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Wednesday, April 30, 2014

De novo, sobre o frio

Há muitos e muitos anos que não compro uma calça. Todas as pessoas que conheço, ao menos 1x por ano, compram a sua calça jeans do dia a dia, que vão usar para trabalhar, estudar, o que for. Chamam de básica a combinação de jeans e camiseta, algo que invariavelmente todo mundo usa, pelo menos uma vez na semana.
Mas não eu.
Há muitos anos que, ao trabalhar num local em que deveria vestir jaleco sobre minhas roupas, adquiri em primeiro lugar o hábito de usar apenas o que eu tinha de pior em casa, com a proteção de meu jaleco. E com jeans, as roupas sempre ficavam meio emboladas, especialmente no frio. Daí que, metade da semana andava de legging com blusas velhas por baixo do jaleco, enquanto na outra metade, estudava na UFSC e usava meus milhares de vestidos com chinelinho.
Dali em diante (mais ou menos 2010), nunca mais me comprei uma calça ou fui usar. Aqui na repartição, uso minhas roupas, não uniforme, e é algo comum, básico. A maioria das pessoas usa calça jeans e uma camiseta ou blusa. 
Mas não eu.
Eu passo o ano inteiro de vestidos, seduzida definitivamente pela praticidade de peça única. Mesmo saia com blusa é algo que evito usar, porque prefiro enfiar uma roupa pelo pescoço de manhã cedo e sair porta afora. 
E no inverno, a maior parte dos dias, enfio uma meia calça grossa e um casaco por cima dos vestidos e fica tudo certo. Convencionou-se entre as pessoas que sou uma espécie de termômetro de quão frio faz: se eu usei calça, é porque a coisa ficou feia.
No entanto, esse ano o outono esfriou e eu fiquei... com frio. Tive pesadelos ontem, e adicionei mais uma coberta. Acordei novamente... com frio. Neste momento, de vestido de inverno, meia grossa e botas de camurça... estou com frio. Pensando que queria mais um casaquinho, mais uma meia. Talvez uma calça.
Da mesma forma que no calor não dava conta, mal é outono e eu estou passando frio. Parece que estou mais suscetível às oscilações de temperatura. E enquanto dois amigos cariocas que estão em minha casa relatam sentir que o frio está tranquilo, eu estou passando frio.
Ainda não sei se é caso de comprar uma calça, mas vou reforçar o casaco.

Tuesday, April 29, 2014

Alguém já teve pesadelo de frio?

Passei os minutos finais das minhas horas de sono sonhando que estava sendo perseguida pela polícia, aparentemente porque andei fumando maconha em algum logradouro público - e para meu desespero, ninguém sabia me orientar se eu estava piorando ou amenizando minha situação ao fugir deles. No meio do rolo ainda aparecia um ex pretendente que não me ajudava a fugir da polícia. Pensa que repousante foi dormir e sonhar com isso. Nada é mais gratificante que aquele momento em que você finalmente atinge a consciência de que é apenas um pesadelo.
Daí acordei e estava desconfortavelmente sentindo certo frio, apesar dos pijamas compridos, meias e o cobertorzinho que usava. Sei que o frio ainda está ameno, mas já me sinto desconfortável para dormir e acordar. 
Este vai ser um longo inverno - e eu vou puxar mais cobertas para a cama hoje.

Monday, April 28, 2014

Bolo funcional de cenoura


Meu bolo de cenoura com seus gominhos, lindo, lindo.
Então eu comprei pouco, pouquíssimo na última viagem, uma coisa que eu queria muito implementar e no fim deu certo mesmo. Para viajar de mochila com conforto, é necessário cuidar com o peso, e foi muito bom ver que não ultrapassei os 23kg permitidos. O que mais deu volume foram os alfajores para presentear. Como sempre, comprei coisas para usar depois, pois é assim que gosto de acumular suvenires: com coisas que entram em uso. E uma das primeiras coisas que comprei foram estas duas formas de silicone, uma de bolo inglês e outra de bolo com furo no meio. Eu tinha um sonho de fazer bolos lindos com gominhos, e andava já meio que procurando uma forma dessas. Também andava com essa idéia de ter formas de silicone para algumas receitas específicas, e achei na avenida 18 de Julio, lá em Montevideo, numa loja de utilidades culinárias. As duas me custaram cerca de R$35, e ao que me lembre de ter visto, custou mais barato do que costumo ver no Brasil.
As duas forminhas, ainda na loja
Ainda não estreei a azul, mas a vermelha usei para fazer uma das receitas recomendadas na minha dieta: bolo funcional de cenoura. Segue a receita.

MUFFIN: BOLO FUNCIONAL DE CENOURA
Ingredientes:
1 ½ xíc. de farinha de arroz ou farelo de aveia,
½ xíc. de amaranto em flocos,
2col. sopa de chia,
2 ovos + 2 claras,
½ xíc. de água ou leite vegetal,
2 cenouras médias,
3 col. sopa de stevia forno e fogão em pó ou outro adoçante (expliquei para a nutri que nem que me matasse comeria adoçante, e ela autorizou a trocar por açúcar mascavo – como o poder adoçante de 3 colheres de sopa de açúcar é menor, dobre para 6 colheres de açúcar mascavo)
½ xíc. de água fervente,
1 col. sopa de fermento.
Modo de preparo:
Misturar os ingredientes secos (menos o fermento) e reservar.

Bater no liquidificador as cenouras, 2 ovos e o leite. Incorporar essa massa na mistura seca. Colocar a água fervente e mexer bem. Bater as claras em neve e incorporar cuidadosamente a massa. Por ultimo coloque o fermento e mexa bem. Leve ao forno pré-aquecido por 25 minutos (por eu ter feito numa forma de bolo normal, e não em porçõezinhas de muffin, levou mais de 50min, fui testando com o palito).



Eu no pilates

Segundo minha avaliação física, sou uma tragédia ambulante em quesitos de condicionamento, alongamento, pressão arterial e sei lá mais o que. Faço uns exercícios que qualquer idoso ficaria impaciente, e embora não saia de lá dolorida, sempre saio meio com a 'lembrança' do que foi feito. Deus do céu.
No meio disso tudo, tento manter a concentração sem fixar demais nos instrutores gatinhos, todos dois, enquanto penso que adoraria pegar logo os dois e fazer folia naquele tatame. Deus-do-céu.

