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Friday, April 04, 2014

Postagem longa e cheia de fotos: a parte Buenos Aires das férias

Estou tentando fortemente não fazer comparações, principalmente por ser algo que considero essencialmente injusto, além de recheado de subjetividades. Mas não posso negar que Buenos Aires me encanta, me surpreende, não interessa quantas vezes já fui, sempre preciso voltar. Fiquei muito feliz de ter podido fazer isso logo no início do ano, porque no ano passado foi impossível.
Nesse ano, ainda dei uma sorte de ter me hospedado na casa de uma amiga que mora lá há cinco anos e conhece como ninguém aqueles recantos que a gente nem sempre consegue acessar quando vai por conta. Apesar de que eu sou bem aventureira e investigadora, e fiz umas coisinhas sozinha. Este post é para contar aquilo que fiz de novidade dessa vez, e recomendar esses passeios.

1 – MALBA

Não foi minha primeira visita ao museu, mas certamente me ficará mais forte na memória desta vez. Fui porque meu amor e admiração pela Friduscha vem só aumentando ao longo dos anos e achava que já não era sem tempo de ir lá conferir aquele retrato de perto outra vez.

A entrada do MALBA custa 50 pesos argentinos, e tem desconto para estudantes e idosos – na conversão oficial, menos de R$20. No acervo fixo, o impressionante auto-retrato de Frida, o famoso Abaporu de Tarsila e uma obra de Diego, um retrato belo mas que não me tocou tanto quanto outras que já vi fotos. E mais um monte de outras obras incríveis, super legais, algumas meio interativas, com outros materiais, de ilusão de ótica, etc. Um quadro de Bottero lindo, em que todos choram na pintura, e me deixou com um nó na garganta. 
Falando em nó na garganta, eu já sabia que ficaria emocionada diante do quadro de Frida (e só de falar já me encho de lágrimas nos olhos – será sinal de que estou aprendendo a apreciar arte?), mas preciso dizer que quando adentrei a sala dessa pintura, o que me atordoou feito uma bofetada foi o Abaporu. Admiro muito Tarsila pelas suas posições políticas da época, pela linda história do movimento antropofágico, mas sinceramente não me comovo com as fotos de seus quadros, inclusive essa. Porém, ao vivo, é de uma força inexplicável, tem um magnetismo sobre a gente, me deixou arrepiada sem entender direito o porquê. Incrível obra. Quanto à Frida, passei mais de 1h rodeando o quadro, sentada ou de pé, vi como as pessoas assomam em hordas, olham de perto, fotografam (pode, desde que sem flash) e também fiz minha foto de tiete J. Além deste pavimento, o MALBA tem ainda uma parte superior com exposições que mudam, e eu peguei uma das principais fotografias de Mario Testino. Belas fotos, mas sinceramente, para quem já pegou Beatriz Milhases no andar de cima, achei fraco. No primeiro pavimento tem um café maravilhoso e um cinema. Além da lojinha e uma livraria, claro. O MALBA fica ainda numa região linda da cidade, arborizada e gostosa de caminhar. Vale perder uma tarde inteira (só abre 12h).
Pedi para duas brasileiras, mãe e filha, baterem minha foto :)

