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Sunday, September 30, 2012

Eu cheguei em casa

Encontrei o sul da ilha congestionado na saída do jogo do Avaí;
paguei caro por uma pizza ruim;
meu carro depois de 5 semanas não ligou;
tinha reunião às 9h30 de domingo, mas eu faltei por causa do carro;
as plantas quase morreram na mão da Wal;
roupa suja no cesto;
armário abarrotado;
muco e dor de garganta às 4h da manhã;
nada pra comer na geladeira.

Mas eu estou decidida a não me abalar. Então estou no aguardo do conserto da bateria do carro para amanhã de manhã, já montei o cardápio da dieta que não inclui pizza, remarquei a reunião, conversei com as plantas e expliquei que isso não vai mais acontecer, lavei as roupas brancas e azuis, destralhei o armário, tomei um chazinho e preparei um kit para a madrugada com água e lencinhos, e comprei víveres suficientes para a dieta.
Passei o dia inteiro arrumando o quarto, que ainda precisa de detalhes finais, mas temos grandes planos para amanhã. Dia inteirinho listado para não esquecer de nada. E novidades.

Saturday, September 29, 2012

Já entrando no espírito

Então as férias acabam amanhã. Suspiro.
Eu fiquei 5 semanas afastada do trabalho (a despeito de minha chefe inconveniente que me mandou e-mails de forma ininterrupta durante todo o período, os quais passei a ignorar solenemente há 10 dias), e quase todo esse tempo fora de casa. Um dia depois das férias iniciadas, desembarquei em São Paulo para uma maratona de São José dos Campos com São Paulo com Parati com Trindade com Europa (e diversos países) com São Paulo com São José dos Campos com Belo Horizonte e finalmente São José dos Campos outra vez.
Embarco pra casa hoje à tarde. Nesses últimos dias com o frio desumano que fazia (e eu sem nada na mala), fiquei muito apropriadamente enrodilhada nas cobertas, saindo muito pouco delas, dormindo, lendo, escrevendo e fazendo nada. Coisa muito apropriada para o período de férias. Descansei de tudo que um dia pode ter me cansado nessa vida.
Foi excelente. Desse frio, levo um pouco de garganta arranhada e de muco, e um ressecamento esquisito nas mãos. Quase rachando. Mas não há de ser nada; já iniciei as listas frenéticas e não vejo a hora de colocar a vida pra funcionar. Deixo no mínimo metade da mala para trás, na falta de disposição em pagar o excesso. Uma cafeteira Bialetti linda e eficiente, ainda que sem o leite de qualidade italiana, mas... É o que tem pra hoje. Finanças ligeiramente curvadas depois da viagem, mas ainda dentro do previsto.

Thursday, September 27, 2012

Vamos lá, falar de pechinchas europeias?

A minha mala continua se estendendo pelo chão do quarto alheio cheio de objetos. Vão levar dias, semanas talvez até que eu recorde de tudo o que trouxe. É muita coisa. Eu comprei, como de costume, quinquilharias suficientes para exterminar com todo o meu dinheiro e fazer pouca diferença no geral da minha vida. Mas eu sou assim, uma pessoa de ninharias. E adoro experimentar besteirinhas de outros lugares. A maioria dessas coisas vieram do supermercado. Tem muito mais, mas hoje quando encontrei a sacola dos cosméticos e como agora já não preciso mais me preocupar se a bateria vai durar o suficiente, empilhei as coisas que comprei para mostrar. Eu adoro aqueles blogues que testam e demonstram os produtos, me pouparam já de várias compras, sabe? Algumas das coisas que comprei aí eu ainda não vi na blogosfera, se alguém se interessar posso relatar como me saí com eles. Por ora, bora mostrar?

Da esquerda para a direita: esses quatro produtos da marca Syoss são parte de um kit para viagem. Xampu, condicionador, spray de volume e de brilho, tudo em tamanho minúsculo. Paguei 4 euros nesse kit, e achei o máximo, porque eu vivo viajando a trabalho e sempre procuro por coisas que me facilitem a mala.
Esmaltes: os dois vidrinhos iguais transparentes são um produto muito legal que minha manicure eslovaca/brasileira usou comigo: é uma solução branqueadora de unhas, que você passa por baixo do esmalte. Eu nunca estou sem esmalte, então as unhas amarelam mesmo. Com frequência. Usei uma vezinha só e já ficou mais branquinha! Comprei logo dois vidros (3 euros cada) para durar bastante. Ao lado, um vidrinho em promoção na Slovakia, custou 1 euro. Depois me lembrei que já tenho uma cor praticamente igual, mas é difícil não repetir quando se passa do octagésimo né? Talvez eu dê de presente. Ao lado, a primeira compra foi na Itália, na Kiko (loja de cosméticos que tem em tudo que é lugar). Os esmaltes lá custam na faixa de 3 euros, e quando faço a conversão resolvo não trazer. Esse aí custava 2, e como eu temi não levar nenhuma novidade pro Brasil, comprei. Ele faz reflexos furta-cor, mas não é meu estilo, clarinho demais. Vai ser presente.
O preferido da viagem é esse vermelho, da Rimmel London, por um motivo muito específico: ele seca em 60 segundos! Estou usando no momento, achei lindo, cotidiano, cobriu bem numa camada só, enfim, um achadinho para os dias em que preciso ser básica. Por que sim - para mim, ser básica é usar um vermelho.
O último foi a única real novidade esmaltística que encontrei, já nem lembro onde (mas provavelmente na Slovakia): um vinho com esses brilhos meio hexagonais, pelo que acompanho de moda ele meio que já saiu de moda de esmalte, mas achei ele chique e divertido. Ainda não testei.
Abaixo dos esmaltes: algodões em discos quadrados bem grandões, para remover maquiagem mais adequadamente! 2 euros na Slovakia.
Jogo de ampolas Gliss Kur da Schwarszkopf: foi uns 4 euros, resolvi provar porque no Brasil trata-se de uma marca caríssima, e lá é bem popular. Não sei se com a mesma qualidade (pode ser que tenha linha popular e linha premium), mas na dúvida quis provar.
Da mesma marca, o frasco lilás ao lado, uma espécie de leave-in, só que líquido. Algumas marcas usam isso aqui no Brasil, e eu particularmente não curto, mas aqui em São José na falta de creme estou usando e ele até que ajuda a desembaraçar um pouco. E tem cheirinho gostoso. Pula o Nívea (já falo dele) e vamos vencer esses produtinhos: óleo para recompor o cabelo, teria óleo de argan e outras coisas. Achei fraco e meio fétido, e foi o mais caro! Custou uns 7 euros, comprei achando que era bom investimento, mas é um óleo como outro qualquer. A máscara tenho usado como condicionador e ainda não deixei agir nos cabelos, então não posso fazer uma avaliação precisa. Custou 4 euros e tem uma consistência bem firme, como me parece que as boas máscaras devem ser.
Voltando ao Nívea para finalizar, é um tônico energizante que usa após a higienização, mas não é daqueles adstringentes. Achei bem interessante a textura e também custou 4 euros.
Eu para não pirar demais sempre arredondava 1 euro para 3 reais na minha conversão, assim trabalhava sempre com o pior cenário e sobrava uns miúdos. Mesmo considerando isso, vários produtos são infinitamente mais baratos que no Brasil, o tônico da Nívea serve bem a esse exemplo, se se considerar quanto essa marca custa nos supermercados daqui. As ampolas (que eu compro muito, para quando viajo e não quero ocupar muito espaço na mala) mesmo sem considerar a marca saíram mais baratas lá que as Elseve daqui, as máscaras, idem...
Com exceção dos esmaltes que aqui são muito mais baratos, todo o resto é baratíssimo. Tem muito mais pechinchas pra mostrar, mas ainda não achei.
Vocês se interessam por isso? E por saber a qualidade dos produtos?

Wednesday, September 26, 2012

Férias...

Me prometeram um verão causticante na Europa, um calor intenso em BH e idem em São José. Estou enrolada no edredom utilizando a minha única calça com aquele moletom que por sorte eu adquiri na viagem, e me perguntando como pode? Fui bisbilhotar a previsão do tempo e não é nada boa: espero que a "tendência" mude, pois ela promete chuva de segunda à sexta em Floripa na semana que vem.
Apesar de tudo isso, eu continuo de férias, e faço essa postagem do alto de meu colchão, do qual não pretendo me retirar para n-a-d-a.
Isso é que é cabeça fresca!

