Total Pageviews

Monday, September 21, 2015

Novas Constatações

Estou numa daquelas fases da vida em que tudo parece desmoronar ao nosso redor: certezas, objetos, pessoas, relações, tudo vai se esvaindo entre os dedos.
Ao contrário de sempre, há pouco sozinha fiquei matutando a respeito de alguns fatos recentes.
Vi em coisa de algumas semanas minha vidinha regrada, tranquila e satisfatória ir sendo minada de forma surreal por acontecimentos internos meus e externos. De repente, por conta de uma mudança específica em minha rotina e pessoas de convivência, passei a conviver de forma permanente com a insatisfação alheia com relação a diversos aspectos de minha vida. Passei a ser visada e questionada em termos de resultados e comprometimento, e para o azar de quem questionava, passei em todas as provas. A cada coisinha que se levantava a meu respeito, eu saía ainda melhor depois de ser questionada, provando de forma incontestável que merecia a posição que ocupava e estar conduzindo as coisas da melhor maneira. Com base a isso, julguei erroneamente que estava me desviando muito bem das balas maldosas que tentavam disparar.
E foi só hoje, chegando em casa e encontrando-a literalmente TODA CAGADA pela diarreia de meu bichinho que não comeu nada além de ração e biscoitos caninos, que me ocorreu:
e se ao invés de eu me perguntar o que está havendo com ele, eu me perguntasse o que está havendo comigo?
O que há comigo que meu cãozinho grita desesperadamente se saio durante à noite para ir na padaria? O que há comigo que o pé de limão tem esses mofos e bichinhos nos galhos? O que há comigo que aquele garoto feliz e apaixonado por tudo que possuía na vida mal consegue se animar para tomar um banho?
Posso estar equivocada; mas de repente me ocorreu que enquanto tudo aquilo de que eu considerava estar me desviando só me deixava mais forte e poderosa, meu micro-mundinho foi definhando sem que eu soubesse como evitar que isso ocorresse. Como se todas as balas que não me feriram tivessem sido desviadas para alvos menos resguardados que eu.
Cuidadosa que andei em não deixar a peteca cair e derrubar todos estes obstáculos, não houve energia suficientes para cuidar dessa sutil estrutura que me mantém de pé. E então hoje, enquanto fazia uma reengenharia total de um cômodo visando acomodar o cãozinho lá muito em breve, me ocorreu compartilhar esta reflexão assim, de forma pública, para ver se alguém mais considera que isso faça sentido. E ao ser indagada sobre a possibilidade de priorizar uma nova atividade extra, viajando para Brasília durante alguns dias, senti fortemente que não deveria fazê-lo, principalmente por causa de quem deixaria aqui, meu cãozinho e meu humano tão amado. Chegar em casa e encontrar aquela lambuzeira foi a certeza de que preciso prestar atenção em tudo isso.
Não sei se se trata de uma escolha definitiva, e uma coisa que aprendi com minhas escolhas que já considerei definitivas é que nunca é assim. Mas algo nesse caos me fez pensar que necessito de outra escolha para o momento. Não por mim, diretamente, mas por tudo aquilo que me sustenta e que, assim, se torna "por mim" porque não posso ver este mundo ao meu redor passando por apuros.

2 comments:

Valquiria Paula said...

Acho que entendo bem o que quer dizer. Pelo que te acompanho aqui, vc não é uma guria religiosa, mas se fosse, poderia acreditar que essas coisas são consequências espirituais. Mas ainda que não seja, eu acredito que nosso em estar influencie sim as pessoas e o mundo que estão ao nosso redor.
Então não acho que vc esteja exagerando ou que esteja errada em priorizar o que é realmente importante pra ti, penso que está no caminho certo, vai fundo!
Espero de coração que as coisas logo melhorem. Bjs

Gabi said...

Talvez seja sempre bom olhar a sua volta sim. Mas o seu cãozinho teve um problema com ele, e vamos aos fatos, ou é emocional (adaptação a uma vida totalmente diferente na qual você não tem como fazer certos milagres e já está fazendo mais do que poderia tendo aceitado ele), ou é funcional, no qual apenas um remedinho a partir de um simples exame no veterinário resolveria.
Meus dogs já tiveram problemas desse tipo e era alguma bactéria, afinal, eles acham restinhos em cantinhos inimagináveis. É a vida.

As reflexões internas que você trouxe a tona nessa situação foi provocada pelo Billy e não ao contrário.

Por exemplo: Quando estamos triste, batemos o dedo na porta, achamos o motivo do dia para chorarmos por pelo menos 20 minutos. Se fosse um dia que estivessemos felizes e batemos o dedo na porta, iriamos rir do desastre.

Cuidado também com o sentimento de culpa. ;)

Blog Archive