2 – Afternoon Tea do Hotel Alvear

Eu havia lido sobre isso neste blogue aqui, e imediatamente se tornou minha obsessão. Fiquei imaginando eu lá tomando um chá em loucinhas de fantasia e comendo docinhos incríveis, e reservei direto para o primeiro dia da viagem. Meu vôo atrasou a chegada e eu tive que faltar, então assim que retornei à Argentina, já no fim das férias, reservei de novo – fui no mesmo dia do MALBA. É necessário reservar antes pois alguns dias lota, mas não foi o caso no dia que fui, uma quinta-feira. Você contrata este serviço de chá que custa 280 pesos e recebe em sua mesa o chá (um bule), uma taça de champagne (escolhe se no início ou final), água e as guloseimas: scones quentinhos com lemon curd (incrível), geléia e dulce de leche, mini tortinhas, sanduichinhos salgados de salmão, presunto cru e não lembro do terceiro. Ao final, eles passam com um carrinho cheio de tortas para você escolher mais uma, que pode comer ali ou levar embora: de morango, lemon pie, uma com queijo mascarpone, de maçã, etc. Escolhi a de mascarpone para comer lá mesmo. As louças são impecavelmente lindas, parece aqueles filmes Disney em que os bules saem dançando, tem música ambiente, um atendimento super gentil e atencioso (em lugares muito chiques, às vezes os garçons são esnobes, mas não lá), e o chá que eu tomei era incrível: aromatizado com baunilha e laranja, sugestão do meu garçom, pois fiquei sem saber qual pedir. Tomei sem leite, mas a pessoa pode pedir com leite, ou optar por café. A versão com essa tacinha de champagne sai por 280 pesos argentinos, grosseiramente, uns 80 reais. Aceitam todos os cartões. 
Sinceramente, achei uma experiência interessante, o local era bonito, mas as comidas...eram mais bonitas que gostosas. Já comi doces mais apetitosos em locais mais simples. Também já paguei mais de 80 reais em cerveja com pastel por aí, então não estou arrependida ‘financeiramente’, porque gostei de experimentar, mas acho que não voltaria. Talvez iria apenas para beber o chá e comer os scones (existe o cardápio). Mas a quem nunca foi e gosta dessas coisinhas, recomendo experimentar se estiver podendo gastar nisso.
Detalhe da loucinha linda, minha sobremesa final, o espumante e o bule de prata

3 – Usina del Arte

Isso aqui é uma dica bem específica da amiga conhecedora do local, mas que talvez outras pessoas conheçam. Pra lá depois que acaba tudo em La Boca, na linha final do ônibus que tomamos, a gente caminhou uns 200m por baixo de um viaduto e chegamos nessa incrível usina desativada que hoje em dia funciona como espaço de atividades culturais. Dizem que um belo dia foram verificar algo num pavilhão lá e um engenheiro percebeu que ali naquele espaço havia a melhor condição acústica da cidade, melhor inclusive que o Teatro Colón. E então fizeram um auditório grande e super confortável, onde eu tive a oportunidade de assistir dois espetáculos gratuitamente: a Orquestra Nacional de Tango, e um sexteto com bailarinos também, sendo alguns do Japão. Lá eu descobri outro motivo para querer ir ao Japão: eles levam o tango super a sério e fazem torneios e parcerias com os argentinos direto, e dançavam super bem. Fora este espaço, tem ainda um café bem simpático, e um espaço que é muito legal e todo mundo adora, principalmente as crianças: há no chão a reprodução da fachada de um prédio, e um espelho em cima para a gente fazer fotos engraçadas como essa que eu tirei. No dia eu me dediquei pouco às poses porque era sábado e haviam muitas pessoas e crianças, estava meio concorrido, mas achei o máximo. Sempre tem programações lá, baratas ou de graça. Vejam o site.



Eu brincando no jogo de espelhos

4 – La Conga

Eu saí do Brazil com uma indicação de restaurante peruano que é delicioso em San Telmo, o Chan Chan. E quando comentei com meus amigos, eles disseram que é bom, mas que havia um outro, chamado La Conga, que é ainda melhor. Que o Chan Chan estava um pouco mais turístico, um pouco mais caro, um pouco menos bom (embora ainda bom) e menos tradicional. Foi assim que conheci um local incrivelmente lotado, cheio de famílias peruanas confraternizando num sábado à noite, comendo delícias que nem sei nomear. Meus amigos são peixe-vegetarianos, e por isso comemos um ceviche de frutos do mar e um peixe ao molho de não-lembro-mais. E papas a la huancaina, as batatas cozidas envoltas por este creme muito aromático, feito com uma pimenta mais suave, que deixa o sabor incrível. Bebi a chicha pela primeira vez, e achei meio doce demais, mas com um sabor gostoso de cravo e outras especiarias. Saí do restaurante regurgitando de tanto que comi e lembro que nossa conta divivida por 4 pessoas custou 100 pesos a cada um (menos de 35 reais). 