Tuesday, September 25, 2012

Alguma coisa acontece no meu coração...(atenção: postagem altamente pessoal e subjetiva)

Não na famosa esquina, mas quando estou em BH. Quando morei lá, em 2009, tive muitas dificuldades de adaptação e problemas pessoais, e na falta de maturidade e coragem de enfrentar a real situação, comecei a dizer por aí que não gostava da cidade. É verdade que BH não tem 42 praias como Floripa e que temos diferentes maneiras de viver. Mas não é verdade que a cidade não tem valor.
Anos depois de ter saído de lá, fui refinando a lista de pessoas com quem mantive comunicação, e ao longo desse tempo algumas amizades ficaram mais fortes. Algumas inclusive são das mais importantes. E foi por essas pessoas que eu voltei lá nessas férias - e porque enfim, eu senti saudade de BH.
Cheguei lá sábado à noite, e vivi poucos dias fazendo exatamente as mesmas coisas que eu fazia quando morava lá - só as coisas que eu mais gostava de fazer.
Sábado ficamos em casa conversando, bebendo e matando as saudades. Mal trocamos duas ideias e já eram 5h20 da manhã, como pode Brasil? rs
Foi uma noite para atualizar as últimas de todos e passar a limpo as pessoas de quem a gente não gosta muito. :) Apesar disso, levantamos 8h no domingo, porque eu queria aproveitar a feira hippie, coisa que fazia todos os domingos na hora do almoço. Tomamos café juntos, conversando, e saímos já às 11h para pegar o 9502 - isso sim é fazer o que eu fazia sempre! (eu morava no São Francisco e usava o 9502 para ir ao centro, sempre).
Descemos na rua da Bahia como sempre, e fomos subindo até chegar na primeira entrada do parque municipal. Eu tenho 5 lugares em BH que não posso deixar de ir todas as vezes que vou lá: o parque municipal, o mercado central, o chinês da Afonso Pena com Amazonas, a feira hippie e o Maletta. O resto pode acontecer ou não, mas esses lugares são sagrados. E então, como tantos domingos da minha vida, eu entrei no parque municipal e fui andando por dentro até chegar ali na feira, por dentro do parque. Acho aquele parque o mais lindo de todos os parques brasileiros que conheço, cheio de jardins e com aquele laguinho. Cansava de estender uma canga na grama para simplesmente observar as pessoas, durante horas a fio, diversas tardes por semana. E quando entrei outra vez ali, eu sorri feliz como nunca havia sido de reencontrá-lo.
Percorremos a feira até o final, sem comprar nada, porque estávamos a) sem dinheiro vivo e b) achando as coisas lá meio caras, aliás como sempre. Fomos nos atualizar dos badulaques da feira e estimular nosso senso fashion (e meu Deus, como um amigo gay faz isso bem pela gente, né?). No final, como todos os domingos, fomos ao Carrefour comprar algo para o almoço, mas estava absolutamente lotado e vazio de víveres, como num pós-guerra. Andamos até o Shopping Cidade para comprar no outro Carrefour, menos lotado e menos vazio de víveres, mas ainda assim meio xexelento, com pisos quebrados, preços caros e poucas variedades. Apesar disso, conseguimos o que queríamos e voltamos para casa com a saladinha e a sobremesa de nosso almoço, um franguinho com batatas e arroz. Para encurtar a conversa (que lá foi longa, como é bom colocar a conversa em dia, né?), à noite fomos para o Orlando's em Santa Teresa, tomar uma cerveja e esperar acabar o domingo. Fazia um frio desumano e um vento fustigante, o banquinho da praça estava gelado e o cheirinho de pizza daquela pizzaria carésima nos tentava. Depois de mais horas, cervejas, frio, conversas e pessoas, fomos para casa outra vez, jantar pizza. E conversar no escuro antes de dormir.
Na manhã seguinte, o último café demorado e conversando juntos, e cada um seguiu seu rumo: entrevista de emprego, lição de casa do caçula, aula na UFMG, assembleia da greve e trabalho.
E eu fui fazer algo que gostava muito de fazer também quando morava lá: fui para o centro, sozinha, andar pelas ruas da cidade. Subi pela Bahia até a Augusto de Lima, e fui descendo até o Mercado Central. Perambulei pelos boxes e comprei as coisas que só encontraria lá como eu gosto: doce de leite na palha, farinha amarela, goiabada cascão e azeitonas kalamata. No passado eu compraria meus queijos sempre lá, para os sanduíches, mas eu tenho uma mala internacional para carregar em 4 dias. Sem queijos, então. Subi vagarosamente outra vez e finalmente entrei no Maletta, chafurdando pelos sebos e passeando, sentindo o cheiro (que me repugnava no passado, mas hoje associo à identidade do centro de BH) característico de lá. Comi empadas ali do lado de fora, as mesmas: frango com azeitonas e carne seca. Desci até o chinês, e não quis almoçar lá por causa das empadas. Então voltei mais uma vez para casa, de ônibus, e arrumei a mochila. Fui até a UFMG. Quando passei na frente da FAE, me deu um comichão de subir, e cumprimentar os (talvez) mesmos atendentes da lanchonete que conversavam comigo no intervalo, passear até a biblioteca onde os miquinhos gostavam de pular olhando o jardim ali fora e sentindo o corredor por onde eu andava até chegar na sala da minha bolsa de pesquisa. Mas a mochila, pesada, não me permitia tamanhas aventuras, e caminhei até a FAFICH onde ia encontrar pela última vez o último amigo. Tomamos uma cerveja no Cabral, ali do outro lado da Antônio Carlos, porque quem foi da UFMG sabe né? Quem nunca?
Dali eu tomei um táxi até o aeroporto da Pampulha e, num golpe de sorte, tinha um taxista levando pessoas para Confins pelo preço do ônibus da Unir. Fui pela janela olhando tudo com muito cuidado, para não esquecer nunca.
E hoje, já em São José dos Campos, chego a ficar emocionada com os dias felizes que passei ali. Pena que foi tão rápido. E que demore tanto para ir de novo.
Porque eu amei!

Saturday, September 22, 2012

Confesso

Meu orientador me mandou um e-mail já na quarta, que eu ainda não abri, e fiz o mesmo com os e-mails da minha chefe. Eu tenho esse costume: quando acho que lá vou encontrar cobranças, más notícias e coisas assim, fecho os olhos, evito de enxergar. É ou não é boba essa menina?
O pior é quando fico dias sem abrir o extrato da minha conta-corrente, com medo do que vou descobrir. Bem, essa mania, pelo menos, andei maneirando agora que tomei pé das minhas finanças. Mas ser Thais é complicado, viu?

Friday, September 21, 2012

E já no Brasil...

Passei o dia de ontem praticamente inteiro dormindo, graças ao último mágico relaxante muscular que tomei para não destruir demais a coluna, e para dormir melhor na minha vida de classe econômica.
Sinceramente, eu acho que pelo valor que me cobraram as passagens poderiam me tratar um pouquinho melhor.
Aparentemente, sou eu que trago a chuva por onde vou, porque faziam 65 dias que não chovia em São José dos Campos. Adivinha o que aconteceu hoje?
A minha mala, semi-desfeita, é pior do que um cenário de pós-guerra. Preciso fazer uma malinha singela e muito prática para viajar amanhã para BH. E depois refazê-la, já num vôo doméstico, para Florianópolis (e como evitar o excesso de bagagem nesse caso, céus?).
Mamis chorou ao se despedir de mim no aeroporto, o que é normal, coisas de mãe, porém me deixou angustiada para voar. Enquanto esperava na frente do portão B10 do Malpensa, fiquei com aquele sentimento ruim de que maus presságios. Mas não era nada de mais - cheguei no prazo, e está tudo bem por lá também. Por aqui, depois de uma merecida e devida sessão de depilação (gente, aquelas europeias precisavam fazer mais depilação e unha, alguém concorda?), as dores na coluna e nos braços vão vagarosamente diminuindo, e o sentimento ruim também. Falta pouco para o final das férias, e minha chefe e meu orientador estão freak nos e-mails. Minha chefe é muito deselegante, passou as férias inteiras me mandando e-mails. Há dois dias que parei de abrir o e-mail por puro aborrecimento.
Ainda no decorrer das férias, tomei uma decisão muito acertada e com uma pitadinha de ousadia, considerando o avançado do ano e meus inúmeros compromissos: resolvi passar um feriadinho em Buenos Aires em dezembro junto com amigos, e, já R$653,00 mais pobre, preciso agora correr atrás da grana e da folga para fazer essa empreitada. Faltam 70 dias pra viagem - 70 dias pelo alívio? rs
Brincadeira. Estou animada pensando em um novo projeto, mas vou formatar ainda com mais tempo. Gostei desse negócio de ir tocando a vida como se fosse em campanhas, com prazos para cada projeto. E vou continuar com eles. Mas não hoje, nem semana que vem. No domingo que vem, quem sabe...