Friday, April 25, 2014

Objetos queridos comprados em viagem

Meu chá argentino e minha caneca linda
Desde que voltei de férias, tenho seguido firme num propósito de manter as coisas o mais organizadas possível. Ontem à noite, por exemplo, lá fui eu revisar as minhas contas do mês e colocá-las no local correto (uma pasta com 12 divisórias, uma para cada mês), e hoje o plano é me livrar de um gaveteiro cheio de cupins – para isso, vou ter que me livrar de boa parte do que está guardado lá dentro. Quando me dedico a essas tarefas é que vou descobrindo coisas que achei incríveis um dia, comprei e nunca mais lembrei delas. Nisso entram objetos de utilidades domésticas, ingredientes, artigos de decoração, livros e um longo etc.
Daí que semana passada, na noite de quinta-feira eu estava sozinha em casa revisando a limpeza e organização do quarto que não é de hóspedes, mas neste mês ficou sendo. E sobre o criado-mudo, ainda dentro da caixa, essa coisinha linda da foto, que eu comprei ano passado, em novembro, no bairro da Liberdade. Eu não só nunca mais havia mexido naquilo como havia esquecido como era minha caneca, e olhava pelo lado de fora uma estampa diferente da minha. Com isso desanimava, achava feia, e não abria – isso quando eu olhava, claro, porque muitas vezes eu nem a percebia no meio do caos. Daí que abri e me deparei com essa cena linda de encher os olhos pintada na minha caneca, o que já me deixa contente por si só, mas além disso o valor utilitário dela na minha vida é imenso. Ela tem aquele interior furadinho para poder colocar as ervas diretamente lá, depois é só tirar. E ainda vem com tampinha para abafar, gente. Como é útil e linda minha caneca chinesa!

Ao lado dela, um vidro de chá de especiarias que comprei na Argentina: cardamomo, anis, pimentas, cravo, aroma de baunilha e acho que canela. O chá parece um doce de tão aromático que é – praticamente uma sobremesa. Está quase no fim e eu preciso ver como comprar outro!

Thursday, April 24, 2014

Casapueblo - Punta Ballena

A única foto minha do post, rs, tirei de uma varanda lateral

Iniciei a escrever o relato da parte Punta del Este da viagem, que foi a mais curta, e já estou levando horas para isso. De modos que resolvi segmentar mais uma vez e falar do meu passeio predileto no Uruguai inteiro, que foi conhecer a linda Casa Pueblo. Se alguém fizesse a crueldade de me dizer que eu só poderia conhecer um lugar lá, certamente seria este. Evidentemente, motivos muito emocionais me fazem escolher desta forma, mas realmente para mim aquela casa é o símbolo do melhor do Uruguai: o pôr-do-sol impressionante, o silêncio e a poesia que parece existir pelo ar. 
Em primeiro lugar, quero lhes relembrar uma coisa muito gostosa da infância, que me remete a um período tão longínquo da vida que não tenho praticamente nenhuma outra lembrança. Acho que o primeiro jardim de infância ou o segundo que fui na vida ficava no centro da cidade e numa apresentação de final do ano, a gente apresentou uma coreografia da Aquarela. Eu acho incríveis as músicas de Toquinho e Vinícius 'para crianças', embora não sejam apenas para crianças. Sem mais tergiversações, quem nunca cantou a música abaixo?



E talvez já tenham escutado a versão em que Vinícius a termina cantando: mas era feita de pororó/era a casa de Vilaró. Tentei achar esse vídeo mas na corrida do horário de almoço em casa, faltou esse detalhe. Então que sem mais delongas, lhes relato que Carlos Paes Vilaró é um artista uruguaio daqueles multifacetados, que fez poesias, pinturas, esculturas e também fez a linda Casa Pueblo, toda construída a mão, e por isso mesmo, bastante irregular e incrivelmente bela. Eu já havia visto diversas fotos da casa, e tinha certeza que precisava ir, mas jamais estive preparada para conhecer uma pessoa tão especial. 

Aéreo da casa, que eu peguei da internet e não me recordo mais do site

'Conheci' através de sua obra, de sua casa, de suas pinturas e objetos, pois infelizmente Vilaró morreu algumas semanas antes de eu ir para lá, o que deixou el paisito inteiro de luto, além de vários amigos famosos mundo afora. Assisti alguns vídeos e entrevistas, li alguns de seus escritos e morri de vontade de comprar um livro seu, sobre uma tragédia que ocorreu anos atrás quando um de seus filhos desapareceu no Chile num acidente de avião (o rapaz foi reencontrado mais tarde) - mas era caro, caríssimo (para o que eu pretendia pagar). Gostei das pinturas, vi objetos muito engenhosos, mas me apaixonei perdidamente pela casa, e pela sua voz tranquila e meio zombeteira, que só pude ouvir gravada. 
Objetos interessantes e curiosos no interior, foto também da internet
Passear por Casapueblo leva bastante tempo pois a casa é grande, cheia de detalhes interessantes, e sempre muito cheia também. Ao final do dia, quando o sol se põe, todos os visitantes se posicionam para assistir o pôr-do-sol ouvindo um poema que Vilaró fez, uma saudação ao sol cheia de versos impressionantes e que mostram um pouco de sua personalidade incrível. No vídeo abaixo, vocês podem ver o poema e o pôr-do-sol, emocionante e que me fez chorar feito criancinha. E mesmo hoje ouvindo, quando chega no meu verso preferido, não consigo evitar (nadie ignora que perteneces a todos, pero que prefieres dar tu calor a los más necesitados, los que precisan de tu luz para iluminar sus casitas de chapa, los que reciben de tí la energía para afrontar el trabajo, los que piden a Dios que nunca les faltes, para enriquecer sus plantíos, y lograr sus cosechas. Es que vos, Sol, sos el pan dorado de la mesa de los pobres)



Bueno, se vocês não choram é porque não têm coração :P. Para terminar, alguns detalhes:
- a casa fica numa cidade próxima de Punta del Este, chamada Punta Ballena, e por isso muita gente opta por se hospedar na cidade mais turística. No entanto o deslocamento é ruim, poucos ônibus e ainda caminha um pedaço, então dividir táxi, alugar carro ou mesmo contratar citytour pode ser bom;
- o ingresso da casa custa 150 pesos uruguaios, mais ou menos R$20 a inteira;
- lá dentro tem café, livraria, lojinha que vende pinturas e reproduções lindas. Se curtir o artista, leve dinheiro;
- para assistir o pôr-do-sol, as pessoas vão se posicionando bem cedo nos melhores locais, então chegue mais cedo para ver toda a casa com calma e depois poder sentar num local interessante para ver. Isso se aguentar, eu fugi porque me doeu as vistas.

Eu e minhas novas atividades

No meio do caos de estar participando da eleição do sindicato de minha repartição, tenho conseguido arrumar um tempinho toda terça e toda quinta para minhas novas atividades: aulas de dança (na terça) e de pilates (na quinta). Ambos fazem parte de um lindo projeto segundo o qual chegarei aos 30 melhor do que cheguei aos 29 em termos de condicionamento físico, e também segundo o qual serei mais feliz e contente, menos estressada porque farei atividades físicas.
Com medo de ser coisa demais para uma pessoa que nunca fez nada nessa vida, tratei de pegar 1x na semana de cada coisa, e paguei três meses adiantado em ambas, para me comprometer (quem nunca, podem rir).
Há duas semanas tem funcionado, ainda não faltei em nenhuma aula. Em uma, me divirto enquanto não tem nenhum desafio (estamos fazendo bolero e salsa, as modalidades mais simples), e na outra, não há diversão, mas há uma sensação de bem-estar porque o ambiente é agradável, os instrutores bem atenciosos e as atividades leves (ao menos por enquanto).
Não sei dizer exatamente se me sinto mais disposta porque estou fazendo dieta, se porque estou dançando e praticando pilates, ou se porque vou indo à Analista. Talvez tudo isso. Só me falta conseguir arrumar 50minutinhos que seja, algumas vezes na semana, para dar uma caminhada.

