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Monday, November 23, 2015

O que tem pro almoço? Risotto de abóbora com linguiça que gera Arancini

A bagunça usual: caldo de abóbora de um lado, risotto no outro. E o alecrim secando ali no meio da grade.

Tem sido um mês engraçado. Mas como já é dia 23, sinto-me à vontade para lhes contar que me impus um desafio: neste mês, eu não poderia sair para comer a lazer, somente em situações realmente extremas, e ainda assim, teria que buscar alternativas com meu vale-refeição. Daí o Universo amou essa brincadeira e levou todo meu dinheiro embora há quase 3 semanas já.
Fica mais fácil cumprir um desafio quando você não tem o dinheiro de fato.
Daí que sábado é sempre um dia gostoso em que gostamos de passear na rua, ver o comércio, comprar alguma coisa e depois beber algo e preparar um almoço tranquilo. Mas nesse sábado, tínhamos compromisso no final do dia, e não tínhamos dinheiro.
Matutei um pouco, pensando no espólio da geladeira e despensa, e chegamos nesse risotto, de abóbora com linguiça blumenau, no calor que fazia sábado. Mas era a coisa mais gostosa que sairia, com os ingredientes de que dispunha. Minto: faltava o parmesão, para o qual juntei as moedinhas restantes e comprei um potinho ralado pelo próprio mercado (eles mesmos ralam a barra do parmesão, é diferente daqueles de pacote) por R$2,93. E o resto foi invencionice com o que havia em casa, aproveitando inclusive a casca das abóboras que eu acho muito saborosas e sempre como depois de lavar bem, se forem orgânicas.
E ontem, após um passeio na Beira Mar que nos exauriu por motivos diversos, sem poder comer na rua, chegamos em casa e criamos nossa própria versão de arancini, com um restinho equivalente a uma colherada grande do risotto de anteontem, com um ovo, temperos e farelo de aveia. Renderam 9 bolinhos bem gordinhos, macios por dentro e crocantinhos por fora, que ficariam ainda melhores com farinha de rosca... que eu não tinha. E se não tem tu, vai tu mesmo. Nesses arancini, foram ainda uma metade de cebola, um terço de pimentão verde, e os talos do maço de salsinha que já viram dias melhores. Desastrada, derrubei um ovo no chão e só faltei chorar pelo desperdício, quando o cãozinho me salvou, lambendo o saboroso ovo cru orgânico que não lhe fez mal e deixando o chão mais limpo que qualquer passada de pano.
A receita de risotto é inspirada no delicioso risotto de abóbora com carne-seca daquela franquia deliciosa que como sempre com Natasha, quando aos domingos passeamos na feira Como Assim? e almoçamos na praça de alimentação. Ah, São Paulo... Não vejo a hora de te encontrar novamente. Parece que este ano, não nos veremos mais.
Não é exatamente o que eu faria, se pudesse e tivesse outras opções disponíveis. Mas concordamos que tudo ficou delicioso, fresco, bem temperado e colorido. Gosto de pensar que tenho essa culinária feliz, e encaro as limitações como um potencializador de minha criatividade. 

Risotto de abóbora com linguiça Blumenau (4 porções)


Resultado final imediatamente antes de servir, não pude mais fotografar pois a fome era grande...
1 xícara de arroz arbóreo
1/2 cebola picada
150g de abóbora cabotiá picada em cubos miúdos, com casca e tudo (se for orgânica)
80g de linguiça Blumenau sem pele, desmanchada
2 dentes de alho picados
80g de parmesão
1 colher de sopa de manteiga
1/3 de xícara de vinho (usei uísque, era o que tinha, beijos)
sal, pimenta e cheiro verde a gosto

Coloque uma panela de água para ferver com a sua abóbora lá dentro. Deixe por cerca de 8-10min, até que a abóbora esteja al dente, e retire a abóbora. Se tiver miolo e sementes, separe-os e deixe na água que ficará fervendo para o risotto. Na panela onde o risotto será cozido, coloque a linguiça para fritar em sua própria gordura, o suficiente para que fique sequinha (cerca de 3-4min). Reserve a linguiça junto da abóbora e proceda ao risotto como de costume, na panela suja com a gordurinha da linguiça: refogar arroz, adicionar vinho, e ir vagarosamente adicionando a água fervente com uma concha. Quando o risotto estiver 90% cozido, incorpore novamente os cubos de abóbora e a linguiça. Desligue o fogo, adicione manteiga e o queijo e tape, deixando descansar por 5min. Nesse ínterim, prepare o cheiro verde para incorporar por cima. Adicione o sal se necessário e tempere a gosto (ralei noz moscada e achei que combinou perfeitamente). Sirva imediatamente, porque risotto não espera ninguém - nós é que esperamos por ele ;)

ARANCINI


Maionese verde, catchup e tabasco para molhar os bolinhos


4 colheres de sopa de risotto pronto
1 ovo
 1/2 cebola picada
1/3 de pimentão verde picado
1/3 de maço de salsinha picada
5 colheres de sopa de farelo de aveia+ o suficiente para empanar

Com um garfo, amasse bem o risotto cozido, para que ele vire uma papinha, mas ainda se identifique o que era e tenha textura. Adicione os vegetais picados, o ovo, tempere com os condimentos de sua preferência e vá adicionando o farelo de aveia às colheradas, verificando sempre o ponto: úmido, porém manipulável. Se estiver minimamente manipulável, vá em frente, não adicione farelo ou farinha demais. Empane no farelo de aveia e leve para assar. Fiz na airfryer por 10min, virei-os e assei por outros 5min. No forno não saberia dizer o tempo necessário, mas penso que uma boa referência são outros salgados (como almôndega) que costumamos levar ao forno - faça uma média, compare. Ou frite, se tiver paciência.

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