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Wednesday, January 16, 2013

Livro: É Tudo Tão Simples - Danuza Leão


Ontem me desfiz desse livro que havia comprado no ano passado, porque costumo achar Danuza Leão muito legal – gosto da imagem despreocupada de si mesma que ela passa, e de como apregoa ter se livrado de muitas coisas que a incomodavam. É disso que ela fala nesse livro, de simplificar a vida.
Infelizmente, não é meu tipo de livro, e talvez nem ela seja exatamente meu tipo de pessoa. Algumas passagens me deixaram especialmente incomodada, porque ela fala de coisas que a mim são caras, que para mim é princípio. Como já li o livro tem um tempo, não vou lembrar de nada muito certo. Mas ela reivindica o tempo antigo, mais feliz, em que as coisas eram mais exclusivas: que não haviam tantas filas nem tanta gente nos restaurantes, nos teatros, etc. Como muitas cariocas de algumas gerações atrás, é saudosista daquele Rio idealizado, calmo, que foi atropelado pelas 'modernidades'. Bom, sobre o Rio, talvez possamos ter acordo. Mas sobre o resto...
Embora eu me irrite com filas nos restaurantes, shows, cinemas e outros locais de lazer, eu jamais gostaria que voltassem a ser coisas exclusivas. Fico muito feliz com a popularização do lazer, da comida, das roupas bonitas... Isso não significa que eu concorde com políticas irresponsáveis de crédito, com o consumo irresponsável e nem acho que isso é o que define ou torna as pessoas mais felizes. Eu apenas fico feliz por mais pessoas poderem optar por comer um sanduíche na lanchonete, pedir uma pizza, comprarem um vestido lindo e tão parecido com o da celebridade lá. E com o fato de isso ser um privilégio (pois ainda não é um direito, e muita gente não pode fazer isso ainda, portanto, é um privilégio) um pouco menos excludente. Que mais famílias possam visitar o exterior, viajando de avião, que tenham o conforto de um carro para levar as crianças no médico ou fazer as compras do mês. Isso nunca deveria ter sido exclusivo. E ainda não deveria ser um privilégio.
Por isso, jamais vou sentir falta de uma época que já passou, em que mandar fazer um vestido, ter um carro, ir a um restaurante era um luxo inalcançável para tanta gente. E por mais que eu goste de ser bem tratada, de me sentir diferente com as roupas que eu uso, e de ter uma vaga fácil para estacionar, quando penso que isso não acontece mais tanto porque tem mais gente usufruindo disso, eu acho isso ótimo. Acho pouco, mas acho ótimo.
Eu e Danuza, portanto, temos um desacordo fundamental, que nos impede de habitarmos o mesmo quarto. E é por isso que seu livro ontem foi parar no sebo, no lugar do Pequeno Príncipe que agora é meu grande roomie.

6 comments:

Bah said...

O que eu acho legal de antigamente são alfaiates... Ter uma roupa customizada ainda é mais caro, mas mais legal do que vc ir numa gôndola de shopping e mandar arrumar numa costureira adaptando ao seu tamanho.

Mas concordo com vc, algumas coisas não devem ser exclusividade ou privilégio.

Kisu!

Inaie said...

Fulana, me deu um frio na espinha qdo vc citou"ela sente falta de quando as coisas eram mais exclusivas". Ela só sente falta disso por que ela era parte de uma minoria, que podia disfrutar dessas exclusividades. Com certeza, se ela manteve o padrão social, hoje ela tem acesso a outras coisas que são exclusivas a certas pessoas de poder aquisitivo mais alto.
Eu gostava dela, até ler um trechod e um livro onde ela conta que botou fogo num lixo do hotel, com bituca de cigarro e foi expulsa do hotel...
Ela pareceu aborrecida com o hotel,e ainda fez questão de dizer que quem é elegante, oferece cinzeiros para os fmantes e não os exclui ou trata como criminosos.
Ora faça- me o favor. Muito fumante não enxerga além do proprio umbigo, digo, do próprio cigarro. divagueeeei.... acho que a Danuza seria muito mais "elegante"se parasse de achar que é legal ser chaminé na casa dos outros, e se entendesse que todo mundo quer ter acesso as coisas elgais. Não só ela.

Gosto muito mais da Glorinha khalil, que diz que ser chic é se sentir bem, sem atrapalhar o outro!

Taís Moreira said...

Eu li uma entrevista dela e achei q ela está gagá. Um dia foi elegante, hj é só mais uma dessas velhas peruas deslumbradas e arrogantes, q acham q tdo mundo é inferior.

Lari e Dé said...

Não conheço muito ela pra palpitar, mas que bom que tá mais feliz com a nova aquisição.

No momento eu estou lendo o terceiro livro de "Guerra dos Tronos", e dois outros de Yoga que eu esqueci o nome.

E SÓ este ano, em alguns dias chuvosos na praia, eu li A arte da Guerra, "guerra dos tronos - 2" e "O hobbit"
e ainda tenho "a vida de pi" no kindle que nem comecei a ler.

Neanderthal said...

Oi Fulana, eu tenho esse livro e adoro ler tudo o que a minha amiga Danuza escreve! Acho a biografia dela "Quase tudo" muito interessante...
Muitas vezes fico lendo e achando interessante o que essas essoas consideram uma vida simples em um país de pobretões como o Brasil. A vida simples dela é morando em Ipanema, usando roupas caras e indo pelo menos uma vez por ano para paris. A vida simples dela é se hospedando sempre em hotéis porque ela nao gosta de ficar na casa dos outros.
E aquelas listinhas tão básicas que ela recomenda?
A verdade é que o que ela chama de vida simples é por não ser capaz de assumir que não tem mais condições de ostentar e levar a mesma vida de luxo e glamour de antigamente.
É legal de se ler e ficar se perguntando de que planeta ela veio! Tenho todos os livros dela!

Cambaxirra said...

Assino embaixo de tudo o que você falou! E inclusive acho que, ao falar de coisas "exclusivas", ela se mostra extremamente arrogante e elitista, como se popularizando os privilégios eles perdessem o seu valor. É uma pena que ainda existam pessoas que pensem assim, mas né, deixa ela lá no sebo, hehehe

;)

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