Wednesday, April 23, 2014

O décimo dia

Estou há dez dias na dieta nova. Nesse ínterim, pude perceber que o glúten, os lácteos ou os dois me fazem sentir distensão abdominal constante, coisa que não aconteceu em nenhum momento da semana anterior. 
Também descobri, de forma surpreendente, o quão complicada deve ser a vida de uma pessoa com esse tipo de restrições quando precisa se alimentar e fazer lazer. Porque você encontra nos restaurantes a kilo os alimentos livres de lactose e gluten (embora a maioria os contenha, mas nós brasileiros podemos fazer nosso prato típico de feijão com arroz carne e salada de boa), mas se quiser, como eu, ir lá em Sambaqui comer uns petiscos, vai encontrar: pastel, frutos do mar à milanesa, peixe grelhado com pirão e por aí vai. Só farinha. E bar que só vai vender cerveja, nada de outras bebidas. E cerveja tem glúten. 
E foi assim que eu passei o feriado rigorosamente dentro das restrições, mas isso não significa que não devorei caipirinhas, espumantes, carne vermelha, tapas, e até um pouquinho de mousse de chocolate safada no domingo. E isso evidentemente me fez sentir mal: me fez sentir com barriga novamente estufada e mal estar. E moleza, ah a moleza. Porque eu notei que vinha me sentindo mais bem-disposta (embora tudo isso possa ser só a empolgação com as novidades). 
E achando que seis refeições ao dia eram muita coisa, e com medo de jantar (coisa que há meses não fazia), já achava que embora tivesse cortado algumas coisas de minha alimentação e isso me desse melhor bem-estar, eu provavelmente estava engordando nas quantidades de coisas. E então me pesei na quinta-feira, apenas 4 dias depois, e havia perdido mais de 1kg.
E então retomei mais animada do que nunca e sem me queixar. Me sinto satisfeita, bem-disposta e passando pouca privação. Mas tem dias que me bate um frenesi de querer tudo, como na mesma quinta-feira, em que fui ao mercado e quis absolutamente tudo que vi pela frente, inclusive de gôndolas que no geral nem me chamam a atenção. 
Desde que passei o feriado semelhante àquelas festas de árabes, que duram três dias e três noites, nunca mais me senti tão leve como vinha me sentindo. Acho que o corpo está ainda eliminando a força de álcool e carne vermelha do final de semana. Hehehe.

Tuesday, April 22, 2014

Da falta de loção que assola a humanidade

Tempos atrás, decepcionada e magoada com aquilo que considerei um solene ignorar de minha pessoa e minhas posições sobre determinado fato, passei cerca de 8 meses sem falar com tal pessoa, uma vez que havia na ocasião me dado ao trabalho de me colocar e nunca recebi retorno algum. Em não se tratando de um neurocirurgião infantil que salva vidas ininterruptamente há oito meses sem nunca mais ter aberto seus e-mails, considerei falta de importância o conteúdo de minha mensagem para a pessoa, e me rendi à minha desimportância.
Ciladas de internet fizeram com que nesse feriado a pessoa tivesse pensado que eu a havia chamado no facebook. Ao explicar que não, e que não só não havia chamado como estou há oito meses sem resposta do e-mail que mandei, recebi de volta uma visualizada há mais de 72h e nenhuma resposta.
Me deixou mais indignada que, quando achou que eu havia chamado, a pessoa veio toda serelepe conversar, como se não tivesse sido tão desrespeitosa oito meses atrás.
Retornar as mensagens enviadas: demonstra respeito, que percebe a existência do outro e suas necessidades ali externadas. E ainda que mamãe educou bem o bebê. Grata. 

Thursday, April 17, 2014

Neste desabafo contém: pouca reflexão e um palavrão no final.

Portanto, não adianta esperar razoabilidade e nem querer que eu pondere nada agora. Talvez mais tarde:

Se tem uma racinha que eu abomino nesse mundo de meu Deus é médico. Sério mesmo, não sei se é inerente à profissão, mas em pleno 2014 o prestígio profissional e a hierarquia toda em torno desta autoritária figura segue vigente. Vivencio isso como paciente, quando amargo nas salas de espera (independente de serem de saúde pública ou privada) o desrespeito deles atucharem uma agenda de gente que não conseguem atender no horário e, para fazer uma consulta que levaria meia hora, você precisa reservar meio período do seu dia. Isso tudo para talvez nem te olharem, para te mandarem embora com três receitas diferentes, despachando mesmo, como se não fosse um ser humano ali na frente, mas sim, mais um papel que é necessário carimbar. Daí que dentro de toda essa revolta, me revolto ainda mais com os psiquiatras com quem tenho o desprazer de trabalhar, mesmo que indiretamente, como AS. Porque não olhar na cara de uma pessoa que diz querer morrer, confidencia suas mazelas emocionais e mentais e mandá-la embora com um comprimido para depressão (e um mês depois dar outro para dormir, pois o estimulante tirou o sono) é ainda mais desrespeitoso que o clínico geral que não olha na sua cara quando você se queixa de alergia (ou não é?nem sei). 
Daí para culminar o processo absurdo, de uns tempos para cá as instituições de internação psiquiátrica colocaram a seguinte regra: ninguém está autorizado se tem vaga ou não no hospital, só o psiquiatra decide e vê se tem vaga. Fico eu, pendurada com um usuário precisando ser internado e sem saber se mando ele viajar para uma cidade ou outra atrás de consulta e vaga para internação, porque só o psiquiatra pode saber e/ou definir se tem vaga ou não. Seria bom se ele passasse por uma consulta fora da cidade dele, o psiquiatra percebesse que precisa internar e, ao ligar para o hospital, revelassem a ele o segredinho de que vaga só mês que vem, né? Afinal de contas, o segredo administrativo de se há ou não uma cama pro paciente deitar caso o psiquiatra diga que sim, é algo precioso e que precisa ser guardado.

Teu-cu.