Wednesday, September 19, 2012

Sabem onde eu comi a melhor comida italiana?

Na Slovakia, em Spisska! Nós só íamos em restaurantes que ofereciam o menu em inglês pra podermos pedir pratos que soubéssemos do que se tratava. Como em todos os lugares do mundo, existe uma verdadeira cornucópia de restaurantes italianos por lá. E num desses, que se chama Sottopassagio, eu comi delícias incontáveis. Antipasti feitos à base de frutos do mar (uma grigliatta de lulas, polvos, camarões e algum molusco que não reconheci), carpaccio de atum, berinjelas e legumes grelhados, e por fim, meu prato principal impressionante, risotto nero de sepia - um risotto feito com tinta de lula.
Meu Deus.
A comida era tão boa, mas tão boa, que na última noite antes de ir embora pedi exatamente o mesmo prato, numa tentativa de conservar em minha memória, bem nítido, o sabor daquele prato.
Comi o melhor creme brulée da minha vida naquele restaurantezinho daquela cidadezinha.
No dia seguinte, em Viena, paguei 9 euros por um café e um strudel. Morrendo de raiva, porque nem era tão bom assim, e porque esse tinha sido o preço do meu risotto nero de sepia.

Tuesday, September 18, 2012

Finalmente, enfrentei

Eu estou desde fevereiro na mesma ladainha. Pense aí numa ladainha que ninguém aguenta mais ouvir.
Hoje de manhã, acordei resoluta em fazer uma coisa que nunca deveria ter demorado tanto. Cadastrei a porra do projeto no tal do Plataforma Brasil.
É o site mais chato que já precisei acessar, mas com muita persistência, tenho tudo no lugar! Imprimi a folha de rosto, mandei para O Orientador assinar, se ele for rapidinho, eu consigo mandar esse negócio finalmente pra frente.
Ai, gente! Que alegria! Pra tudo ser perfeito, só faltava eu abrir o arquivo da dissertação e mandar ver.
Mas aí também calma, né? É muita emoção pra um orientador só!

São meus últimos momentos

Amanhã às 21h40 eu embarco novamente para o Brasil. Foram dias de muitas novidades, comidinhas, museus, passeios, arquiteturas, ruas, comprinhas, vinhos e gelatti. Muitos gelatti.
Hoje amanheci com uma enxaqueca horrenda, mas que está segurando relativamente bem com a Neosaldina. A acidez até que está sob controle, e resolvi esperar até quinta de manhã, no Brasil, para adquirir meu ítem precioso de saúde, o Omeprazol. Tenho aqui um remedinho para dias de exagero, e tomei ele ontem quando comi pizza. Acordei relativamente tranquila.
Hoje vou ao Museu Egípcio de Torino, e amanhã é dia de arrumar malas e me preparar para voltar. Estou feliz em voltar.
Fico em São José dos Campos até sábado, 22 à noite, quando vou matar a saudade de BH e dazamiga de lá. Volto dia 24 (segunda) à noite para São José outra vez, e finalmente, Floripa no sábado dia 29!
Férias é lindo, mas já começo a conectar cada vez mais com "quando eu voltar, vou fazer tal coisa", então imaginem.
Arrivederci Italia! Ciao e a presto!

Minha repartição entrou em greve

É isso, gente. Não divulgo nomes nem nada comprometedor no blogue, mas quem é esperto e ver os noticiários brasileiros, sabe qual é a categoria que entra em greve a partir de hoje (na verdade, são duas, então, uma das duas).
E eu estou aqui de férias, pensando. Ano passado não fiz greve porque estava no período da experiência, mas esse ano, posso fazer se quiser. No meu setor, ninguém faz greve, e inclusive são chamados a trabalhar em outros setores, para manter um mínimo funcionando (o que é, na minha opinião, furar duas vezes a greve).
Minha situação é um pouco delicada, sob esse ponto de vista, mas eu acho um absurdo a maneira como temos sido tratados pela repartição. E não é só pela proposta salarial absurda (que nem a inflação repõe), mas pelas condições de trabalho, pelo tratamento que nos dão. Então, se a greve continuar até 01/10/2012, quando teoricamente retorno, preciso tomar essa decisão. Com certeza, se mais gente do chamado administrativo fizesse, eu me sentiria mais segura em fazê-lo. Mas estou achando que se eu for, quem sabe eu não animo mais gente a ir também, se não nesse ano, no próximo? Quem sabe?
Minha primeira greve, é muita emoção! Um turbilhão!

Monday, September 17, 2012

Socorro! Acabou o omeprazol!

Galëre. Tenho medo. Estou desde sábado sem minha pílula mágica, que me faz deslizar pelo mundo do refluxo e da hiperacidez sem grandes percalços.
O esôfago arde sinistramente, e temos mais 3 dias pela frente. De repente, sinto que se não voltar para o Brasil, adoecerei!

Uma imprecisão histórica, teórica, linguística e metodológica

Passar pelo leste europeu foi uma experiência muito bonita, mas ao mesmo tempo, inquietante.
Na Europa tem isso de as histórias serem muito, muito mais antigas que as nossas, brasileiras - não que antes de 1500 não houvesse nada no Brasil. Simplesmente, na visão eurocêntrica que muitos historiadores e teóricos têm do mundo, o que importa é quando os colonizadores chegam e trazem, finalmente, o "progresso" para cá. Como se antes do "descobrimento", só vivessem aqui índios caricaturais, sem nenhum tipo de trabalho, de relação social, de história, de protagonismo.
Enfim. Isso era um parênteses, queria falar que na Europa existem histórias antiguíssimas. E muitos períodos históricos estão ali, pelas construções, pelos museus, pelo discurso das pessoas...
Me ocorreu curioso que pouco se fala do período, perto de 1940-1950 que se costuma dizer que se viveu o "comunismo" no leste. Tem gente que diz que a China foi comunista, tem gente que é capaz de dizer que Cuba ou até Venezuela o são.
Como entusiasta defensora de sim, a queda do capitalismo como forma de organizar a humanidade e a Natureza, estudo diversas correntes de pensamento, e sempre acho curioso que se use o termo "comunista" para se referir ao pior pesadelo stalinista que se viveu naqueles dias. Alimentado, certamente, pelos stalinistas russos e de demais países, mas também fortalecido "pelo outro lado" da disputa, a quem interessava uma intensa propaganda "anti-comunista" como se chamava (e daí deriva a história de ter que dividir a escova de dentes, que come criancinhas e sei lá mais o quê).
A quem interessar, pode estudar mais de perto a origem linguística da palavra, os que a estudaram e categorizaram, e percebem que, assim como diversas palavras, comunismo é uma que foi divorciada de seu sentido original para fins de propaganda.
Rigorosamente, o comunismo nunca existiu na humanidade (salvo o comunismo primitivo, no qual ainda se encontram diversas lacunas que o comunismo defendido e idealizado cientificamente preencheria). Inclusive, o termo "socialismo" se trata de uma transição entre os dois modos de organização social, a partir do qual se pode ou não chegar ao comunismo - no caso, nunca chegou.
Diversas atrocidades foram cometidas pelos estados burocratizados estados do leste, e corretamente, as populações se levantaram contra. Não contra a igualdade, contra mais oportunidades, mas contra a degeneração tremenda que tomou conta destes estados. Esse é um balanço importante a se fazer na história recente, porque do contrário leva a conclusões perigosamente equivocadas (tanto de que a humanidade gosta mesmo é de sofrer, é individualista, conservadora, ou que, pelo contrário, louva o sistema que se restaurou em seguida como o ideal).
Achei curioso como pouco ou nada se relatou desse período histórico nas visitas guiadas que fiz. E em como sempre se referia ao que acontecera de "comunismo", um termo incorreto em todas as acepções da palavra.
Mais importante que tudo isso, ver o que pode acontecer com a humanidade me deixou mais forte de que certas coisas não servem pra gente. O stalinismo e a burocracia não servem. Mas o capitalismo também não. E ser contra o capital não é ser a favor do desserviço à história que esses estados prestaram. É procurar entender profundamente o que aconteceu, onde foi que a chave virou para o lado errado, e se preparar, sempre, pra tentar acertar na oportunidade certa.
Obrigada, Budapeste! Obrigada, Slovakia! Obrigada, Viena!

