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Monday, September 22, 2014

Livro: Incidente em Antares

Foi essa edição mesmo que li, da Companhia das Letras
Andei intensificando meu ritmo de leituras pois estava a me incomodar essa história de nunca concluir nada. Daí que depois de concluir O Alimento do Amor, peguei firme no Incidente em Antares e finalmente terminei. Não porque o livro fosse ruim, ou que não estivesse gostando. Apenas porque andei muito ocupada e o livro não cativou tanto quanto alguns que passam na frente a depender da história. Por exemplo, até semana passada eu estava envolvidíssima num livro que tem lá na casa de meus pais. No entanto, o livro deu uma guinada que o tornou desinteressante para mim, e eu acabei desacelerando o processo.
Quanto a este, andava curiosa há tempos querendo lê-lo pois alguns amigos haviam dito que não só era muito bom, como era melhor que Gabriel Garcia Marquez. Hum. Fiquei meio assim mas resolvi experimentar, e iniciei por este que estava disponível na biblioteca da repartição. Bem, o livro conta a história de uma pequena cidade gaúcha, chamada Antares, num corte temporal bem longo. Relata a saga das famílias ‘fundadoras’ de Antares e também as questões políticas que perpassaram o período, até culminar no dia do chamado ‘incidente’: durante uma greve na cidade, os operários trancaram o acesso ao cemitério local e, devido a isso, sete mortos (alguns muito ricos, outros marginalizados) não foram enterrados. E curiosamente, levantaram-se de seus túmulos e interagiram novamente com a população durante cerca de um dia e meio, enquanto toda a cidade estava em pânico e desespero.
Dali foi uma grande confusão, pois ao voltarem para perto de suas famílias e amigos, descobriram tristes verdades: a velha rica de quem roubaram as joias com as quais ela queria ser enterrada, o advogado que pegou a esposa na cama com seu amante mal ele havia sido enterrado, e por aí vai. Curiosamente, os mais pobres e simples encontraram seus amigos ainda lamentando sua morte e tiveram mais respeito e consideração ao retornarem. O impasse segue durante algum tempo, e evitarei o final (que cheguei a escrever mas depois cortei fora pois alguém poderia ficar chateado comigo) mas é curioso.

Achei o livro muito divertido, irônico e politizado. Gostei da sátira que faz com todas as famílias tradicionais e as instituições da cidade (prefeitura, polícia, justiça local, Rotary clube...) e o seu desespero por manter a estabilidade local, sem que ninguém saia com sua moral afetada do ‘incidente’. Gostei do jeito de escrever de Érico Veríssimo, que não conhecia, e de como fala afetivamente das expressões locais (um dos personagens mais antipáticos, um estancieiro muito metido, gostava de mandar as pessoas à ‘pota que o pariu’, um jeito muito peculiar de falar de lá), mas não vejo que seja possível a comparação entre esse e o outro (Érico e Gabito), pois escrevem de formas completamente diferentes. Beatles e Carlos Gardel, se comparam? Então, mesma coisa. Dizem que a obra-prima mesmo é a longa série O Tempo e o Vento, a qual tenho intenção de ler uma hora dessas, mas por ora estou retomando meus ritmos de leitura e pretendo continuar intensificando. Por isso, livros ‘solo’ são mais possíveis para mim. Mas estou feliz em saber o final da história, finalmente, e também por ter concluído a leitura. Nesta semana, vou fechar mais alguns que estão em andamento, a quem interessar possa: Bolsa Blindada, de Patricia Lages, e O Amor nos Tempos do Cólera, do meu querido Gabito!

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