Wednesday, April 16, 2014

Curiosidades do Uruguai

Um take da Plaza Cagancha, no centro de Montevideo
Andei por três cidades centralmente quando estive no Uruguai: Montevideo, Punta del Este e Colônia del Sacramento. Cada uma tem seu próprio jeitinho de ser, e suas peculiaridades, mas todas valem a pena conhecer. Fora todas as outras que não fui e fiquei com vontade. Quando escolhi o Uruguai para destino de férias, fiz porque queria economizar dinheiro, meio frustrada até. Mas lá percebi o quão vale a pena ir e passar um bom tempo por lá. El paisito é mesmo muito encantador. Curiosidades gerais uruguaias:
- o peso uruguaio tem uma casa decimal a mais que estamos acostumados, e a maneira mais fácil de transportar é simplesmente cortar o zero (60 pesos – 6 reais);
- no entanto, não estava na proporção de 10 – 1, mas sim, 1 real comprava apenas 87 pesos, o que necessitava na conversão tirar um zero e adicionar uns quebrados no rolo (60 pesos – mais ou menos 7,50 reais – inexato, mas era mais dinâmico);
- as empanadas uruguaias não chegam aos pés das empanadas argentinas. Bom demarcar porque, isso, as carnes, o tango, o doce de leite e muito mais, são coisas pelas quais os portenhos pelean, querem dizer quem inventou e quem faz o melhor;
- a especialidade local é doce de leite, massas e carnes, favor não inventar moda e querer comer frutas porque é frustração certa. As nossas são infinitas vezes melhores;
- o sol castiga a cabeça do cidadão a tarde toda. Ao contrário daqui onde vivo, em que as cidades são cheias de morros no entorno, lá aquela imensidão plana faz com que o sol seja uma bola de fogo que chega a cegar as vistas;
- o tal do chivito, o sanduíche com carne, queijo, alface, tomate e maionese... é não só parecido como igual ou pior que os nossos baurus;
- a propina é esperada, assim como no Brasil, mas nem sempre vem na conta, e você precisa se lembrar de deixar os 10% convencionados aqui e lá;
- este blogue aqui foi a minha maior fonte de pesquisas sobre tudo relacionado a esta viagem.

Vamos iniciar a contar como era o Uruguai!

Na repartição

Daí que, jogos de poder fizeram uma dança das cadeiras rolar aqui na minha repartição, infernalmente determinada por essas coisas. E uma das cadeiras que dançou foi da gerentona aqui do meu setor. Ela havia caído já na semana passada, e sexta-feira foi-se embora ao meio-dia sem grande estardalhaço. Disse que nem sabia ainda para onde ia, apenas que não chefiaria mais nada importante – como ela já foi gerentona muitos anos, ela ganha o salário de gerentona mesmo sem ser.
Daí que hoje chega no meu e-mail corporativo a notícia de que um povo aqui havia comprado uma lembrança para ela, e que caso alguém quisesse aderir à cota, era para avisar a secretária até as 12h, pois 13h30 iriam em comitiva lá entregar em seu novo setor. Juro que, rindo por dentro, pensei em dar uns R$2 na lembrancinha e considerei ir lá junto da comitiva apenas para sambar no cadáver dela, mas obviamente, nem meu precioso tempo e nem meus preciosos R$2 valem o sabor de fazer algo tão pequeno.
Minutos atrás, retorna a comitiva que lhe foi presentear: Lara Croft (subgerente), a secretária, a outra subgerente e uma chefe que ela protegia. Duas que ela protegeu no passado nem estavam na comitiva.

Neste caso, não dar R$2 e não ir assistir a decadência ao vivo, só ver notícias do mundo de lá me divertiu. Me fez lembrar do lindo filme Philomena, numa de suas falas mais lindas, em que ela diz para o jornalista olhar bem como trata as pessoas quando está subindo, pois pode encontrá-las novamente quando estiver descendo.

Quando a expectativa excede a realidade: Kimchi

Omelete funcional com kimchi por cima, e saladinha ao lado

Acho que de minha dileta audiência quem tem mais chance de apreciar e comentar este post é a Bah, que provavelmente conhece bem do que estou falando quando falo de kimchi. Escutem só minha história com ele e vejam só como eventualmente o mundo é bom para nós.
Eu ouvi falar de kimchi pela primeira vez neste post aqui, do mandatário em minha vida La Cucinetta, grande responsável por diversas obsessões que desenvolvi ao longo de meu percurso foodie. Quando li, impossibilitada de comprar o meu próprio kimchi, namorava a ideia de, assim que esfriasse, poder fazer eu mesma o meu kimchi, pois estava calor demais. E eu faria uma adaptação com páprica doce, que pela cor me parecia o mais correto, porque não me vislumbrava tendo acesso às pimentas coreanas.
Ocorre que em seguida de eu guardar essa pequena obsessão aqui comigo, tive uma viagem para São Paulo e fui obrigatoriamente na Liberdade e bater um papinho com meus amiguinhos chineses, a linda e tímida família que me atende sempre muito bem. E liguei uns dias antes contando que eu ia, e que queria comer kimchi. Então a velhinha me disse que tinha 'kimutchi' lá em vidro, mas que era japonês, e chegando lá, comprei e trouxe para casa. Usei como molho de pimenta, mas ainda não estava lá muito satisfeita; o rótulo me dizia em português que eu poderia colocar aquele molho todo numa conserva de acelgas, e eu guardava o vidro para o frio pensando nisso.
Meu primeiro kimchi, japonês

Eis que lá em Buenos Aires, futricando num mercadinho qualquer do barrio chino, encontro essa maravilha de vidrinho cheio de legumes dentro, por um valor de mais ou menos R$10. Comprei apenas um por causa do peso da mochila, mas não tinha chegado nem no ônibus ainda e já morria de arrependimento de não ter trazido no mínimo dois. Quando abri em casa, me deliciei: pimenta, alho e gengibre determinam o sabor das conservas que sim, mantêm-se crocantes, e fica tudo uma delícia com elas - mas bem salgado, reconheço.

E o meu lindo kimchi coreano, já mais ou menos pela metade
E ontem, tendo que fazer um omelete funcional para meu jantar, e tendo tido um bolo de uma amiga para um temaki no jantar, olhei o vidro de kimchi e resolvi que, já que não tinha tido temaki, pelo menos eu comeria algo com tempero oriental (eu acho omeletes muito sem graça, não importa o seu recheio). E mandei ver duas colheradas bem distribuídas de kimchi por cima do omelete, e ainda postei no instagram meio culpada que havia comido kimchi com o omelete. Sabia que não tinha glúten, lácteo nem cítrico ali, então, apenas estava comendo algo trash. Um deslize.
Mas eis que hoje, procurando na internet o valor energético do kimchi para poder lançar  no fatsecret (o aplicativo que eu uso para registrar peso, refeições e receitas), descubro que o kimchi é famoso por ser uma das coisas mais saudáveis que os orientais comem. Que uma colher de sopa tem 20cal. E que inclusive tem virado meio que modinha justamente por causa dessa variedade nutricional toda. E não é que ontem eu não fiz nada errado? E que podia ter comido kimchi de boa?
E vou comer muito mais daqui por diante: por cima dos omeletes quando forem seus dias, mas também com arroz, ovo frito e cebolinhas. E com torradinhas sem glúten. E como finalmente esfriou, estou paquerando a ideia de comprar acelgas, cenouras e preparar o meu próprio kimchi com o vidro de molho que comprei na Liberdade. E... lá vou eu revirar mercadinhos orientais atrás de conservas de kimchi com os legumes dentro.
Experimentem!