Foi difícil derrubar essa montanha de ceviche, mas a gente se esforçou :)




5 – Barrio Chino


Ivagina se a louca da Liberdade não ia querer conhecer essa relíquia? Peguei um ônibus em Palermo, fui até o ponto final, e duas quadras depois adentrei o portal de los chinos. O bairro em si não é tão bonitinho e arrumado para turistas que nem a Liberdade, nem tem tantas lojas de quinquilharias incríveis, mas tem muitos restaurantes chineses, muitos mercadinhos chineses, lojas de coisas encontráveis em qualquer camelô mas também lojas com aquelas blusas de seda incríveis, custando 120 pesos (40 reais), muitas barraquinhas para você comer espetinhos e bolinhos andando por lá, e foi lá que comi um pato laqueado que me fez pensar que havia morrido e chegado ao céu. Para quem é viciado em sushi, em culinária oriental, gosta de vê-los conversando e interagindo, é um prato cheio. E quem tem crianças para presentear vai arrumar muita coisinha bacana. Comprei um lote de chás gostosos e diferentes (mostrarei em fotos), um pote de kimchi (e me arrependi de ter trazido apenas um), bobagens de papelaria e ainda não esqueci a blusinha de seda – devo comprar uma assim que tiver oportunidade. 

Gente, isso foi só o que rolou de novidades. A nível de repetição eu ainda fiquei umas boas horas por San Telmo, numa manhã em dia de semana, perambulando pelos antiquários e exposições de antiguidades (e minha nova obsessão é comprar uma bijuteria antiga de lá, que não esqueci ainda dela). O amor que sinto por coisa velha não tem explicação, e lá é o lugar ideal para se encher os olhos. Andei bastante pelo Congreso Nacional, e a linda praça em torno dele, caminhamos muito entre amigos para ir comer e beber pelas ruas de calçadas largas, tomei muitos, mas muitos cafés, comi medialunas até estourar, comi empanadas, comi fugaceta (reconheço que é para os fortes, comer uma pizza cujo único recheio é cebola murcha na manteiga). Não fui nos entornos da Plaza de Mayo, não perdi um segundo de tempo na Calle Florida, não pisei num shopping (aliás o único que conheço é o Galerias Pacífico, mas há muitas viagens que não gasto meu tempo retornando lá), não fui em La Boca nem em El Caminito, e não fosse pegar a barca, não teria ido a Puerto Madero. Prioridades, eu tinha apenas 4 dias e precisava aproveitar ao máximo com as coisas novas e com as coisas prediletas. 
Café gracinha em San Telmo: olhem esse chãozinho, olhem esses móveis, olhem essa lousa. Não é para amar? 

Voltei de lá sentindo uma vontade incrível de voltar e passar uns 5 anos para ver se me canso, mas também ficou faltando passear no Rosedal (como o nome diz, um jardim apenas de rosas), o Planetário (até hoje nunca entrei para conhecer, só vejo de fora), assistir um espetáculo no Teatro Colón, visitar um centro cultural (existem dezenas em todos os bairros), conhecer o bairro dos bolivianos, a parte popular de Puerto Madero que minha amiga me contou que existe (onde rolam comidas de rua e música e danças na rua, nada parecido com aquele esquema de alto luxo das outras partes do porto), assistir um filme no cinema do Malba, ir a uma milonga contemplar a dança local (já relatei sobre isso aqui uma vez)... E tantas outras coisas. Também estou decidida a sair de Buenos Aires um pouquinho e ir de uma vez ver os flamingos, os pingüins e a paisagem louca da Patagônia, e urgente, antes que o desejo me sufoque.
Desculpem a efusividade, a parcialidade descarada, mas quando é amor é assim. Buenos Aires, queridos. 

2 comments:

Bah said...

Ai que delícia! E esse chá estilo londrino, hein? Adorei! Tá muito mais chique do que na Harrods que eu fui rss

Kisu!

PS: tá lindona na foto!

Luana said...

Primeira vez que vejo uma foto sua! =)

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