Sunday, September 16, 2012

Guilty pleasure: o tal do salame

Eu sou capaz de comer uma pizza inteira sem sequer ficar estufada, também como dois hambúrgueres com batatinha e refri sem ficar estufada, e três pães francês com molho de cachorro-quente, e... Eu faço isso com frequência, o que é pior.
Quando penso em tentar uma "redução de danos", percebo que nada funcionaria pra mim, porque entre eu e uma dieta séria não há mais intermediários. Eu já não como doces nem frituras, não tomo refrigerantes, bebo muito mais que dois litros de água por dia (portanto, sem inchaço), consumo legumes frutas e verduras e etc.
Deve ser por isso (e por ser um pouquinho alta - 1,71m) que eu, segundo a nutri, ainda sou "esteticamente magra" - aparento ser algo que não sou: magra.
Se eu ganhar uma caixa de bombons na Páscoa, a chance de você encontrá-la na minha despensa hoje (16 de setembro) é grande. Não preciso temer os chocolates, nem os doces.
Mas sou obcecada por salgados, coisas realmente salgadas. Como aquele salame mequetrefe que toda marca tem e vende em fatias finíssimas. Quando compro um pacote, sei que é pra comer uma fatia atrás da outra até acabar.
Coisa que adoraria fazer agora, mas esse salame em especial está na geladeira de meus pais, então parece-me desrespeitoso comer o pacote todo sozinha. Mas eu queria!
O mais engraçado é que eu não sou uma pessoa de embutidos, nem uma pessoa das carnes no geral. Ontem comi churrasco no jantar, mas antes disso, passara 7 dias sem colocar carne na boca. E nem aí com isso. Mas com esse salaminho fico assim! E tem que ser o fatiadinho fino, porque tem outro ali, inteiro, que não me atrai. Como pode?
Acho que é o sal. E o gostinho do defumado. Não sei. É inexplicável e quase incontrolável!

I have a confession to make

Eu descontrolei financeiramente na Slovakia!
Desde que havia chegado na Itália, vinha me comportando muito direitinho, calculando o valor que iria gastar por dia, com cada coisa que queria comprar, e etc... E gente, o dinheiro só fazia sobrar! Era uma maravilha, emprestei dinheiro e tudo, virei credora, mas quando cheguei na Slovakia, desembestei!
Isso é uma coisa que preciso comentar: como as coisas são muito mais baratas lá! E inclusive, como são mais baratas em relação à Itália. As roupas, os restaurantes, os transportes, os produtos de cabelo (Schwarzkopf, marca proibitiva no Brasil, por 2 euros no mercado!)...! Tudo lá era uma pechincha.
E eu, que não posso ver uma quinquilharia, uma bobagenzinha de papelaria, uma coisa diferente no mercado, mergulhei.
A mala estourou o zíper antes mesmo de chegar em Viena.
Voltei com calçados forrados de pelúcia (para um inverno longínquo), com novos vestidos de verão, com novas saias e blusas, com um tricô lindo e a cara da riqueza, com papel contact e cobertor (shoot me) e mais uma infinidade de besteirinhas.
Que de pechincha em pechincha me deixaram lisa!
São só mais 4 dias, e são só mais 35 euros. Tenho que cuidar no que vou gastar!

Sobre Budapeste, para começar

Então há 8 dias atrás eu cheguei em Budapeste de carro. Eu li A Insustentável Leveza do Ser há muitos anos, e nunca li Budapeste, de Chico Buarque (coisa que farei assim que retornar ao Brasil), mas imaginava que Budapeste era uma cidade interessante. Sem nenhuma referência específica, além de saber que ia passar pelo Danúbio, fui para lá sem maiores expectativas. Vou conhecer mais um lugar, pensei.
Bem assim, bem humilde.
E então, para me atordoar logo de início, desci a rua da minha hospedagem em Buda, e me deparei com essa vista aí.

Budapeste é mais que simplesmente bonita; ela tem uma magia impressionante, além de ser absolutamente encantadora à noite. Essa é a ponte que mais usei, uma das 9 que liga Buda e Peste ao longo do Danúbio. A cidade é super iluminada, com aquela arquitetura maravilhosa, movimentada. Cheio de gente em todos os lugares pelos quais caminhamos nessa noite, vários fotógrafos do mundo inteiro com seus tripés buscavam a sua foto perfeita de Budapeste. Cruzando, para o lado de Peste, haviam diversos passeios públicos, praças com jardins, bares, restaurantes e pessoas. Pessoas, muitas pessoas, andando para todos os lados, conhecendo Budapeste. Confesso que não sei dizer se vi muitos locais, porque a cidade é tão cosmopolita, tão cheia de estrangeiros de toda a parte, que nunca sabia com quem estava falando. Não sei dizer exatamente o nome disso, mas Budapeste não é simplesmente bonita, ela tem essa atmosfera meio fantástica, de movimento e de muita luz. Me embestalhou e fez olhar para cima o tempo todo, o que me resultou inclusive num pequeno acidente, o qual já relatei antes.


 
 
Fizemos uma opção para o dia que resultou sendo excelente: contratamos aqueles ônibus turísticos vermelhos, com um andar ao ar livre, sabem? Fizemos isso porque só tínhamos um dia, queríamos ver um apanhado geral dos pontos importantes da cidade e poder concentrar naquilo que considerássemos mais interessante. Além disso, poderíamos embarcar e desembarcar a qualquer tempo, durante dois dias, e ainda ganhamos o passe-livre para passear de barco pelo Danúbio (o que é indispensável). Usamos há 8 dias atrás a empresa Hop On Hop Off, e se não estou equivocada, custava cerca de 12 euros por pessoa. Para poder ir e vir como bem quisesse, com uma visita guiada, mais o barco, achei um dinheiro bem empregado. Essa imagem acima é da parte de Peste, mas infelizmente não anotei qual é o ponto turístico :(. Algumas coisas que fizemos ficou meio confuso para mim, pois foi muita informação em pouco tempo, e usamos três câmeras fora os celulares, então muita coisa ainda vai aparecer, inclusive novas memórias.
Lembro que visitamos com calma o Castelo de Buda (as fotos estão na outra câmera), uma edificação gigantesca, com diversos espaços - ele por si só já toma no mínimo um dia de passeio, se a pessoa quiser conhecê-lo direitinho, então por aí já se vê como tínhamos pressa... Visitei o interior do Castelo, que abriga o Museu Histórico de Budapeste, com objetos encontrados em escavações e outras do tipo. Sinceramente, achei que teria empregado melhor meu dinheiro indo à Galeria de Arte, ali no castelo também, porque eram corredores e mais corredores de objetos antigos, fragmentos, de um período histórico muito longínquo para me sensibilizar. Apesar disso, perambular pelo Castelo tem seu valor.
Do lado de fora, os jardins e as pedras também são muito bonitos, alguns chafarizes com esculturas (me marcou especialmente um com homens meio-peixes, 'sereios', brigando com sua cauda, com sua outra metade), e o elevador que você pode usar (se pagar) para subir ao castelo.
Ainda fomos em um outro lugar, passamos a manhã de domingo nele. Devido às fotos estarem na outra câmera, deixo esse lugar para outra postagem.
Com o passeio de barco, podíamos descer na Ilha Margarida (me perdoem, mas não sei escrever em húngaro), uma ilha muito gracinha, cheia de recantos e atividades de lazer. Lá as pessoas praticam exercícios nas quadras, ginásios, pistas de corrida, podem andar de bicicleta, tomar sol nos parques e jardins, comer, beber, brincar nos parques aquáticos e muito mais. Me veria facilmente morando em Budapeste e passando o sábado na ilha, rs.
A foto abaixo é de uma de suas atrações, e a que mais gostei, uma fonte musical! Enquanto tocava música clássica, os jatos d'água iam acompanhando. Isso é lindo demais, poderia ter passado a tarde toda lá ouvindo música e contemplando a fonte, coisa que não fiz, porque não havia tempo!
 


Budapeste é muito, muito mais que isso. Cenas de jovens bebendo vinho de pé, em Peste, apoiando suas taças em chafarizes da praça, de seus jardins e seus prédios antigos me assomam à memória, linda cidade de dia, mas principalmente à noite. É uma cidade para se gastar um tempo, se deixando maravilhar por ela.