Tuesday, April 15, 2014

A maldição do coco-seco

Um dos lanchinhos que me foram prescritos nessa dieta nova é uma fatia de coco do tamanho da palma da mão, o que me deixou na dúvida se se tratava do verde ou do marrom. A nutricionista me respondeu que o marrom, e que ele era fantástico para modular ansiedade e saciedade. Além disso, ela também sugeriu em diversas refeições a água de coco como acompanhamento, e no domingo encontrei no Angeloni os coquinhos assim pequeninos e com barulho de água dentro. Achando mara a ideia de poder tomar água de coco sem ser encaixotada, trouxe um coquinho para casa animadíssima. Mal sabia eu.
Três unhas lascadas e minha melhor faca danificada depois, percebi que abrir um coco é coisa para profissionais. Tentei serrilhar as fibras, tentei ir forçando um furo com a ponta da faca, tentei martelar, e sinceramente não sei o que disso tudo resultou melhor. Bem no fim quando antevi a possibilidade de fazer um furo, enfiei o abridor de vinhos, torci, e quando retirei tirei um pedacinho minúsculo de polpa, finalmente visualizei o interior do coco. Escorri a água num copinho e aproveitando o furo, comecei a bater com a faca e consegui dividir a casca em dois 'tempos', sendo as fibras de fora um deles, e as de dentro sem os cabelinhos o outro. É muito duro a de fora, mas por dentro basta desenhar o corte com a faquinha que o coco vem para fora. Infelizmente, no entanto, o serviço que isso me dá me fez ver que terei de modular saciedade e ansiedade de outro jeito. Coco dos infernos.
Comprei quatro caixinhas de água de coco ontem, e hora dessas vou procurar no Hippo o coco fresco embalado a vácuo. Podem me julgar.

Monday, April 14, 2014

O desmame

Semana passada, na anamnese de quem sou eu para a nutri, ela me perguntou dos medicamentos que uso e mencionei que tomo Omeprazol diariamente em jejum há mais de dois anos. Ela abriu um olho de ovo frito e ficou chocada dizendo que isso jamais poderia ter acontecido, pois o Omeprazol vicia e, a cada vez que fico sem, o mal estar será pior, além de aos poucos eu talvez passar a aumentar a dose. Como tenho refluxo, e de fato quando fico sem eu pego fogo, eu raramente deixo acontecer esse fato. E quando acontece, eu fico mesmo mal.
Foi então que ela me disse que, com o passar dos meses, eu deveria discutir com meu médico o desmame deste medicamento, passando a alternar, tomar apenas de dois em dois dias e por aí vai, uma vez que estaria fazendo uma reeducação alimentar que possibilitaria isso.
Bom, fui-me embora cheia de informações e coisas em que pensar, e uma delas é que havia acabado a caixinha outra vez. E não comprei mais. E bem, ao contrário do que parecia, eu não peguei tanto fogo assim, embora haja um desconforto eventual no esôfago em alguns momentos do dia. E hoje fazem então sete dias que sobrevivo sem o Omeprazol, em pleno processo de desmame autônomo, sem acompanhamento médico - porque não tenho um médico gastro, e porque confiei que estava acostumando meu corpo excessivamente com algo talvez desnecessário.
Um comprimido a menos por dia me parece um ótimo negócio. Vamos ver como me sinto.

Wednesday, April 09, 2014

A indisposição

Então ao voltar das férias eu descubro que quando dá 17h eu me sinto pronta para morrer. E quando o despertador toca, 6h, eu começo a querer morrer também. Eu poderia dizer que é depressão pós férias, mas o fato é que a repartição me deixa louca. Um dos lugares mais tensos e desagradáveis onde já me meti nessa vida laborativa.
Sorte que neste momento conto com uma estagiária trololó que absorve parte das minhas atribuições mais miúdas, e me ajuda a desenrolá-las, e que capacitá-la e supervisioná-la me distrai da maior parte dos dissabores dessa repartição. Acabei de fazer uma excelente supervisão com ela.
De resto, é decepção o dia inteiro. Que fase.

A nova dieta

Então eu cheguei de férias toda motivada para me organizar e organizar o ano, e uma das coisas consistia em ir à nutri outra vez, para continuar a metade do caminho que me resta. Aproveitei para trocar de profissional, não porque não apreciava a anterior, mas porque eu vou ter uma assessoria vinculada ao local onde farei pilates. Achei que assim integraria tudo e teria programa alimentar voltado para as atividades programadas pelo local e assim estaria melhor assistida. Vamos ver.
A primeira consulta foi na segunda-feira, conversamos bastante, levei os exames que eu possuía, e empolgada com o fato de eu comer tapioca, já estar minimamente educada nos preceitos nutricionais desse mundo ocidental e não tenha chorado implorando por um Nescau, ela resolveu ousar. Por ousar diga-se que passarei o mês inteiro sem glúten, nem lácteos (lácteos sem lactose também caíram), sem cítricos, sem castanhas e oleaginosas, sem felicidade. Hehe.
Na verdade, de tudo o que mais me fará falta serão os cítricos, pois eu bebo limão espremido todos os dias, adoro laranjas e as tangerinas vêm aí. Mas vamos recolocar tudo de volta com o tempo, e aí poderei comer essas coisas. Ah, também estou fora de peito de peru e demais embutidos, trem que já sei de outros carnavais que não presta. 
Acho que o fato de eu comer tudo o que está no programa ajuda. Mentira, tem um muffin funcional feito com adoçante, e quanto a isso, pode me matar: eu não como adoçante. Mandei minha planilha para o mercadinho de orgânicos e, sendo eu a chata e detalhista, mandei uma lista com 13 perguntas que me surgiram após o recebimento do programa - que aliás, só chegou hoje e eu achei isso bem paia. Mas relevarei por ora, para ver quanto tempo levarei para receber o próximo. Sexta à noite pego minha cesta orgânica e colocarei as mãos à obra para fazer minhas receitas novas. Relatos pormenorizados na sequência.

Tuesday, April 08, 2014

Status das resoluções de Ano Novo

1 – SAÚDE. Isso representa aumentar minha imunidade, melhorar meus níveis de triglicerídeos e colesterol, ter mais disposição, flexibilidade, e talvez, em decorrência disso, baixar meu peso – durante o primeiro trimestre, nem sei como consegui não engordar, uma vez que primeiro o calor, depois a greve e por fim as férias foram uma sucessão de indisciplina na alimentação e nos exercícios. Comecei a reverter isso nesta semana agora, marcando nutri, médicos e iniciando as atividades físicas;

2 – TRABALHO. Quero sair daqui, e para isso preciso fazer outros concursos ou outros processos seletivos – declinei da chance de ser transferida para o interior de São Paulo, e pelos mesmos motivos acima, fiquei sem mexer nisso. Agora, preciso esperar o mês de maio para analisar uma grande mudança que sucederá em minha vida, que caso ocorra, vai afetar este item;

