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Tuesday, January 29, 2013

Santa


Em dezembro de 2000 eu fui pela primeira (e por enquanto, única) vez para Santa Maria, prestar um tipo de ENEM da época. Eu queria fazer Artes Cênicas. Ainda bem que não passei porque morando em Floripa eu já quase fui totalmente perdida para a fanfarronice, em Santa Maria eu estaria na vida até hoje.
Lembro da cidade bonitinha, e daquele calçadão enorme, onde tinham milhares de estudantes sentados, conversando, bebendo cerveja, bebendo mate. Lembro que fui com meus amigos comer uma pizza ali naquele entorno, do quanto a gente se divertiu, de como era grande o campus da UFSM comparado às outras universidades que conhecia. Lembro de ter pensado que eu seria muito feliz e me divertiria por ali!
Vinculei isso com a fala da menina que disse ontem no jornal (não sei mais qual) que a cidade havia morrido junto com os jovens asfixiados. E imagino que esteja bem assim mesmo. Santa Maria, a nossa Ouro Preto, tão cheia de gente feliz, tão cheia de gente jovem.
Me marcou em especial alguns lances:
  • a legista dizendo ao Fantástico que haviam mais 40 corpos, quer dizer, 40 pacientes em estado grave(como quem diz, 40 já estão condenados);
  • o fato de que pouco tempo atrás achei lindo uns fogos ao final da colação de grau de alguém, num local fechado;
  • tudo que eu não queria ser: o vocalista da banda, um dos donos da boate – porque não concebo que não estejam se torturando em culpa (e acho isso pouco, óbvio, e quero que sejam punidos os verdadeiros culpados).
Não tem novidade no que eu digo, só achei que precisava falar sobre isso. Aliás, eu falo disso desde ontem quase que ininterruptamente.

4 comments:

Lari e Dé said...

é muito, muito triste. Meu marido é de Sta Maria, tem família lá, e nós vamos seguido (tipo, todos os feriados).
Nunca tinha entrado na kiss, mas a gente SEMPRE passava na frente, e as vezes até ficávamos mateando em frente, porque a outra balada mais legal fica dentro do hipermercado BIG, e lá não tem vista pra rua, não dá pra ver o pessoal que entra e sai, então as vezes a gente ficava na frente da kiss mesmo.

Não tinha nenhum conhecido meu, mas morreu o vizinho da minha sogra (que era o cara da banda), mas eu nunca tinha visto ele... e UM MONTE de parentes de amigos. No facebook do André, que tem muitos amigos de lá é de doer...todos os amigos dele conhecem alguém, estudaram com alguém, são amigos do irmão de alguém, sabe?

O melhor amigo do André, que é professor, perdeu MAIS DE 20 ALUNOS!! Sem contar que ninguém divulgou a lista dos feridos, então não sabemos se tem mais conhecidos lá... MTO triste.

Tenho pena do dono da boate, mas principalmente do vocalista da banda.
Ele não é bandido, não é assassino, ele tava trabalhando, sabe. buscando novidades pra banda dele. É muito triste. E foi da mão dele que começou o incêndio. se ele não tivesse tido aquela ideia, por mais precária que fosse a estrutura da balada, nada disso teria acontecido.

Fico pensando nas pessoas que desistiram de ir um pouco antes, que ficam dizendo que foi Deus que as impediu de ir. Pode até ser... mas porque que Deus não impediu todos de irem então? O que aquele vocalista fez de tão grave pra merecer ser o carrasco desta tragédia? Porque Deus não fez com que ele tivesse uma dor de barriga?
triste demais...

Bah said...

Tô acompanhando a história por aqui e foi tudo BEM triste. Eu acredito numa força muito grande que todos chamam de Deus, mas também acredito que a história de cada um já está escrito mesmo antes de nascer. Por que tal pessoa foi num lugar se ela poderia estar em outro? Por que algumas escaparam e outras, mesmo tentando, não conseguiram? Há pessoas que cumpriram suas missões aqui e partiram. Se vc quer algo mais cético, a física explica que pelas ações do ser humano, há consequências, alguém botou fogo (mesmo sem querer), o lugar era fechado, abafado, tinha muita gente a probabilidade de morrer muitos era muito grande.

Isso é responsabilidade do dono da casa e também dos músicos e claro, do cara que soltou o alvará para a casa funcionar nessas condições. Tá vendo como fiscalização no Brasil é uma merda? Existe alguém que recolhe, mas nada é devolvido para a sociedade.

Espero que essas pessoas que sovreviveram e suas famílias encontrem paz para seguir adiante.

Kisu!

Look Day said...

Nossa é muito triste, eu estou longe, acompanhando apenas pelos sites nacionais, mas é realmente muito triste, fico imaginando essas famílias, nossa..

Beijos querida, ahh e comente mais vezes no Look Day, vou adorar.

Natália T. said...

Na UFSM prestei o vestibular, tradicional mesmo. Apesar que se não me engano, me lembro de ouvir que ela tinha uma espécie de vestibular seriado. Lembro que achei curioso porque não haviam duas fases e a única prova dissertativa era a redação. Mas nada tão diferente da UnB.

Lembro de pensar q o campus era muito afastado da cidade. E de achar menor que o da UnB.

O vestibular era no meio de janeiro de 2006 e eu peguei a cidade num calor de 39 graus. E a cidade ainda era cheia de morros. Então, no final das contas, sopesando as outras duas universidades onde eu havia passado, preferi não ir pra UFSM.

Apesar de não ter ido com a cara nem da cidade, nem da universidade, chorei quando ouvi a notícia. Só o fato de ter conhecido a cidade (e de poder ter sido uma aluna de lá) me fez me sentir muito próxima às vítimas e aos conhecidos das vítimas.

Não consigo imaginar a dor da cidade..

Mas odeio que falem ''corpos''. Mesmo que já estejam realmente mortos. Acho um desrespeito. Aquela tragédia toda e o noticiário dizendo ''estão levando os corpos em caminhões frigoríficos''. Sei que, depois de morta, pouco me importará o que fizerem com meu corpo.. mas me doeria muito ver um ente amado sendo chamado de ''corpo'' e sendo levado amontoado com outros tantos em um caminhão frigorífico...

Eita situação dolorida que aquele pessoal está passando. Nem consigo imaginar..

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