente, me lembrando de minha força, de minha energia, de minha capacidade de sofrer - mas também de me curar. 
Pontilismo em degradê
Ah... não doeu nada, pelo contrário, achei uma delícia e quero fazer muitas outras :)

Friday, February 05, 2016

É hoje!

Na verdade, é hoje, mas continua amanhã e vai perdurar por muitos dias ainda!
Hoje vou para o Baiacu de Alguém numa fantasia em dupla com uma culega: ela de Miss Colômbia e eu de Miss Filipinas.
Amanhã, no período da tarde, embarco para BH matar a saudade dazamiga, do cheiro de BH (meu Deus, eu disse isso mesmo? eu ODIAVA aquele cheiro há 7 anos atrás!) e ninguém aqui vai mentir - das comidas também.
Na volta, uma passadinha rápida em São Paulo, apenas o suficiente para sentir o bafo da Liberdade no ouvido, tomar um café decente, vocês sabem.
Se alguém perguntar "Mas fia, cê nem contou ainda sua viagem de férias, que que já vai prometer relato de BH?", vai levar na cara...hahaha.

Thursday, February 04, 2016

Um amor sincero e bandido chamado Grisbi

Na década de 90 a Parmalat não havia falido e além dos bichos de pelúcia, havia a incrível comercialização de biscoitos gostosos. Era dos mais caros e deliciosos, uns cookies ultra diferentões, farinha de trigo barroca do desejo, etc.
Um deles, maldita hora, fui descobrir o nome e do que se tratava aos 14 anos. Minha amiguinha havia recebido a mesada naquele dia, e foi no Angeloni comprar "minha Grisbi, ieeeeei" (até hoje lembro dela empolgadíssima com isso).
Foi ALI, exatamente ali, que fui atingida pela primeira vez por um raio gourmetizador. Eu, que amava coisas simples como Ruffles e Passatempo recheado, descobri que aquela delícia que minha amiga só podia comprar com a mesada era de fato a melhor bolachinha do mundo.
Anos se passaram comigo sempre vasculhando os mercados atrás dela. Cheguei a fazer estoque em casa, quando encontrava, e um ex-namorado meu me dera de presente certa vez, de tão importante que eu considerava a bolachinha.
Encontrei-a algumas vezes em BH, no Carrefour, e também me correspondi diversas vezes com a fábrica, na tentativa de encontrá-la.

imagen descriptiva del contenido
Nome novo, já nos anos 2000, mas a mesma sedução bandida
Até que em 2009 ficou oficial que não seria mais fabricada.
E aí, meu bem, meu mundo fez a Maysa e caiu.
Mas não por muito tempo: nazoropa, inadvertidamente, eu que considerava aquele amor perdido as reencontrei no Carrefour da cidadezinha onde meus pais viviam. E era melhor que antes: além do simples chocolate, havia a versão cítrica, de limão - doravante denominada A Melhor Bolacha das Galáxias.


Hello, Lover
E eu comecei a trazer pra casa cada vez que viajava. E tome pedir encomendada cada vez que alguém ia. E em dezembro passado, passei por quatro países entrando em todos os supermercados, farmácias e postos de gasolina em busca daquele biscoito, sem lograr êxito.
Minha sorte final foi uma conexão em Malpensa, por onde chafurdei em todas as lanchonetes e já desistindo e me consolando (pelo menos não comerei glúten, #mimimi), resolvo ir numa tabacaria com conveniências e lá estavam elas!
Canto dos anjos:

Para, para, paradise
Só haviam mais três. Coloquei-as imediatamente na cestinha e encarei a fila, apenas para descobrir que paguei 4 fucking euros e 50 por cada pacote, o que fazendo uma conversão exata, significa R$17 por pacote de bolacha industrializada. 
Mas o que importa quando o assunto é amor? Não importa o dinheiro, o glúten, os putos 22 gramas de carboidrato sem uma única fibra nessa caralha de embalagem. Não. O que importa é o abraço morninho que derreter aquele recheio cremoso no céu da boca me causa. Sentir a base amanteigada estremecer sob a pressão de meus centroavantes e deixá-las sempre na geladeira, onde ficam ainda mais gostosas.
Grisbi, eu te amo pra sempre. Eu te amo de chocolate, eu te amo de limão, eu te amo com nome Specialat, eu te amo e pago o preço que for para te ter. Quer namorar comigo? Tente usar um pacote de Grisbi junto - foi isso (e um salgado integral de frango, hahaha) que me convenceram a ir morar com meu namorado da época!

Tuesday, February 02, 2016

Sobre voar

Viajei na ida de KLM e na volta de Alitalia. Por Deus, que se isso for uma opção viável, quero apenas e somente forever ir sempre de KLM.
Fui de econômica como sempre, mas com um atendimento impecável das comissárias, que eram simpáticas e trabalharam literalmente a noite toda.
A comida era bem razoável, considerando-se que era de voo. Nos foi explicado que como era um voo original do Brasil, o menu era brasileiro, então havia escondidinho e cuscus com cozido(minha escolha). As instruções de segurança foram todas feitas numa animação graciosa das porcelanas holandesas, e tudo era identificado assim também.

Jantinha: olhem a minigarrafinha de vinho, minigarrafinha de água, e a embalagenzinha com padrão de porcelana holandesa que havia em tudo nesse voo
As bebidas eram dignas: cerveja durante o voo era Heineken e o vinho sul-africano vinha numas minigarrafinhas de porção individual. Durante a noite, periodicamente passavam as comissárias que davam água sem gás e ofereciam alguma guloseima. Para a eventualidade de depois de tudo isso ainda você ter fome, havia um imenso cesto cheio de chocolatinhos, biscoitinhos e o meu grande amor holandês, que se chama stropwaffle.


Carrinho das bebidas: Amarula, Heineken e a padronagem porcelana holandesa 
Conversei a viagem inteira com uma brasileira que estava na janela. Eu fiquei no meio dela e de um holandês comprido que se deu muito mal: enquanto ele fechou os olhos e dormiu feito um buda da hora que embarcou, eu, de tanto me sentir ressecada e desidratada e com dor na lombar, importunei-o diversas vezes durante a noite para ir ao banheiro. Nem todas essas horas sentada me deram retenção de líquidos.
Eu aprendi, da forma mais dolorosa, que sou uma pessoa que viaja no corredor. Não adianta tentar me mandar na janelinha para eu apreciar a vista, eu preciso estar no corredor para andar, circular, ir ao banheiro, me alongar e por aí vai.
Aqui no Brasil, a parceira da KLM para voos domésticos é a Gol. Fui FLN-GRU de Gol, e dali por diante, de KLM.
De Alitalia, com receio de ficar presa novamente no corredor, fui MUITO cedo para o aeroporto, cedo até demais. Mas no fim, consegui uma poltrona não só no corredor, como também na primeira fileira da econômica, ganhando não só passagem livre, mas também espaço para a frente!
Não tinha tanto paparico das comissárias, nem a comida era tão gostosinha, nem tinha lanchinho esperando bater fome na madrugada, mas mesmo assim é digno. Bem menos que KLM, bem menos.
Algo que me emputeceu sobremaneira foi o fato de não ter conseguido fazer check in online, pelo fato dessas companhias terem convênios, mas não ir do início ao fim com a mesma. E mesmo chegando quase 8h antes no aeroporto de Budapeste, só quando o check in abriu foi que consegui imprimir minha passagem no guichê. Mesma coisa no Rio: fiquei desde 7h da manhã na rua da amargura com minhas bagagens, sem conseguir antecipar o voo nem fazer check in nem despachar as malas ou qualquer coisa. Precisa ver isso aê.

Blog Archive