3 – ORGANIZAÇÃO. Maior controle e gestão do tempo, menos tarefas que chegam de surpresa, rotinas matinais e noturnas, além de rotinas para organizar o trabalho e as minhas outras tarefas – eu consegui fazer o que era preciso, mas de uma forma muito espontaneísta, sem planejamento, e algumas vezes, sem qualidade. É mais um dos itens que comecei a dar mais atenção agora;

4 – COMIDA. Quero comer radicalmente diferente, sem desperdício de dinheiro, de ingredientes caros (ou baratos), ficar satisfeita e de forma correta. Para isso, preciso planejar os menus, as compras, controlá-los, me organizar para não pedir comida e nem sair sozinha para comer em restaurantes (as duas maiores torneiras de dinheiro de meu orçamento) – isso é difícil de mensurar, porque passei dois meses comendo fora de casa, do jeito que deu. Estou esperando meu cardápio novo da nutri para poder planejar isso corretamente;

5 – VIAGENS. Voltar em alguns lugares amados, como Buenos Aires (está previsto para logo), conhecer alguns lugares novos (está previsto para logo, mas quero ir no mínimo duas vezes este ano viajar), conhecer o Inhotim, tirar meu visto americano – conheci melhor o Uruguai, voltei a Buenos Aires, voltei a São Paulo e a Parati. Vamos ver se consigo ir no Inhotim ainda na semana santa;

6 – NOVIDADES. Quero novos livros (2 ao mês está bom), novos filmes (12 ao mês está bom), novos lugares (item 5), novas experiências e novas pessoas – os livros funcionaram até agora, mas os filmes foram completamente abolidos nas férias, preciso retomar;

7 – CABEÇA NO LUGAR. Quero ser uma pessoa concentrada, focada, que respira e que medita direitinho, que reflete sobre o que diz e faz (e sobre o que não diz e não faz) – eu acho que de tudo é onde menos avancei, porque enquanto o mundo desabava sobre minha cabeça, nada na cabeça funcionava direito tampouco;

8 – FINANÇAS. Quitar todas as dívidas e poupar 3 meses de salário – terei 15 dias de salário descontados e isso certamente afetará minhas dívidas, junto com a franquia do carro que foi necessária logo em janeiro. Acho que nada está perdido, mas vai demorar um pouco mais;

9 – MINIMIZAR ou FRUGALIZAR? Outro dia li sobre a diferença entre um e outro, e sinceramente tenho dúvidas do que exatamente preciso mais. Acho que nesse momento o minimalismo me faria mais sentido, pois estou numa intensa troca de muitas quinquilharias por poucas coisas de genuíno valor. Quero ter comigo apenas coisas realmente boas, coisas amadas, coisas que valem o que custam – e quero saber quando essas coisas aparecerem – em janeiro e fevereiro fiz muitas revisões no armário, um processo rico e que me fez muito bem. Aos pouquinhos, também foi entrando umas coisas diferentes e de maior qualidade, especialmente as coisas que comprei nas férias;

10 – AS PESSOAS. Em primeiro lugar, é tempo de eliminar em definitivo gente chata, gente que não agrega nada, gente que opina sem ser consultada, que julga sem saber do que fala, e que essencialmente não me escuta, pois pensa me conhecer tão bem que não há nada sobre mim que não possa aprender. As que não sou obrigada, basta eliminar, as que sou obrigada, basta restringir ao mínimo obrigatório. Por minha vez, devo eliminar meus julgamentos e minhas conversas à toa, aprendendo a guardar minhas opiniões para quando forem solicitadas (quanto a isso, considero que já estou bem avançada – os julgamentos é que precisam diminuir muito).
Em segundo lugar, aproximar as pessoas que agregam, que não importunam, não julgam nem aborrecem com sua presença. Gente que não rouba nossa energia, gente que está lá quando solicitada e sabe quando é necessária, gente realmente disponível a uma troca benéfica. E obviamente, ser essa pessoa para as pessoas!  - com um mês de férias, fiquei um bom tempo sem pessoa nenhuma praticamente, algo que me fez perigosamente bem. Com essa minha ausência, consegui limar um pouco esse lance das pessoas, e na volta basta eu administrar.


Esse primeiro trimestre foi na minha opinião um dos mais atribulados e desorganizados que já vivi. Me sinto meio perdida, atordoada, e vai ver que é por isso que essa semana eu fiz questão de lotar a agenda e me apropriar novamente dos meus sisteminhas todos (estou criando uns novos também). Tenho tudo para fazer o segundo trimestre ser melhor. Oremos!

Monday, April 07, 2014

A Analista

Então na correria toda acabei me olvidando de contar como tem sido meus momentos edificantes com A Analista. Na verdade, fizemos apenas duas sessões antes de eu viajar, e hoje fizemos a terceira. Conversamos no primeiro dia sobre mim no geral, e no segundo dia contei da minha quase-mudança para São José e de todas as que fiz recentemente (nos últimos 4 anos foram cinco mudanças). Ela me deu uma tarefa de férias, que eu achei que não havia cumprido, mas hoje percebemos que na verdade eu consegui fazer várias análises importantes. Hoje falamos um pouco disso, mas mais de outras partes minhas e meus comportamentos. Sem tarefas para hoje. Saí com algumas novidades para refletir e resolvi fazer um ‘diário da terapia’, para eu não esquecer os pontos mais importantes do que conversamos e eu poder verificar minha evolução. A Analista usa umas roupas até normais, mas as bijuterias dela são uó. Hoje por sorte não havia nada para eu reparar nesse sentido. Ela ri quase o tempo todo, o que me faz pensar que estou sendo muito gente boa com ela, mas falando pouco de meus paranhos mentais. Hum. Vou perguntar a ela sobre isso semana que vem.

Friday, April 04, 2014

Checklist mensal - ele voltou!

Desde que iniciei o ano, estou querendo retomar alguns sistemas de organização que me ajudaram muito e que eu abandonei nos últimos meses. Um deles é o checklist mensal, bem importante para me deixar no controle de tudo que é necessário para a vida não desandar. Como este é o primeiro mês minimamente com rotina em minha vida (e mesmo assim uma loucura, porque estou concorrendo na eleição do sindicato da repartição e todos os dias tem reuniões, telefonemas, e-mails e gente dormindo na minha casa), está mais do que na hora de começar. Esta semana ainda foi de muita confusão, com meus hóspedes, tomando pé da campanha, com mais de 500 emails de trabalho para ler, mas eu estou me ambientando melhor já. Bem melhor. Lá vai:
- reiniciar as atividades físicas. As gratuitas (caminhar) e as pagas (vou dançar e fazer pilates);
- retomar a reeducação alimentar;
- reorganizar a minha mesa de trabalho e as gavetas do meu gabinete;
- levar na costureira todas as roupas que precisam de reparos;
- iniciar dois hábitos do ZTD: coletar e planejar;
- levar novamente à imobiliária os comprovantes de que paguei uma despesa que precisa de ressarcimento;
- separar uma nova leva de roupas para vender no brechó;
- terminar de ler os dois livros que emprestei da biblioteca da repartição;

- não sair para comer sozinha nem pedir comida pelo telefone.

