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Wednesday, March 20, 2013

Thais, uma pessoa que cala - só que não

Eu tenho uma característica muito específica minha em relação a meus conflitos com as pessoas: preciso falar sobre eles. Enquanto eu não digo para a pessoa envolvida que tal atitude, palavra ou acontecimento não apreciei, não consigo seguir em frente com a pessoa. Depois que eu falo, parece que tudo fica novamente equilibrado, que posso esquecer o assunto e recomeçar minha vida feliz e leve e com a pessoa ainda por ali. Em compensação, se não falo, aquilo vai envenenando qualquer sentimento bom que me possa passar por aquela pessoa, e não consigo lidar com a) o que a pessoa fez que me desagradou e b) com o fato de não ter assumido isso para a pessoa. É isso, sou dessas, me julguem - eu sempre mando recado que não gostei.
Então há um mês atrás eu tive um desentendimento com alguém que na minha opinião ultrapassou a fronteira entre cagar na latinha sem querer e conscientemente me sacanear, me causando prejuízos de diversas ordens, inclusive financeiros, e não me furtei de mandar avisar. Mandei avisar que a pessoa tinha sido sacana comigo, que havia cometido uma molecagem muito da desonesta e que era para ela aprender a ser gente, mais ou menos com essas palavras e mais umas tantas outras. A pessoa me deu razão, e tentou justificar tudo o que me fez por uma crise pessoal pela qual vinha passando, sem saber como lidar com uma série de emoções que me envolviam e que lhe causavam confusão. Achei desnecessário e pouco justo, mas segui com a vida esquecendo do assunto, porque afinal, havia dito o que me estava entalado na garganta e podia ficar quieta no meu canto outra vez.
Tal qual uma fênix, a pessoa ressurge serelepe e feliz, sambando na cara da sociedade com uma superação de crise digna de Maria do Bairro ou qualquer outro personagem de novela mexicana em que a mocinha pobre ressurge milionária e sofisticada, e que sempre desestabiliza o resto do elenco. Ao observar as evidências dessa superação, fica claro que a saída dada para essa crise envolvia um pouco de hipocrisia e exageros comigo, e que como eu profetizara há muito tempo atrás, muitas das coisas que tive que ouvir não eram exatamente sinceras.
Dá vontade de ir lá retomar o assunto e dizer que eu sempre soube que era tudo um grande equívoco.
Mas sabe, não farei. Estou tentando descobrir como é o mundo das pessoas que calam sobre determinados assuntos, pois entendem que é dispêndio de energia elaborar sobre eles. Vamos ver por quanto tempo o silêncio vai perdurar.
Algo me diz que isso é visceralmente contra a minha maneira de me relacionar. Existe um caso semelhante a esse em que eu estou calada há mais de 2 anos. E eu nunca consegui deixar de imaginar a nossa derradeira conversa em que eu finalmente vou acertar as minhas contas com a pessoa. É praticamente uma nova tag surgindo: os acertos de contas imaginários da Thais. Será que assim passa a vontade?
Como lidar, Brasil?

3 comments:

Ju said...

Eu sou como você. Mas, na maioria das vezes, me dou mal. Não sei se não consigo falar com "jeitinho" com a pessoa ou o que é, só sei que quando eu (finalmente) desabafo e, consequentemente, equilibro minha relação com a pessoa, a pessoa fica P da vida comigo e não quer mais se relacionar comigo :-/ Ou seja, ficou tudo bem só pra mim né?! Pq a pessoa não quer mais saber de mim... hahaha

Tô aprendendo a engolir (e digerir, que é o mais importante) os sapos pra não perder os "amigos". Pq, às vezes, eu gosto da pessoa, ela é gente boa, mas pisou na bola... agora, não parece ser o caso dessa sua amiga aí. :(

Neanderthal said...

Oi Fulana.
Então, eu também sou dessas, mas muitas vezes preciso me afastar para as coisas e acalmarem e só retomar quando tiver condições de falar sobre o assunto sem agredir a pessoa.
Se eu me calo por motivos alheios à minha vontade, é como estão nas suas palavras, eu sou tomada por um sentimento que me envenena e me torna completamente incapaz de me relacionar.
Já me peguei conjecturando sobre como seria a tal conversa derradeira, mas sempre termino me imaginando dando umas facadas e sendo presa. Então é melhor ficar na minha e seguir a vida sem alguém que não vale a pena.
No mais, quanta covardia né, pessoas que preferem dar desculpinhas ou terceirizar responsabilidades do que admitir que errou e pedir desculpas.
Minha irmã emprensou uma quantia rasoável a uma amiga que vive tendo crises quando conversa com ela, mas sempre temos notícias dela viajando por aí, comprando carro novo e afins. Isso é foda!
Boa sorte!

Nay said...

Você ainda tem coragem de mandar recado. Eu no auge da minha raiva, orgulho e afins nem isso consigo. Consegui apenas uma vez aos modos que Olivia disse: me afastei e depois de um certo tempo pensei que o afeto ainda era suficiente para um esclarecimento (afinal eu tambem havia errado em deixar o motivo do meu gelo e afastemtno ocultos enquanto a pessoa implorava por uma explicação e queria se desculpar). Mas na grande maioria das vezes nem brigo e nem conto que me chateei. Apenas vou sumindo pq não consigo ser mais a mesma. Sei que as pessoas não são perfeitas e nao podemos esperar isso de ninguem, mas pisada de bola feia em amizade pra valer eu não tolero MESMO!
Costumo dizer que as únicas pessoas com quem "brigo" e volto são: família (aqueles de casa) e o companheiro do momento (namorado/marido).

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