Me ocorrem ainda alguns detalhes, então seguem abaixo:

- Budapeste é muito cara, então exige planejamento e um bom dinheiro para poder aproveitá-la, porque nada lá é uma pechincha. Apesar disso, vale cada centavo;
- Fui compreendida em todos os locais em inglês, o que é muito bom, considerando que depois passei por países sem essa facilidade;
- Eu não comi bem em Budapeste. Achei os restaurantes caros e com cardápios bastante restritos, mas se você gostar de comer carne (inclusive as que eu considero exóticas, como as de caça), pode não ter a mesma restrição;
- Lá ainda não se usa euro, mas sim florins húngaros, o que pode causar alguma confusão, pois eles têm casas decimais a mais que nós (2700 florins =10 euros, sabe?). E eles eventualmente aceitam euro em suas lojas, mas querem devolver o troco em florins.

Provavelmente tem muito mais coisas que eu não estou lembrando de contar agora. Esse é o problema da gente viajar para vários lugares de uma só vez, acaba misturando as lembranças.
Mas Budapeste é certamente uma maravilhosa lembrança, e quiçá, um lugar em que ainda voltarei com mais calma.

Saturday, September 15, 2012

De volta à Itália

Depois de uma longa road trip, que me rendeu mais dois países e uma dor lancinante na coluna (regredida praticamente ao tempo da lesão), estamos novamente em Chieri. Finalmente vou postar com fotos e estou muito descansada por voltar!
Logo logo eu conto como foi essa última semana. Hoje vamos comer um churrasco muito brasileiro, feito por papis lá fora, com a maionese e farofa que mamis sempre prepara de acompanhamento. Quem sabe depois de um banho quentinho, um vinho e mais dois analgésicos eu esteja me sentindo mais disposta.
Mas tem uma coisa que eu preciso aconselhar urgentemente todo mundo, com o auge de minha humildade e inexperiência: visitem o leste europeu! É encantador!

Wednesday, September 12, 2012

A paquera estranha da viagem

O que vocês pensaram, hein? Que eu, uma jovem senhora de 25 anos não faria tentativas amorosas em 20 dias na Europa? Não foi fácil, mas eu fiz!
Na verdade, como os mais sagazes e assíduos logo percebem, estou visitando minha família, então me falta companhia jovem para me aventurar nos lugares, e assim que todas as noites passo em casa e durmo cedo (aliás, assim como na maioria do ano, mas pelo menos nas férias costumo mudar isso um pouco).
Dia desses, aqui na Slovakia, saímos para jantar e fui atendida por um lindo e simpático garçom, que simpatizou comigo também. Ao chegar no hotel, estava arquitetando se voltava ao restaurante ou deixava um bilhete, quando me ocorreu que em tempos de facebook eu poderia tentar encontrá-lo pela rede e me poupar da caminhada. Dito e feito! Adicionei o bruto, que logo me aceitou e descobri que:
a) ele tem namorada, anos-luz mais feia que eu;
b) ele participou de algum evento nacional de fisiculturismo e ganhou prêmio, o que o leva a:
c) ter um álbum cheio de fotos dele de tapa-sexo, pintado de dourado e com pose de atleta grego.

Imaginem minha cara de WTF?

Ela perdurou quase uma meia hora. Depois de rir compulsivamente, concluí que era uma pena ele ter namorada, porque com certeza com esse perfil exótico teria sido no mínimo antropologicamente interessante me relacionar com ele. Além de ser uma categoria inteiramente nova para meu histórico de relacionamentos com gente exótica, que ainda tem como must-have uma lista politicamente incorreta e por isso não publicarei.

Essa Slovakia está cheia de agitos! E eu pensando que nem teria nada que contar ou fazer!

Tuesday, September 11, 2012

A brasileira mais escondida que encontrei

Brasileiro é feito gremlim por todas as partes do mundo: se multiplicam. Já encontrei em todos os lugares pelos quais passei, o que é relativamente normal, principalmente na Itália que anda bem em evidência principalmente depois daquele filme com a Julia Roberts comendo macarrão lá e casando com o Javier Bardem (beijo, me liga).
Mas convenhamos que na Slovakia é mais complicadinho, ainda mais na remota Spysska (faltam tremas e caracteres indisponíveis no teclado, mas se pronuncia mais ou menos como escrevi). E mesmo assim nós a encontramos.
Imaginem vocês que estou desde que saí de casa (dia 23 de agosto) sem fazer as unhas. Como preciso me livrar dos esmaltes, resolvi não comprar nenhum no Brasil e aqui conferir as novidades. Humpf. Pouquíssimas novidades, e todas muito caras. Não pagarei 8 euros num vidro de esmalte de cor e cobertura equivalentes às brasileiras!
Também fazer as unhas ficou difícil, com o preço proibitivo de tais serviços na Itália, além de, segundo minha mãe, não ficar lá grandes coisas. Sem unhas feitas, então.
Mas chegando em Slovakia tudo mudou, são diversas pechinchas, e por isso eu encontrei esmaltes diferentes e baratinhos, e logo na primeira manhã, enquanto comprava o primeiro, vi que a vendedora da loja tinha unhas escalafobéticas, daquelas de gel, cheias de stresses e outros quetais. Mandei ver no inglês e expliquei que eu e minha mãe gostaríamos de fazer nossas unhas, e perguntei se ela poderia nos ensinar onde havia uma. Sim, ela sabia! Ficava ali mesmo no shopping e ela nos levou até o salão e à cabine da moça. Resolveu, como a moça não falava inglês e nós não falávamos alemão nem a língua local, intermediar o contato. Já estávamos marcando horário quando a vendedora nos pergunta que tipo de unha queríamos, e eu tento explicar para minha mãe em português como elas diferenciam as unhas french das nossas. Nisso a manicure percebeu que falávamos português, despachou a vendedora, nos deu dois beijinhos em cada se apresentando como Márcia e começamos a conversar! Com seu sotaque ainda indefinido pensei que ela fosse portuguesa. Perguntei de onde era ela... e é catarinense de Timbó! Vejam só se pode isso!
Morri de rir com a coincidência, e vou feliz da vida fazer as unhas à brasileira com uma manicure brasileira. Duvido que encontre outra brasileira perdida tão escondida feito essa! Ganhou!

A tarefa das férias é:

Viver o momento quando ele está acontecendo. Tenho essa feia mania de antecipar os prováveis cenários de tudo o tempo todo. Na verdade, nem sei se é exatamente uma feia mania porque, afinal, ela me ajuda a tocar a vida sem deixar nada de lado. Mas isso de ficar sempre antecipando tudo também tem o lado de eu nunca aproveitar as coisas que devem ser aproveitadas naquele momento!
Isso faz com que eu me pegue no meio das férias pensando no que vou fazer assim que voltar. Em como vou fazer dieta, em como vou agir no trabalho, em como vou para Buenos Aires em novembro... etc.
Então me impus um limite: nessas férias, preciso pensar só nos momentos presentes. Agora estou na Slovakia (não sei bem como se diz em português e muito menos na estranha língua local), numa cidadezinha bem pequena e bonitinha. Nada de grandes agitos nem de intensas rotinas de museus e mil atividades. Apenas perambular pelas ruas da cidade, descobrindo as pessoas e as casinhas. Ambas são simpáticas, por sinal. Ao contrário de Budapeste, em que me comuniquei em inglês numa boa com todo mundo, aqui são raros os que falam a língua, mas mesmo assim tenho feito um monte de coisas a princípio complicadas de se comunicar. A boa vontade de todo mundo em me entender e em se fazer compreensível é tocante.
Infelizmente estou sem fotos até sábado ou domingo, porque eu e mamis esquecemos em casa o cabo. Mas tenho lindas lembranças dessa última semana, que vou postar quando voltar (mas não posso me antecipar, então fiquem com os relatos, hehe).
Aqui é tudo baratinho, desde a excelente comida, passando por roupas e calçados e terminando numa série de briques que andei comprando. Reflexão comum nessa viagem: como as coisas custam mais caro no Brasil. É inadmissível essa pizza que eu comi hoje no almoço a E$4,00 ser tão infinitamente superior àquela nhaca de seis fatias que vem com a Pureza em São José por R$26,90.
Estou saindo do hotel para jantar, e já já eu blogo mais. Mas sem ideia de postagem, porque no momento só posso me preocupar com o jantar, essa é a tarefa. ;)

Saturday, September 08, 2012

O primeiro mico de viagem

Estou em Budapeste. É uma cidade linda, linda demais. Está quase ganhando ser minha capital europeia preferida. Quase.
Então hoje eu caminhava pelo lado de Peste e comecei a entrar numas lojinhas, fuça daqui, fuça dali, presente, essas coisas. Ao sair de uma, já avistara outra interessante, do outro lado da rua, e fui atravessando, sem olhar que havia mais um degrau... E caí.
Quando eu digo caí, quero dizer que virei o pé, depois caí deitada de lado, dei com os dois punhos na calçada e estava de minissaia. Internacionalizei minha bunda branca para cerca de 100 pessoas, algumas das quais inclusive fizeram "ooh" quando eu caí, e ainda permaneci na posição mais uns segundos, porque não tinha certeza se ia firmar o pé que virou. Uma gringa me ajudou a levantar, sentei uns instantes no meio-fio e segui, mancando e com os dois joelhos e punhos ralados.
Mas eu amo Budapeste!

