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Tuesday, April 09, 2013

O mito da incrível relação entre a oferta e a demanda

Em tempos de morte de Margaret Tatcher, de alta no preço do tomate e quetais, muita gente fala muita bobagem relacionada à suposta mão invisível do mercado, que deveria por si só regular o consumo, a economia, o emprego, o Universo e tudo mais - me admira que não regule a taxa de fertilidade dos países europeus.
Eu poderia fazer uma discussão mais séria sobre como isso de fato não funciona, sobre como o mercado, ao invés de nos oferecer mais produtos, tem nos restringido cada vez mais, dizendo que tal e tal autor falou disso e daquilo, e eu, sim, conheço o assunto, estudei nas disciplinas da graduação e em duas no mestrado, mas zzzz... isso é meu blogue, e não o artigo que estou devendo há um ano lá no Programa.
Mas sempre fico encafifada com esse lance das pessoas realmente acreditarem que a concorrência nos faz ter mais opções, faz com que os produtos melhorem, bem como os preços e tudo mais.
Porque vejam bem: embora eu não beba refrigerante, eu lembro muito bem de como as gôndolas de todos os mercados servem exatamente as mesmas marcas. E elas se dividem basicamente entre The Coca Cola Company e a outra da Pepsi, cujo nome ignoro. Porque são os melhores? Não mesmo! Aposto como Cristiano conhece (ou é uma das pessoas) que lembra do Mate Couro de antes de ser comprado pela Coca (usando um exemplo mineiro). Ou o Guarapan, também antes de ser comprado pela Coca e ter sua fórmula irremediavelmente distante da original.
Manezinhos que eventualmente leiam meu blogue sabem o quão uma Pureza é diferente do Guaraná Kuat. E os catarinenses em geral apreciam ou não uma Laranjinha Água da Serra?
Pois... Apreciemos enquanto há tempo, porque segundo a mão invisível, ou a Coca compra essas iguarias locais, ou elas vão simplesmente sumir, esmagadas por uma multinacional com mais estrutura, com mais verba para propaganda, com mais isenção de impostos, com mais um longo etc.
A concorrência criou verdadeiros oligopólios em todos os setores da economia, da indústria, e isso não tornou os consumidores mais livres, mais cheios de opções. Pelo contrário: em todos os supermercados do mundo que já fui (e vocês sabem que eu sou a louca dos supermercados), eu tinha Pantene, Seda ou Dove na gôndola dos xampus. Mesmo layout e tudo - às vezes muda o nome.
Daí as pessoas disseram assim: parem de comprar tomates que eles baixam o preço, seus burros!
Pensando assim, porque é que o mundo não anda cheio de Ferraris? Elas são caras. Poucas pessoas as compram. Demanda pouca. Oferta aumenta. Preço baixo. Todos podem! Sim? Não...
Exemplo bobo, Thais! A Ferrari é feita para ser de poucos, fetiche e tudo mais!
Então, porque é que existe uma demanda tão grande por moradia no Brasil, casas baratas que atendam ao poder de compra da população, e só se oferecem imóveis cujo valor em alguns bairros cariocas é equivalente a uma ilha grega? Ou então porque é que aqui no meu bairro fubazento de uma região metropolitana de Florianópolis, cujo status já se distancia em 19km da linda Ilha, o imóvel de 2 quartos e 1 banheiro custa pelo menos R$150mil? Demanda não falta. A oferta, no entanto, continua sem conseguir regular o preço do imóvel. E a fralda descartável, e o leite em pó? Não deveria, num universo de tantos bebês, ter baixado o preço há muitos anos? Ou será que lá na Suécia, país de poucos bebês, a fralda custa R$,030? Porque se for, virarei sacoleira de fralda (Pampers, óbvio, porque a Unilever é nossa amiga e vende no mínimo na Itália, onde observei). :)
Se o mundo da economia, da inflação, das crises de superprodução, do poder aquisitivo da população e das esferas de consumo se resumisse à lei de oferta e procura, ah, que maravilha viver.
Pena que há muito mais coisas entre a oferta e a demanda que julgam a nossa vã filosofia.

4 comments:

Cristiano said...

Ainda acredito que a abstração pode ser reduzida em Oferta x Demanda. O problema que manipulam a Oferta (matecouro comprado pela coca) e a demanda (criando-a)

Mas sou só um analista de sistema com blog que vai ler mais sobre esse assunto. Meu próximo livro vai ser a historia da MTV como ela conseguiu criar a demanda de jovens da década de 80 quererem ver vídeo clips.

Abraços!

:P

Valquíria Paula said...

Primeiro, quero dizer que não sou formada em Economia e nem estou fazendo mestrado na área, mas estudei um semestre sobre isso na faculdade de Direito e acho que os exemplos usados no seu post não foram muito felizes, principalmente os da fralda descartável e leite Ninho.

Ora, se há uma grande demanda destes produtos (por sermos um país com muitos bebês), é natural que a oferta diminua e, consequentemente os preços subam, por que deveriam baixar? Quando existirem poucos bebês no país mamando e fazendo cocô (desculpe a expressão), esses produtos sobrarão nas prateleiras e os preços cairão para conseguirem ser vendidos.

E o mesmo acontece com as casas, quanto maior a demanda por moradia, menor a oferta e, claro... maiores os preços. No dia em que todo brasileiro tiver sua "casinha própria", as imobiliárias e construtoras irão para a feira tentar vender um apê a preço de banana... um imóvel de 2 quartos e banheiro em um bairro fubazeiro não vai custar tanto.

Bem, a não ser que meu professor de Economia na faculdade tenha se equivocado muito, ou que a Lei da oferta e demanda tenha mudado de lá para cá... a minha opinião é essa.

É claro que opiniões são perfeitamente passíveis de mudança diante de bons argumentos, mas por enquanto continuo acreditando que, conforme eu disse no blog do Cristiano, a Lei da oferta e demanda não é apenas um mito, e sim o que rege não apenas o mercado, mas as áreas gerais das nossas vidas.

Agradeço por ter aberto este espaço para a exposição de opiniões e espero não ser levada a mal. Abraços e até a próxima.

http://palavrasdevalquiria.blogspot.com.br/

Bah said...

Nossa, comentando o comentário do Cristiano: Adoooroo MATECOURO! Delícia!

Concordo com a Valquíria. Pensando logisticamente, se não tem procura, o preço vai abaixar pq aquilo precisa ser vendido. Se tem pouco, a demanda "obriga" a empresa a fabricar mais para atender esta demanda e diminuir o preço consequentemente.

Kisu!

Fulana said...

O maior problema não é se a lei existe ou não: é dizer que ela é a única que define o preço das coisas e o acesso a elas!
O déficit habitacional é tão grande quanto a oferta de imóveis! Na Itália as fraldas custam caro como aqui, mesmo sendo um país de velhos!
Com exceção das banquinhas e dos pequenos comerciantes, ninguém mais é regido pela lei de oferta e procura, pelo contrário, isso é determinado com facilidade quando interessa!

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