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Monday, April 08, 2013

Leave me alone


Hoje, precisamente, Wal se foi. Ela passou num concurso em BH e se foi para sua nova vida. Wal, que testou minha curta e quase inexistente paciência até o limite com diversos relatos sobre fatos que eu não queria conhecer. Wal, que não lavava a louça, se lavava não secava, e gostava de apoiar os ingredientes do seu misto-quente sobre a louça lavada, me deixando insana logo de manhã. Wal, que um dia se atreveu a abrir uma gaveta do meu quarto, se apropriar de um cachecol meu e sair com ele, sem me pedir. Wal, que deixou minhas plantas morrerem enquanto eu passeava na Europa. Wal, que prometeu colar o cabo do meu liquificador recentemente quebrado (por ela) e não o fez. Wal, que derramou vinho duas vezes na mesma manta branquinha da sala. Wal, que ia em janeiro na imobiliária verificar se haviam reembolsos a recebermos – e não foi. Wal, que ouvia sertanejo universitário fazendo faxina em casa durante todas as malditas semanas desses 11 meses. Wal, que conseguiu irritar todos os meus amigos num único episódio, quando fomos para Buenos Aires.
Essa é a mesma Wal que também sempre pediu desculpas pelos erros que cometeu. E que foi ficando cada vez mais silenciosa, provavelmente intimidada por meu recolhimento ao quarto cada vez maior. E que cuidou de Billy enquanto eu viajava para diversos lugares, levando-o a passear e fazendo carinhos nele. Me buscou no aeroporto quando cheguei com malas em excesso da Europa. Ouviu Fera Ferida comigo durante aproximadamente 15 dias consecutivos, enquanto eu tentava curar meu coração. Entregava meus bilhetes com meu número de telefone a todos os garçons por quem eu me apaixonava (sou tão conectada no proletariado que só me interesso pelos garçons). Me concedeu bananas, fatias de pão de fôrma e de queijo prato diversas vezes, quando eu havia deixado de comprar. Atendeu o síndico no interfone todas as vezes, porque eu não suportava ele. Me convidou para caminhar na Beira Mar de São José, quando eu disse que queria mudar de vida – eu nunca fui.
Quando a gente divide a casa com uma pessoa, fatalmente, acaba por dividir a vida. Por menos que eu quisesse me abrir, me deixar dividir a vida, não pude escapar. Se vocês acham que Wal não é razoável, recomendo assistirem Friends e observarem como a Monica se comportava – um retrato bastante fiel de como eu costumo ser. Juntem isso com a Max, de 2 Broke Girls, e vocês vão ter a perfeita síntese da roomate que eu sou: obsessiva-compulsiva e mal-humorada. Wal suportou tudo isso de uma maneira estóica, e ainda quer ser minha amiga depois disso tudo (acho).
Eu por minha vez, suportei a Rachel misturada com Caroline e (acho) ainda quero ser sua amiga depois disso tudo.
Mas desde sexta-feira sinto um estranho espaço em casa – um espaço vazio de Wal, que agora é meu, e que ainda não tenho certeza de como vou fazer para preencher.

2 comments:

Bah said...

Wow, new roomate?

:)

Kisu!

Bah said...

*Faltou um M ;)

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