Wednesday, September 05, 2012

Essa é pra um monte de gente

Todos os dias eu levo 4min a pé para chegar na repartição;
eu sou funcionária pública federal admitida em cargo de nível superior;
eu faço mestrado;
eu engordo bem menos em relação a tudo que eu como;
eu nunca sou pega em situações constrangedoras ou no limite;
eu não perco vôos ou ônibus na rodoviária;
eu não me atraso para as minhas reuniões;
meu cachorro não late, não mija em casa nem morde ninguém;
eu ganhei uma viagem de férias pela Europa de meus pais;
e um longo etc.

Aparentemente a minha vida deve parecer mesmo, perfeita. As pessoas quando se colocam na situação de incapazes de fazer alguma coisa e eu retruco que podem fazer aquilo perfeitamente, sempre me respondem com alguma dessas ali de cima ou outras parecida, me mostrando que, como minha vida é perfeita, e eu tenho todas as condições de fazer isso, é fácil para mim falar que elas não se esforçam o suficiente.
É impressionante.
Primeiro porque sempre me impressiona o fato das pessoas não suportarem por mais de 2 frases serem o alvo de alguma análise crítica na conversa; elas sempre precisam devolver ao outro que o outro também faria exatamente o que ela faz, no seu lugar e com suas condições. Sem-pre. Para isso podem pegar exemplos de situações que julgam iguais ou semelhantes em que eu agi justo como elas, ou me dizem que eu não sei do que estou falando, pois minha realidade é infinitamente superior em condições que as suas.
Preciso dizer uma coisa que me queima a garganta há tempos: isso não é verdade. As pessoas costumam enxergar somente aquilo que está ali aparecendo naquele momento, e não percebem quanto esforço, disciplina e planejamento eu fiz para justamente criar as melhores condições possíveis para fazer minhas coisas o melhor possível.
Se hoje eu levo 4min a pé para chegar na repartição, isso se deve ao fato de eu ter passado toda dezembro procurando apartamento depois do trabalho, mais algumas semanas de intensa correria nas papeladas, mais outras semanas encaixotando e esvaziando o antigo vagarosamente, o que me permitiu então fazer essa transição que me custa quase R$800,00 ao mês (agora um pouco menos, porque estou dividindo-o, situação transitória). Da mesma forma como meu emprego não foi exatamente um presente ou um acaso, que me levou de concurso em concurso a esse de uma vaga só, para a qual passei em primeiro lugar, e do fato de eu ter passado meses numa disciplina ferrenha para tocar esse mestrado.
Quando sei que terei um dia cheio pela frente, na véspera ou até antes facilito a minha vida ao máximo, preparando meu almoço ou fazendo as compras com antecedência, tomando banho na noite anterior, deixando as roupas separadas, todos os papéis necessários e etc. Se eu tenho reuniões às 10h de sábado, às 7h30 já estou de pé, para tomar meu café com calma, reler o que precisar ser relido, pegar o material que for precisar. E se precisar apresentar algum ponto, vou tê-lo preparado no mínimo na noite anterior (mas muito provavelmente uma semana antes), ter deixado tudo pronto, esquematizado, no computador e impresso, sem nenhum sobressalto. Isso significa que noites e mais noites de meu final de semana são gastos em planejamentos e em preparações de atividades prévias, o que me deixa, com justeza, com cara de quem dormiu a noite toda na véspera, e chegou sem pressa nenhuma ao lugar. Independente de minha viagem a trabalho ser segunda ou quarta, no domingo a mala já estará pronta, com as peças de roupas e a necessaire que montei especialmente para nunca sair da mala, e jamais me ver em situação de ter que comprar um condicionador ou pedir absorvente emprestado em dias de viagens. Meu cachorro de 8 anos levou quase 3 para parar de fazer suas necessidades no tapete e comer as paredes, e embora isso me desesperasse e em determinados momentos me fizesse pensar em perder a paciência e lhe dar uns cascudos, noite após noite eu suportei sua gritaria feliz de me ver, passei a coleira e fui levá-lo a passear, mesmo ele já tendo feito tudo dentro de casa.
E mais um longo etc.
Certas coisas são inadmissíveis para mim. São elas: não dormir a noite, não tomar café da manhã com calma, não escolher direitinho minhas roupas e fazer minha maquiagem, não ter um momento de descanso e de leitura ao final do dia. E sempre o foram, mesmo quando pegava 8 ônibus ao dia e saía com 90min de antecedência para a aula das 8h20. A maquiagem e a leitura aconteciam no ônibus, de pé mesmo, me equilibrando entre as pessoas, e a pasta ia pesada com tudo que eu pudesse por ventura precisar.
É raro, raro mesmo, eu ser pega desprevenida.
E isso se dá porque eu sou obsecada em tornar as coisas o melhor possível para mim mesma, com as possibilidades que me forem dadas. Nem que tenha que levar pães e frios na mala, como fiz dois meses atrás, no meio da resolução de não gastar dinheiro. Tudo isso me sai naturalmente, porque eu gosto de controlar as variáveis o máximo que puder, e por isso me irrita que as pessoas digam que só faço as coisas como faço porque tenho condições de fazê-lo. De maneira nenhuma me refiro às pessoas que realmente não têm condições de fazer suas coisas, porque acho cafona e patético aqueles exemplos de superação que não ajudam, só atrapalham. Estou me referindo a todos os mamíferos de luxo que conheço e que sempre acham que para eles, só para eles, a vida é dura e pega pesado. E é por isso que não realizam nada. E aí assim passam-se meses, às vezes até anos, observando da janela as coisas passando ao largo. Esperando as condições ideais para fazerem alguma coisa.
Sério... isso me irrita.
Pode ser coincidência, meu círculo social, sei lá, mas tem gente mimada demais reclamando de coisas que não são sérias o suficiente para serem levados a sério. Move your asses!

Seriadinho novo para aproveitar melhor as férias

Eu acompanho insanamente The Big Bang Theory, salvei todos os episódios e reassisto-os quando estou com tempo, sei várias falas de cor. Mas no intervalo entre suas temporadas, me aventuro em coisas novas. Seriados "no ar" que acompanho, além desse, é o Drop Dead Diva, que acho muito legal porque Jane é uma advogada gordinha super animada, vaidosa, muito astral. Inclusive nessa temporada ninguém tocou mais nesse lado interessante dela, mas mesmo assim assisto por que já me apeguei aos personagens e quero saber seus destinos. Tentei o Girls, como comentei por aqui, mas achei idiota por completo, e idiota por idiota prefiro Sex and the City que pelo menos tem um figurino lindo.
Dia desses, vi na TV parte do 2 Broke Girls e resolvi tentar. E esse é o seriado de férias. As duas meninas moram juntas e querem montar um negócio, para isso elas guardam dinheiro. Elas não têm dinheiro pra nada, o que é conhecido de uma e novidade para a outra, ex-rica. São 22min por episódio de diálogos rápidos, sacadinhas irônicas sobre como é ser duro, e como tentar dar um sentido à vida independente disso. Não é o melhor nem o mais engraçado que já vi, mas é razoável para as férias.
Tentem.

Cansei

Foram seis dias de rotina noturna: banho, pijama, produtos do rosto, fio dental, livro, cama... E nada! Amarguei, fritei na cama durante diversas madrugadas, acordando cedo ou tarde, sem conseguir aderir ao fuso. Me rendi ao caos! Me sinto como o Sheldon, quando não consegue cortar o cabelo com seu barbeiro de costume e passa a tocar bongo na madrugada...
Resolvi que não lutarei mais contra esse jet lag e que vou continuar seguindo o horário brasileiro. Faço refeições no horário italiano, mas durmo como os brasileiros! As noites serão muito, muito mais longas.

Tuesday, September 04, 2012

Sim, saíram as primeiras fotos!

