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Thursday, April 17, 2014

Neste desabafo contém: pouca reflexão e um palavrão no final.

Portanto, não adianta esperar razoabilidade e nem querer que eu pondere nada agora. Talvez mais tarde:

Se tem uma racinha que eu abomino nesse mundo de meu Deus é médico. Sério mesmo, não sei se é inerente à profissão, mas em pleno 2014 o prestígio profissional e a hierarquia toda em torno desta autoritária figura segue vigente. Vivencio isso como paciente, quando amargo nas salas de espera (independente de serem de saúde pública ou privada) o desrespeito deles atucharem uma agenda de gente que não conseguem atender no horário e, para fazer uma consulta que levaria meia hora, você precisa reservar meio período do seu dia. Isso tudo para talvez nem te olharem, para te mandarem embora com três receitas diferentes, despachando mesmo, como se não fosse um ser humano ali na frente, mas sim, mais um papel que é necessário carimbar. Daí que dentro de toda essa revolta, me revolto ainda mais com os psiquiatras com quem tenho o desprazer de trabalhar, mesmo que indiretamente, como AS. Porque não olhar na cara de uma pessoa que diz querer morrer, confidencia suas mazelas emocionais e mentais e mandá-la embora com um comprimido para depressão (e um mês depois dar outro para dormir, pois o estimulante tirou o sono) é ainda mais desrespeitoso que o clínico geral que não olha na sua cara quando você se queixa de alergia (ou não é?nem sei). 
Daí para culminar o processo absurdo, de uns tempos para cá as instituições de internação psiquiátrica colocaram a seguinte regra: ninguém está autorizado se tem vaga ou não no hospital, só o psiquiatra decide e vê se tem vaga. Fico eu, pendurada com um usuário precisando ser internado e sem saber se mando ele viajar para uma cidade ou outra atrás de consulta e vaga para internação, porque só o psiquiatra pode saber e/ou definir se tem vaga ou não. Seria bom se ele passasse por uma consulta fora da cidade dele, o psiquiatra percebesse que precisa internar e, ao ligar para o hospital, revelassem a ele o segredinho de que vaga só mês que vem, né? Afinal de contas, o segredo administrativo de se há ou não uma cama pro paciente deitar caso o psiquiatra diga que sim, é algo precioso e que precisa ser guardado.

Teu-cu.

4 comments:

Bah said...

Médico de convênio ganhando R$7/hora (em SP) não me espantaria eles querer despachar o povo o mais rápido possível.

Kisu!

Rosi said...

Médico ganha por hora menos que prostituta (de cais do porto, porque com prostituta de luxo nem se compara). além de trabalhar de 90 a 120 horas por semana para poder pagar o colégio dos filhos. A consulta do SUS= 2,20 R$. Mas tudo bem, médico é raça filha da puta.

catarse cotidiana said...

A comparação com uma prostituta é um pouco infeliz.
Mas a sistemática do ganho por hora faz com que eles atochem a agenda de pacientes, ainda que não consigam cumprir o horário como você descreveu.
Porque a lógica que rege tudo isso não é salvar vidas ou promover o bem estar.
Nós sabemos muito bem o que é!
Beijos

Cristiano said...

O doutor é valorizado porque ele trata algo mais importante para alguém. E isso justifica tudo.

Mas o problema que eu vejo que o porque da area da saude nao ser toda valorizada pela sociedade igualmente.

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