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Monday, July 20, 2015

Uma volta ao passado recente: Valparaiso e suas cores

Sim, aqui a esquizofrenia de postagens faz com que apesar de eu já ter voltado do Chile há 8 meses, hoje me tenha ocorrido que nunca terminei de contar como foi, e vasculhando minhas fotos, vi que fui injusta ao não relatar algo incrível e que foi muito enriquecedor nesta viagem: Valparaiso.
Nós chegamos no Chile numa terça-feira, e quando foi sábado de manhã, deixamos nosso apart e fomos para o metrô - de lá, para a rodoviária de Santiago, e então, para Valparaiso.
O plano era passarmos o final de semana por lá porque havia lido que tinha uma vida cultural interessante, e além disso, eu tinha Helena (minha amiga) que mora em Viña del Mar, cidade bem ao ladinho, e poderíamos explorar seus conhecimentos locais.
Primeiro quero dizer que as rodoviárias chilenas tem aquele estilão bem brasileiro: caóticas, com pinta de sujas, indignas, nada parecidas com aquela belezura uruguaia do início do ano.
Mas de qualquer forma, tomamos um ônibus equivalente aos nossos convencionais, e em cerca de 2h30 chegamos ao nosso destino, sem movimento, estrada boa, e com paisagens lindas no trajeto. Chegamos em Valpo (intimidade chegando) cerca das 14h, e lá na rodoviária tomamos um táxi para a nossa hospedagem em Cerro Alegre. O preço da passagem de ônibus foi algo em torno de R$35 e a rodoviária era integrada com o metrô de Santiago, bem prático.
Vista do mar do pacífico, lá de Cerro Alegre
Vamos por partes, falarei deste cerro, para depois falar do resto dessa parte da viagem (supondo que um novo surto de banzo da viagem me acometa e eu termine essa saga). Eu escolhi Cerro Alegre porque foi onde havia hostel, e eu adorei as fotos do meu, então, confesso que foi o Booking que me levou a esse local. Queríamos privacidade, então pagamos o equivalente a alguma diária de hotel pelo nosso quarto de casal (mas banheiro coletivo), mas tudo bem, porque amamos mesmo assim a decoração, o estilo da casinha, a localização...só não fizemos amizades porque o tempo foi curto, apesar que o boy arrumou duas amiguinhas numa determinada noite que eu caí no sono. Também achei que estava um clima bem familiar, tirando as duas meninas, haviam lá uma família completa (casal e 2 crianças), outro casal, e nós. Recomendo fortemente este hostel porque achei tudo ótimo, as condições do local, o preço, a localização, e tem um desayuno muito TOP, inclusive comparado com hotéis latinoamericanos: suco, ovos mexidos, frios, café, pão, doce, tudo bem gostoso e feito na hora para cada hóspede, servido na mesa!
Pois bem, nós já chegamos com fome de almoçar, então apenas largamos nossas coisas no hostel e fomos dar um passeio nas redondezas para achar um bom restaurante (e bons tinham, aliás, muitos!). Comemos numa esquina lá lotada de restaurantes e barzinhos, todos tinham um quadrinho com menus ejecutivos, e selecionamos um com pinta de restaurante francês, por coisa de R$45 para cada, composto de entrada, prato principal e sobremesa, que estava ótimo. O meu foi bouef borgignon, o dele foi um peixe, de sobremesa peras bele helene, tomei vinho na taça, uma beleza. Bem, estávamos com pressa e fome, não procuramos pechinchas, mas esse é o preço - não exatamente uma pechincha, concordo, mas já comi em restaurantes aqui com nível parecido a preço muito mais alto. De lá, fomos perambular pelo cerro, e é aí que começa um encanto atrás do outro.
Uma esquina caótica e cada portinha um restaurante
Fomos andando, ladeira acima, ladeira abaixo, com o objetivo de encontrar a casa do Neruda, La Sebastiana, que segundo Helena (minha amiga) é a mais feia das três. Andamos muito, e não encontramos nesse primeiro dia, pois estava longe para ir andando. Mas foi ótimo, porque passamos uma tarde toda andando pelo cerro e achando tudo um encanto. Valparaíso lá de cima tem esse desbunde da vista, mas também a obra humana, de muitos grafites, construções em terreno acidentado, que a tornam incrivelmente inspiradora. Tive diversos pensamentos por lá, inspirada pelo cenário e pela confusão e excesso de informação: a natureza é bonita, as cores são bonitas, as casas são bonitas, os grafites são bonitos...como fazer? Fiquei zonza! 
Escadinhas cheias de detalhes coloridos, haviam muitas!
Uma coisa muito legal é que alguns locais buscam integrar o que já tinha lá com o desenho que vai vir, então ao invés de passar a tinta por cima, é feito um desenho que valorize o que ali já estava, e ao mesmo tempo em que destaca (o arbusto, ou o que for), integra numa outra coisa. A foto abaixo ajuda a explicar o que quero dizer.
Nada de cortar o arbusto: ele entra no grafite!
Isso dá uma noção muito interessante de como é que a gente convive com aquilo que o lugar é, mas ao mesmo tempo transforma ele também. Fiquei com aquela percepção de que a ocupação urbana daqueles cerros se deu numa relação mais paralela, em que a gente constrói coisas aqui, mas respeita o que vem junto com isso. E aqui estou eu de novo, embolada nas palavras porque a forma privilegiada de comunicação que havia lá, era o desenho.
Outra com os arbustos, e ele <3 td="">
Haviam muitas pessoas pelas ruas, o tempo todo, e também visitamos uma feirinha de artesanías, subimos e descemos escadarias, entramos numa casinha de chás. Passeamos, passeamos, e quando ficou cansativo, nem lembro o que fizemos, acho que nessa noite, que eu deveria ter dado apenas um cochilo, adormeci profundamente até a manhã seguinte - sem jantar, sem beber alguma coisa, sem assistir um show de bandas que Helena havia me chamado para ver.
Era novembro já e estava super frio, apesar do sol. Lá faz muito frio! 
Eu nesse dia fiquei me sentindo impotente com minhas câmeras, pois ter aquelas que faz vista panorâmica TALVEZ servisse para demonstrar a grandiosidade do lugar, é muita coisa para caber num enquadramento só. 
Ao contrário de Santiago, aproveitei muito mais a paisagem de Valparaíso e suas cores do que a gastronomia, honestamente não tenho grandes memórias relacionadas à comida, apesar de que não comi nada mal. Foi um local de alimento para a mente (food for thought, como anda na moda dizer).
Ainda não contei sobre várias outras coisas dessa viagem, pode ser que eu continue ainda. Pois é uma forma de fazê-la durar um pouco mais! :)






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