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Tuesday, March 19, 2013

O melhor e pior tipo de saudade que existe

É justamente aquele em que você lamenta e já começa a sentir saudades de todas as coisas que nunca tiveram nem chance de acontecer. De todos os risos, gracejos, histórias, lugares, afetos e desafetos que ficarão eternamente aprisionados no mundo dos que poderiam ter sido, mas jamais serão.
É o pior tipo de saudade que existe para quem não é exatamente uma pessoa desapegada dos seus devaneios. Não é fácil abrir mão de todos aqueles ideais que a pessoa cuidadosamente deposita na sua parte mais esperançosa e imaginativa que tem. E no momento em que se finalmente solta os dedos e sopra aquele punhado de belezas que estavam ali esperando para existir no mundo concreto sem nunca, jamais se concretizar, dá uma espécie de formigamento bem ali na nuca, e uma dor seca e sem fluidez entra em cada vão de consciência que o pobre desiludido tenha.
Ao mesmo tempo, é o melhor tipo de saudade que existe porque uma vez que não passava de um punhado de belezas fortemente agarradas pelos punhos já frouxos de quem abriu mão do devaneio tolo,  aos poucos se torna objeto de contemplação estética: a nossa tolice, a nossa tristeza desperdiçada com tolices, a nossa puerilidade e o gosto de juventude que vem junto.

3 comments:

Bah said...

Hmmm que saudade boa essa :)

Kisu!

Lari e Dé said...

eh a melhor saudade que se tem, porque nos devaneios, só existem coisas boas.

Neanderthal said...

Então, se lamentar do que só existiu na minha imaginação, nas minhas expectativas... Na minha interpretação não é saudade. Porque não podemos sentir saudades do que jamais tivemos.
Eu chamaria de expectativas frustradas.
Tomara que isso passe e novas pessoas, capazes de te criar novas expectativas e realizá-las cruse logo o seu caminho.
Beijos

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