Então, gente, finalmente eu descarreguei as primeiras fotos desses primeiros dias. Como fui comentando ao longo dos dias, choveu desde que pus os pés nesse continente, e com isso me vi em certa dificuldade: a mala era própria para sol e calor, os passeios deveriam ter sido outros, os calçados não comportavam a água... Foi água, gente. Água que não acabava mais. Durante os primeiros três dias da minha chegada na Itália, imaginem vocês que fiquei enfurnada vendo vitrines de lojas. Logo eu, que não passo mais que um piscar por vitrines, passei 3 dias fazendo isso! Claro que fazer isso sob os arcos do centro de Torino é melhor que fazê-lo em qualquer shopping center que já entrei, mas ainda assim, é informação demais para uma pessoa tão pouco afeita a esse tipo de divertimento.
No fim, tudo é hábito: no terceiro dia eu mesma já me interessava por determinadas vitrines, adquiri roupas novas (coisas totalmente diferentes de tudo que já vi, vou lançar moda no Brasil! ou ser chamada de cafona...) e até estava achando interessante.
Mas hoje, sinceramente, não poderia fazê-lo outra vez. Por mais que seja curioso observar os objetos que se vendem em outros países, certa hora me enfastiou. Era hora de uma programação cultural.
Busquei me informar sobre os museus abertos e que poderíamos visitar, e por isso hoje eu e mamma fomos para Torino atrás dos museus.

Entramos no Palazzo Madama, que para nossa sorte, toda primeira terça-feira do mês tem entrada gratuita! Normalmente custa E$10,00. Ele tem coleções importantes para quem curte o período, mas sinceramente, arte sacra demais para mim. O palazzo foi esvaziado de qualquer mobiliário e é cheio de exposições, sendo cada piso um período diferente. Ele é grandão, com uma escadaria em curva, mas tem elevador panorâmico. O que tem de melhor, no entanto, é sua torre. Ela sim, panorâmica. De cada janelão destes você avista parte do entorno do palazzo, é lindíssimo.


No próprio palazzo ainda existe um café, muito mimosinho, para a gente se sentir ryca uma vez na vida tomando café como princesas. E eu estava ali esperando meu capuccino delicioso (e baratinho, ó gente, $E2,50!), olhando a praça pela janelona!

 Gostei das exposições, mas museu é uma coisa que me cansa. Não de andar, mas de ter tantas obras (importantes ou não) juntas, acaba que não consigo valorizar bem cada uma delas. Contemplá-las como merecem.
Então, eu que ia até o Museu Egipicio hoje, achei melhor deixar para outro dia, um dia só para ele. E fui, ali mesmo, pertinho, no outro Palazzo, o Real.
Esse, infelizmente não pode ser fotografado; e é um palazzo com os objetos e mobílias ainda de seus ex-moradores, o tipo de palazzo que gosto mais de visitar. Era lindo, ryco e tudo o mais. Loosh.
Mas sem fotos.
Me chamou a atenção, no entanto, que os jardins "reais" que circundam todos esses palazzos estão absolutamente abandonados: nem sinal de manutenção, o mato e a decadência se multiplicaram por aquele espaço. Crise econômica, é você?
Saindo dali, circundamos a piazza e pelo lado de fora encontramos a igreja onde fica o pedaço de pano do santo sudário. Eu, atéia por conveniência, mas anti-católica por vocação, nem tchuns pro pedaço de pano. Contemplei a igreja, pequena e não tão opulenta como costumam ser por aqui, mas ainda assim, bela.
Ao caminharmos até o ponto de ônibus, pedi no caminho um quadrado de pizza marguerita. Ela é sem manjericão mesmo? Enfim: a melhor que já comi. Deliciosa. E custou $E1,80!
Quando chegávamos novamente em Chieri, uma surpresa realmente agradável: o Sol! Finalmente, em meu quinto dia, ele chegou! Espero que amanhã ele se mantenha. Agora que sei qual é a câmera certa e já aprendi o caminho de casa para os principais pontos, devo me aventurar mais por aqui.

Por onde já andei

A cidadezinha em que estamos se chama Chieri;
esta, por sua vez, fica perto de Torino, a maior da região;
também já fomos até Alba (a capital da trufa branca);
passamos por La Morra (perto de Alba e da próxima);
visitamos a vinícola em Barolo;
e assim que cheguei, fiquei um tempo passeando em Milano.

Hoje vou em Torino novamente, visitar o Museu Egípcio e o Palazzo Madama. Continua tempo nublado, mas no momento não chove. Previsão de amanhã é para sol e calor, espero que seja verdade, porque tenho tido que fazer milagres nessa mala planejada para veraneio. Queria partilhar as fotos, mas não tenho como inserir o memory card. Vou usar a câmera de mamis para poder descarregar.
Ciao!

Monday, September 03, 2012

Quando nada mais faltava, eu agora tenho insônia

Essa paisagem bucólica (e chuvosa, oh céus, parem com isso!) está me dando efeito rebote. Morro de saudade de um pouco mais de urbanidade, pelamor! Não tenho dormido depois do almoço, mas todas as noites eu me deito, perto das 22h, leio um pouco de literatura (férias!) e... nada do sono vir. Apago as luzes, faço milhões de tentativas, e nada. A pior noite foi ontem. Já preocupada, achando que estava ansiosa e viraria uma pessoa insone (todos sabem como meu potencial para isso é grande), desci vagarosamente as escadas e vim no armário da sala ligar meu telefone brasileiro. Segundo ele, ainda eram 20h41, 1h41 daqui. Respirei aliviada: é só o fuso! Antes de finalmente pegar  no sono, lembro de ter pensado em levantar cedo, independente da hora que acordasse, para regular o sono. Humpf. Minha mãe me chamou às 11h30. Mais uma noite "insone", então. Mas amanhã vou, de qualquer forma, pôr o despertador para cedo. É tempo de eu me render ao fuso!

Sunday, September 02, 2012

A louca metódica em sua versão piemontesa

Eu ando bem sossegada por aqui, sabem? Imaginem vocês que ainda não tenho roteiro feito para cada um dos 19 dias que me restam, nem adquiri um mapa da cidade, ou anotei o endereço de casa ainda. Tenho permitido que façam as escolhas por mim e descoberto o meu destino do dia quando acordo. Nada de separar a roupa para o dia seguinte ou mesmo de ficar colocando o celular pra despertar lembrando das novas tarefas, ó que progresso?
Mas ainda sou eu, afinal. Todos os dias, quando entro, coloco minha bolsa no armário logo na entrada, apanho minhas sacolas de compras (sim, todos os dias tem sacola de compras...), as notinhas, a agenda e a lapiseira. E anoto os meus gastos diários. Quero ter uma noção de quanto estou gastando para poder programar melhor a distribuição entre os dias. Gastei muito nesses dias porque fui nos lugares onde já sabia que gastaria:
1 - na feira, onde fico ensandecida com aquela miríade de frutas, legumes e verduras que sonho comer (flor de abobrinha, nunca te comi, mas sempre te amei...checked!);
2 - no Eataly (super-mega mercado culinário), onde adquiri utensílios e briques, e...
3 - em Alba, terra da trufa!
Alba ainda não está na temporada da caça às trufas (choreeeei), mas tem muitas coisas feitas com elas, e algumas trufas negras na conserva. Adquiri um mel de trufa branca, um sal de trufa branca, uma pasta de queijo de cabra com trufa branca, polenta trufada (com a negra, nesse caso), e tive dois mil orgasmos múltiplos!
Voltei com aquela sacola cheirando a gás deliciosamente, só imaginando que coisa boa é ter esses tesouros na bolsa...
A posse desses tesouros gastronômicos (que incluem ainda um passaverdura, um grill próprio para bruschette, pizzocheri, gianduia, balas em latinhas vintage, biscotti de cacao e outras parafernálias que sequer me recordo) me custou a bagatela de 80 euros. 80 euros em comida e em utensílios culinários!
Fiz uma listinha objetiva com algumas coisas que ainda quero levar daqui (café, feijões, torroni), e resolvi dar um tempo no consumismo gastronômico (aham).
Sempre disse que meu problema não era comprar roupas, e aí está o estrago.
Sabendo meus destinos nos próximos 3 dias, a priori não existe nada que desperta meu interesse de consumo. Vamos ver. Separei o dinheiro que vou usar para comprar presentes e lembranças, e com isso tenho agora um cálculo aproximado do que vou gastar por dia. As pessoas costumam fazer isso antes, mas eu simplesmente não me ocupei disso nos dias que antecederam a viagem, e só agora, ouvindo as cigarras ali fora, num céu em que se enxerga as estrelas, é que finalmente a minha mente tem se aquietado.
Espero que 20 dias de vila italiana sirvam para acalmar minha ansiedade.
 Estava com saudades das minhas listinhas!

