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Wednesday, June 24, 2015

Nisso falando, uma impressão

Além da viagem que relatei no último post, tive algumas outras para fazer no mês que passou. E agora que além de tudo que já era também sou sindicalista, tenho ido mais vezes que toda minha vida em Brasília, por motivos de a repartição ser toda vinculada a lá.
E aí sempre que vou me lambuzo numa comida imensamente deliciosa que sempre chamo de "comida brasileira", muita mandioca, coisas com coentro, carne de sol, salada de feijão fradinho, abacaxi bem doce... E sempre alguém me corrige dizendo que toda comida aqui é brasileira.
Eu sei, eu sei, mas vocês não ficam com uma sensação que a comida de Brasília, assim mais caipira, mais sertaneja, é mais brasileira que a nossa? E o que dizer da tapioca com queijo coalho e melado de Pernambuco? De um feijão tropeiro?
Sempre fico com a sensação de que moro em outro lugar, e que somente quando vou subindo é que estou realmente no Brazil. São Paulo ainda não me traz essa percepção. Pensando bem, nem o Rio, ao menos não esse Rio tipo exportação tão cosmopolita que vejo no instagram.
De Minas em diante, fico com essa pulga atrás da orelha!

Pernambuco-bucolismo


Anos atrás eu era viciada num álbum da Marisa Monte chamado Infinito Particular, sendo Vilarejo a principal razão disso.
Daí eu ia ouvindo o álbum até o final e uma música quase sem instrumentos fala do bucolismo e saudade do Pernambuco. Pernambuco esse que sempre quis conhecer, mas acabei nunca priorizando.
Daí semanas atrás a vida me pregou uma peça, e fui inscrita para um congresso em Recife. Fiquei feliz pensando que talvez no dia da ida ou da volta eu poderia ir ver Olinda ou o centro histórico...que nada.
Cheguei 19h de domingo e fui embora 7h da manhã de quarta, sem nem um minutinho. Então pensei: posso acordar mais cedo e ir em algum lugar próximo... que nada.
Fiquei ao equivalente de São José-Florianópolis, numa praia específica bem longe de tudo e com tubarões no mar (foi assim que meu plano de "pelo menos uma caminhada e um mergulho à noite" também foram cancelados).
Tive contato apenas com os pernambucanos presentes no congresso, staff do hotel e funcionários no aeroporto. De Recife, não vi nada. A mim restou somente a vista do mar, dos barquinhos e o café da manhã com carne de sol, cuscus e banana da terra.

Coqueiros na praia - algo raro em nosso litoral sulista, mas abundante no nordeste. Em Pernambuco me acendeu novamente uma luz, a de que preciso estar melhor posicionada diante de certas coisas, e tive uma incrível conversa com uma senhora de mais de 60 anos que me disse que o que a mantém viva e jovem é nunca se contentar em apenas cuidar de si e de sua família, mas sim, sempre se manter envolvida com as atividades coletivas e políticas.
O calor intenso com brisa mas principalmente o calor contido nos sotaques e nas vozes pernambucanas me marcou de forma indelével. 
Também sinto um bucolismo, agora. E saudade daquilo que não vivi, tal como um apaixonado que não concretiza seu amor platônico!
Pernambuco sequestrou meu coração, e acho que vamos ter que bater esse papo mais de perto logo, antes que o bucolismo me corroa.

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