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Monday, November 16, 2015

Matutando a questão #paleo

Indiquei minha nutri para uma amiga minha que sempre foi mais alta, mais magra, mais loira e mais diva que eu. Mas que no momento não sente que está assim e quer ficar assim de novo.
Só que, ao contrário de mim que saio que nem pinto no lixo com meu plano novo, ela sai desnorteada porque as orientações são complexas.
E porque?
Porque jamais esquecerei da minha primeira nutri, funcional, que me ajudou a retirar os principais alérgenos (glúten, lactose, caseína e açúcar), há mais de um ano atrás. Essa mulher me colocou num caminho limpo dessas coisas, e quando minha atual nutri me conheceu, eu já tinha rotulofobia (sempre fui adepta da #comidadeverdade) e disposição para cozinhar.
E aí hoje comecei a matutar...
Quando chego em casa, ligo uma musiquinha e inicio meu ritual na cozinha, imediatamente minha mente se transporta a outro lugar. Começa a funcionar de forma veloz, muito veloz, mas muito concentrada apenas no que estou fazendo. Ali eu vou tendo as sinapses de como tornar meu almoço ou jantar melhor do que já é. Enquanto o kefir é trocado, a couve é refogada e os ovos são batidos, vou ali já incrementando que fritarei os ovos batidos na gordurinha da couve e como isso ficará legal. Depois de tirar finos espaguetinhos da minha abobrinha, me ocorre guardar o miolo esponjoso para num outro dia comê-los dourados em azeite com alho. E ali mesmo já pego um potinho, monto o lanchinho do dia seguinte e misturo as pastilhas de chocolate amargo com as macadâmias salgadas, pensando que o sal das macadâmias vai ressaltar o doce daquelas pequeníssimas pílulazinhas de chocolate. 
Minha mente voa, corre, o tempo todo, mas vibrando numa única nota: a comida de qualidade, de densidade nutricional que estou fazendo e que tão bem me fará. Nesses momentos, bloqueio minhas insatisfações pessoais e profissionais, e viro uma mente a serviço de meu corpo. E ao fazer isso, percebo que na realidade virei foi uma mente a serviço de minha mente, porque dessa maneira indireta coloquei intenção e foco, de um jeito que não consigo em nenhum outro lugar. 
Minha nutricionista me disse em nossa primeira consulta: "imagine que não há supermercado no mundo. O que você comeria? Plantas e bichos!" E com isso em mente, inúmeras vezes estou dentro do supermercado mas me atenho ao hortifruti e já não sei mais o que vende nas outras prateleiras. E passei a conhecer de perto o problema dos limões que andam sem suco, e mesmo dos morangos que andam azedos. Antigamente, misturados aos industrializados do carrinho, eu não era capaz de perceber tais detalhes...
E me sinto agradavelmente em paz, feliz, e em silêncio. Sinto uma abissal necessidade de silêncio e não estou suportando o ruído que vem lá de fora. Enquanto estou fabricando minha própria farinha de amêndoas, estou com todos os meus conectores ligadinhos, gerando energia. Não consigo essa sensação em nenhum lugar do mundo além de minha pequena e bagunçada cozinha. 
Daí o cãozinho passa, dá uma lambidinha em minha panturrilha de pés descalços diante da pia e vai para a lavanderia beber água. Aquele sonzinho me acalma e faz sorrir, assim como ele sorriria (se fosse humano) ao ver que além da sua ração industrializada e sem gosto, lhe deixei uma casquinha de queijo provolone. E o crec-crec de seus dentinhos mordendo o que há dentro do potinho me faz transbordar de alegria.
Ao final desse processo, ambos de barriguinha cheia, sentamos no sofá para ele coçar as costinhas no estofado - ele adora esfregá-las no chão ou em qualquer superfície, quando está contente comigo. Ordeno que ele pare, pois sei que vai vir refluxo se não voltar à posição original. Ele desce para o chão, suspirando, e vai cochilar.
E eu, triste porém sabendo que não tem outro jeito, levanto e vou cuidar da vida fora esses momentos, esses que são os mais felizes de meus dias - todos os dias!

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