Mas como fumam!

Tenho diversas fotos para postar, mas o computador da mamma não tem o buraco para enfiar o memory card. Vou ver se faço isso com um cabo, caso a preguiça permita. Tenho visto lindas paisagens por aqui, muitas pessoas idosas, carros engraçados, a arquitetura me encanta, com suas ruas em curva cheias de casas antigas. O lugarejo é bucólico, bucólico até demais - fiquei feliz da vida quando chegamos em Torino ontem, com os ares da civilização e urbanização. Vou tentar escrever sobre os lugares por onde passo na visão fulanística do universo e tudo o mais. Com essa lobotomia de anti-tabagismo (a qual apóio totalmente, embora com uma certa dó dos fumantes, rebaixados a páreas sociais), não estava mais acostumada a circular por lugares onde isso ainda é ok. Na Argentina os restaurantes com gente fumando dentro, inclusive em cima de carrinhos de bebês já haviam me chocado um pouco, mas me esqueci que seus colonizadores eram iguais!
Aqui se fuma por todas as partes, à mesa, nos carros e em diversos lugares fechados. Me angustia! Eles, obviamente, nem aí com isso, seguem fumando.

Saturday, September 01, 2012

Antes que a novidade fique velha por demais

Resolvi aproveitar mais um dia chuvoso (me prometeram sol e calor, mas nem lembrança), vou relatar o meu fast-passeio por Trindade e Parati. Fomos para lá no sábado final de tarde, saindo às 16h de São Paulo capital. Chegamos cerca de 21h. Eu já conheço bem Parati, mas ficaríamos numa hospedagem diferente dessa vez, a qual eu não sabia direito como chegar. Paramos o carro junto ao mar e íamos pedir informação, quando avistamos um estacionamento ao lado da igreja que fica em frente ao mar. Pagaríamos R$15,00 a diária para eles cuidarem do carro até as 00h e, na manhã seguinte quando tirássemos o carro, eles invalidariam nossa diária. Avaliamos os prós e contras dessa proposta absurda e resolvemos deixar o carro na rua mesmo, rente à pracinha, como muitas pessoas fazem. Juntamos nossas mochilas e fomos para o Historic Centre Hostel, onde havíamos reservado uma suíte com banheiro por R$50 por pessoa ao dia! A maior e única pechincha de Parati!
O hostel é muito decente, limpinho, adequado, bem localizado, e tudo o mais. Para quem quer privacidade paga esse valor que mencionei (podem ficar até 4 pessoas nessa suíte, que tem cama de casal e uma beliche), mas tem os quartos coletivos também(mais baratos), uma área comum maneira com churrasqueira e jardim, a famosa cozinha, o famoso bar de todo hostel que se preze, e os bons gringos. É excelente para se fazer amizade!
No calor, no entanto, receio que o lugar seja inadequado, porque só tem ventilador de teto. Para a época que fomos, estava ok. Naquela mesma noite, saímos pelo centro histórico para buscar um lugar para jantar.
Preciso alertar aos candidatos a visitantes que Parati é muito, muito cara. Quero dizer com isso que a maioria das hospedagens são caras e que os restaurantes são mais ainda: com pratos únicos para uma pessoa, salvo coisa de 4 pratos por menu, custando cerca de R$40,00 os mais baratos. Eles têm lá a pachorra de cobrar R$85,00 num peixe grelhado com arroz, pirão e salada. Preço esse praticado só nos lugares mais proibitivos de Floripa. Não encontrei nenhuma exceção razoável, não tenho nenhuma dica de um achado super legal para recomendar. Nesse caso, recomendo o seguinte: já que é para pagar caro, escolha um local cujos pratos, ingredientes, decoração, serviço e tudo o mais sejam o máximo. Porque os preços devem ser cartelados, por isso tão parecidos, mas existe uma diferença qualitativa de um restaurante a outro. Comemos sábado à noite umas bruschettas trufadas, outras de berinjela, que estavam deliciosas, num restaurante metido a fino. Do outro lado da ruela, uma pizzaria que pode ter no bairro de qualquer cidade brasileira, cobrava R$45,00 por uma margherita média. Hein?
Temíamos encontrar o local esvaziado devido à baixa temporada, e de fato se comparado com feriados e outros dias estava mesmo, mas não com aquele aspecto deprimente de praia no inverno - havia bastante movimento por lá, os lugares abertos, e faziam noites agradáveis para se perambular pelas ruas do centro histórico, sempre olhando para o chão - aquele piso histórico cheio de pedras pontudas é muito traiçoeiro.
Parati vende uma infinidade de bobagenzinhas artesanais, lojas cheias de suvenires, cachaças, etc. Não tem nada propriamente de lá que seja um espetáculo, mas nada disso é o que a torna especial. O que a torna encantadora é a arquitetura preservada desde os tempos do império e da rota do ouro, tornando cada esquina e viela daquele centrinho um novo suspiro. É uma graça, são casas lindas e muito bem conservadas, e te transportam para outra época, e outro lugar. É incansável observar as diversas casinhas, uma seguida da outra. Um encanto.
No domingo, saímos cedo para a praia - Parati não tem praias ali perto, e as que têm, mais afastadas do centro, não são as melhores. Existem passeios de escuna que percorrem as ilhas dali do entorno e é possível mergulhar, o passeio é muito bom e, se eu tivesse mais tempo, teria feito de novo. Mas eu só tinha aquele domingo, e era tempo de ir para Trindade.
São 15km de distância na estrada boa, ainda que mal sinalizada, mas com um pouco de atenção todos conseguem. Fomos até a praia do Meio, porque nosso objetivo era fazer a travessia até as piscinas naturais de Caixa d'Aço, onde se prometiam mergulhos e alta visibilidade. Naquele domingo ventava muito e fazia frio na praia do Meio, fizemos a travessia de barquinho (R$20,00 por pessoa - um roubo, mas existe a possibilidade de ir pela trilha) e chegamos nas piscinas. Uma multidão de famílias com crianças e cães se amontoava por ali, e não tivemos um segundo sequer de paz. A água, gelada, estava ainda mais gelada naquele frio. Não levamos máscara nem snorkel, e por isso não podíamos ver quase nada. É verdade que a água é cristalina, mas também é verdade que com aquele movimento todo, não sobra muita vida marinha para ser observada. E quando nada mais parecia ser frustrante, me pula um labrador aos brados na água, desesperado de feliz por nadar na piscina. Sei que gente por aí aprecia, mas cachorro na praia é a little too much para mim, sorry.
Desistimos de passar frio e nervoso e atravessamos outra vez, com a promessa de beber cerveja e comer uns camarões por lá. Há chuveiros nos bares da beira da praia, são gratuitos e não necessariamente a pessoa precisa consumir no bar onde toma a ducha - nós mudamos de bar. As coisas também são caras em Trindade, nível Parati, e não posso falar nada sobre a qualidade da comida, porque só comi uma lula a dorê sem mistério algum. Uma pessoa de lá comentou comigo que essa estrutura comercial ali vai acabar, aparentemente a praia é área de preservação e não se pode ter as construções que ali estão instaladas. Se vão cumprir essa promessa, e se vai ser para logo, não sei dizer tampouco.
Voltamos para Parati para aproveitar mais do centro histórico e do dia agradável que fazia, bebendo em bares aleatórios, pelo menos uns 5 - tenho essa mania de trocar de bar para pegar um pouco do espírito de cada. Nesse dia comi coisas mais ou menos, e num dos bares, havia uma observação de que para poder se sentar em determinada mesa (do lado de fora com estofado), a consumação mínima era de R$90,00. A garçonete nos abriu uma exceção naquele dia, considerando que era domingo à tarde, e ficamos um tempo por lá.
Na manhã seguinte, segunda-feira, levantamos, tomamos o café no hostel e fomos embora cerca de 11h da manhã. Foi um passeio curto, mas que eu queria fazer para demarcar o início das férias e porque estava com saudades. Apesar dos preços abusivos, adoro Parati e recomendo que todo mundo a conheça, porque é linda demais.
Tem fotos e posso passar maiores detalhes dos nomes de onde comi, caso alguém se interesse. Mas para isso, vão ter que pedir. ;)


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