Postagem longa e cheia de fotos: a parte Buenos Aires das férias

Estou tentando fortemente não fazer comparações, principalmente por ser algo que considero essencialmente injusto, além de recheado de subjetividades. Mas não posso negar que Buenos Aires me encanta, me surpreende, não interessa quantas vezes já fui, sempre preciso voltar. Fiquei muito feliz de ter podido fazer isso logo no início do ano, porque no ano passado foi impossível.
Nesse ano, ainda dei uma sorte de ter me hospedado na casa de uma amiga que mora lá há cinco anos e conhece como ninguém aqueles recantos que a gente nem sempre consegue acessar quando vai por conta. Apesar de que eu sou bem aventureira e investigadora, e fiz umas coisinhas sozinha. Este post é para contar aquilo que fiz de novidade dessa vez, e recomendar esses passeios.

1 – MALBA

Não foi minha primeira visita ao museu, mas certamente me ficará mais forte na memória desta vez. Fui porque meu amor e admiração pela Friduscha vem só aumentando ao longo dos anos e achava que já não era sem tempo de ir lá conferir aquele retrato de perto outra vez.

A entrada do MALBA custa 50 pesos argentinos, e tem desconto para estudantes e idosos – na conversão oficial, menos de R$20. No acervo fixo, o impressionante auto-retrato de Frida, o famoso Abaporu de Tarsila e uma obra de Diego, um retrato belo mas que não me tocou tanto quanto outras que já vi fotos. E mais um monte de outras obras incríveis, super legais, algumas meio interativas, com outros materiais, de ilusão de ótica, etc. Um quadro de Bottero lindo, em que todos choram na pintura, e me deixou com um nó na garganta. 
Falando em nó na garganta, eu já sabia que ficaria emocionada diante do quadro de Frida (e só de falar já me encho de lágrimas nos olhos – será sinal de que estou aprendendo a apreciar arte?), mas preciso dizer que quando adentrei a sala dessa pintura, o que me atordoou feito uma bofetada foi o Abaporu. Admiro muito Tarsila pelas suas posições políticas da época, pela linda história do movimento antropofágico, mas sinceramente não me comovo com as fotos de seus quadros, inclusive essa. Porém, ao vivo, é de uma força inexplicável, tem um magnetismo sobre a gente, me deixou arrepiada sem entender direito o porquê. Incrível obra. Quanto à Frida, passei mais de 1h rodeando o quadro, sentada ou de pé, vi como as pessoas assomam em hordas, olham de perto, fotografam (pode, desde que sem flash) e também fiz minha foto de tiete J. Além deste pavimento, o MALBA tem ainda uma parte superior com exposições que mudam, e eu peguei uma das principais fotografias de Mario Testino. Belas fotos, mas sinceramente, para quem já pegou Beatriz Milhases no andar de cima, achei fraco. No primeiro pavimento tem um café maravilhoso e um cinema. Além da lojinha e uma livraria, claro. O MALBA fica ainda numa região linda da cidade, arborizada e gostosa de caminhar. Vale perder uma tarde inteira (só abre 12h).
Pedi para duas brasileiras, mãe e filha, baterem minha foto :)

2 – Afternoon Tea do Hotel Alvear

Eu havia lido sobre isso neste blogue aqui, e imediatamente se tornou minha obsessão. Fiquei imaginando eu lá tomando um chá em loucinhas de fantasia e comendo docinhos incríveis, e reservei direto para o primeiro dia da viagem. Meu vôo atrasou a chegada e eu tive que faltar, então assim que retornei à Argentina, já no fim das férias, reservei de novo – fui no mesmo dia do MALBA. É necessário reservar antes pois alguns dias lota, mas não foi o caso no dia que fui, uma quinta-feira. Você contrata este serviço de chá que custa 280 pesos e recebe em sua mesa o chá (um bule), uma taça de champagne (escolhe se no início ou final), água e as guloseimas: scones quentinhos com lemon curd (incrível), geléia e dulce de leche, mini tortinhas, sanduichinhos salgados de salmão, presunto cru e não lembro do terceiro. Ao final, eles passam com um carrinho cheio de tortas para você escolher mais uma, que pode comer ali ou levar embora: de morango, lemon pie, uma com queijo mascarpone, de maçã, etc. Escolhi a de mascarpone para comer lá mesmo. As louças são impecavelmente lindas, parece aqueles filmes Disney em que os bules saem dançando, tem música ambiente, um atendimento super gentil e atencioso (em lugares muito chiques, às vezes os garçons são esnobes, mas não lá), e o chá que eu tomei era incrível: aromatizado com baunilha e laranja, sugestão do meu garçom, pois fiquei sem saber qual pedir. Tomei sem leite, mas a pessoa pode pedir com leite, ou optar por café. A versão com essa tacinha de champagne sai por 280 pesos argentinos, grosseiramente, uns 80 reais. Aceitam todos os cartões. 
Sinceramente, achei uma experiência interessante, o local era bonito, mas as comidas...eram mais bonitas que gostosas. Já comi doces mais apetitosos em locais mais simples. Também já paguei mais de 80 reais em cerveja com pastel por aí, então não estou arrependida ‘financeiramente’, porque gostei de experimentar, mas acho que não voltaria. Talvez iria apenas para beber o chá e comer os scones (existe o cardápio). Mas a quem nunca foi e gosta dessas coisinhas, recomendo experimentar se estiver podendo gastar nisso.
Detalhe da loucinha linda, minha sobremesa final, o espumante e o bule de prata

3 – Usina del Arte

Isso aqui é uma dica bem específica da amiga conhecedora do local, mas que talvez outras pessoas conheçam. Pra lá depois que acaba tudo em La Boca, na linha final do ônibus que tomamos, a gente caminhou uns 200m por baixo de um viaduto e chegamos nessa incrível usina desativada que hoje em dia funciona como espaço de atividades culturais. Dizem que um belo dia foram verificar algo num pavilhão lá e um engenheiro percebeu que ali naquele espaço havia a melhor condição acústica da cidade, melhor inclusive que o Teatro Colón. E então fizeram um auditório grande e super confortável, onde eu tive a oportunidade de assistir dois espetáculos gratuitamente: a Orquestra Nacional de Tango, e um sexteto com bailarinos também, sendo alguns do Japão. Lá eu descobri outro motivo para querer ir ao Japão: eles levam o tango super a sério e fazem torneios e parcerias com os argentinos direto, e dançavam super bem. Fora este espaço, tem ainda um café bem simpático, e um espaço que é muito legal e todo mundo adora, principalmente as crianças: há no chão a reprodução da fachada de um prédio, e um espelho em cima para a gente fazer fotos engraçadas como essa que eu tirei. No dia eu me dediquei pouco às poses porque era sábado e haviam muitas pessoas e crianças, estava meio concorrido, mas achei o máximo. Sempre tem programações lá, baratas ou de graça. Vejam o site.



Eu brincando no jogo de espelhos

4 – La Conga

Eu saí do Brazil com uma indicação de restaurante peruano que é delicioso em San Telmo, o Chan Chan. E quando comentei com meus amigos, eles disseram que é bom, mas que havia um outro, chamado La Conga, que é ainda melhor. Que o Chan Chan estava um pouco mais turístico, um pouco mais caro, um pouco menos bom (embora ainda bom) e menos tradicional. Foi assim que conheci um local incrivelmente lotado, cheio de famílias peruanas confraternizando num sábado à noite, comendo delícias que nem sei nomear. Meus amigos são peixe-vegetarianos, e por isso comemos um ceviche de frutos do mar e um peixe ao molho de não-lembro-mais. E papas a la huancaina, as batatas cozidas envoltas por este creme muito aromático, feito com uma pimenta mais suave, que deixa o sabor incrível. Bebi a chicha pela primeira vez, e achei meio doce demais, mas com um sabor gostoso de cravo e outras especiarias. Saí do restaurante regurgitando de tanto que comi e lembro que nossa conta divivida por 4 pessoas custou 100 pesos a cada um (menos de 35 reais). 

Foi difícil derrubar essa montanha de ceviche, mas a gente se esforçou :)




5 – Barrio Chino


Ivagina se a louca da Liberdade não ia querer conhecer essa relíquia? Peguei um ônibus em Palermo, fui até o ponto final, e duas quadras depois adentrei o portal de los chinos. O bairro em si não é tão bonitinho e arrumado para turistas que nem a Liberdade, nem tem tantas lojas de quinquilharias incríveis, mas tem muitos restaurantes chineses, muitos mercadinhos chineses, lojas de coisas encontráveis em qualquer camelô mas também lojas com aquelas blusas de seda incríveis, custando 120 pesos (40 reais), muitas barraquinhas para você comer espetinhos e bolinhos andando por lá, e foi lá que comi um pato laqueado que me fez pensar que havia morrido e chegado ao céu. Para quem é viciado em sushi, em culinária oriental, gosta de vê-los conversando e interagindo, é um prato cheio. E quem tem crianças para presentear vai arrumar muita coisinha bacana. Comprei um lote de chás gostosos e diferentes (mostrarei em fotos), um pote de kimchi (e me arrependi de ter trazido apenas um), bobagens de papelaria e ainda não esqueci a blusinha de seda – devo comprar uma assim que tiver oportunidade. 

Gente, isso foi só o que rolou de novidades. A nível de repetição eu ainda fiquei umas boas horas por San Telmo, numa manhã em dia de semana, perambulando pelos antiquários e exposições de antiguidades (e minha nova obsessão é comprar uma bijuteria antiga de lá, que não esqueci ainda dela). O amor que sinto por coisa velha não tem explicação, e lá é o lugar ideal para se encher os olhos. Andei bastante pelo Congreso Nacional, e a linda praça em torno dele, caminhamos muito entre amigos para ir comer e beber pelas ruas de calçadas largas, tomei muitos, mas muitos cafés, comi medialunas até estourar, comi empanadas, comi fugaceta (reconheço que é para os fortes, comer uma pizza cujo único recheio é cebola murcha na manteiga). Não fui nos entornos da Plaza de Mayo, não perdi um segundo de tempo na Calle Florida, não pisei num shopping (aliás o único que conheço é o Galerias Pacífico, mas há muitas viagens que não gasto meu tempo retornando lá), não fui em La Boca nem em El Caminito, e não fosse pegar a barca, não teria ido a Puerto Madero. Prioridades, eu tinha apenas 4 dias e precisava aproveitar ao máximo com as coisas novas e com as coisas prediletas. 
Café gracinha em San Telmo: olhem esse chãozinho, olhem esses móveis, olhem essa lousa. Não é para amar? 

Voltei de lá sentindo uma vontade incrível de voltar e passar uns 5 anos para ver se me canso, mas também ficou faltando passear no Rosedal (como o nome diz, um jardim apenas de rosas), o Planetário (até hoje nunca entrei para conhecer, só vejo de fora), assistir um espetáculo no Teatro Colón, visitar um centro cultural (existem dezenas em todos os bairros), conhecer o bairro dos bolivianos, a parte popular de Puerto Madero que minha amiga me contou que existe (onde rolam comidas de rua e música e danças na rua, nada parecido com aquele esquema de alto luxo das outras partes do porto), assistir um filme no cinema do Malba, ir a uma milonga contemplar a dança local (já relatei sobre isso aqui uma vez)... E tantas outras coisas. Também estou decidida a sair de Buenos Aires um pouquinho e ir de uma vez ver os flamingos, os pingüins e a paisagem louca da Patagônia, e urgente, antes que o desejo me sufoque.
Desculpem a efusividade, a parcialidade descarada, mas quando é amor é assim. Buenos Aires, queridos. 

Wednesday, April 02, 2014

Livro: O Grande Gatsby

Esta foi a minha leitura de férias: escolhi porque era pequeno para carregar, porque achei que não teria tempo para ler muito e porque talvez comprasse algum livro pelo caminho. Errei, porque dentro dos ônibus eu lia bastante, o livro me cativou e acabou rapidinho, logo no terceiro dia de viagem. Na ida, não passei pela parte do aeroporto que tem livraria, e no decorrer das livrarias uruguaias não encontrei livros que me interessassem com preço condizente com o que queria pagar. De modos que fiquei lá sem ler mais livros quando teria conseguido perfeitamente.
Apesar de curto, e simples, achei esse livro muito peculiar. A história vai transcorrendo sem você perceber que está avançando, parece estar sempre repetindo mais ou menos as mesmas cenas. E só muito perto do final você percebe o que de fato se desenrolou enquanto parecia que você apenas lia uma sucessão de descrições de episódios banais. A história tem uma parte moral bem forte, mas que vai ficar totalmente clara também somente no final. Achei incrível como uma história tão simples conseguiu passar uma crítica tão contundente à hipocrisia social da época, ao modo de vida tão comum e vendido como ideal pelo mundo afora. Há uma fala em específico que me marcou muito, em que o narrador da história diz que a sua prima, uma jovem rica que vive a vida em meio a pequenas distrações e ocasiões sociais tem uma voz muito marcante e cativante, e o seu marido bêbado responde que ela tem 'uma voz cheia de dinheiro'. E ali ele se dá conta que na verdade todo o encanto dela é fabricado pelo modo de vida burguês e cheio de privilégios e confortos, que a torna uma pessoa que exerce fascínio sobre as outras, leve, divertida. Gatsby em si eu achei um personagem tocante na sua ingenuidade, apesar de ter ido tão longe em alguns aspectos, guardar dentro de si sentimentos quase que puros em relação à sua vida privada. Acho que um leitor mais desatento pode achar a história até boba, pela simplicidade com que é desenvolvida, mas eu vi o livro cheio de camadas, cheio de reflexões por trás.

Também descobri que tem algumas versões de filmes, sendo a mais recente uma com Leonardo di Caprio no papel de Gatsby. Entrou para a listinha de filmes a serem assistidos. 



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