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Tuesday, April 24, 2012

Isabel, que decepção!

Há vários anos atrás comecei, influenciada por minha mãe, a ler Isabel Allende. Sempre gostei dos livros, do seu jeito caótico e nada linear de contar histórias, e aliás, achava as histórias que ela contava excelentes. Meio parecida com Gabito, misturava as histórias de família e inspirava personagens e até livros inteiros a partir dessas abuelitas e parentes exóticos que, parece, todo mundo tem em casa se olhar algumas poucas gerações para trás. Enveredei pelos seus dramas pessoais e fictícios sempre muito apaixonada pela autenticidade que me transmitia, suas coisas meio místicas, meio matéria, muito sentimento, muito coração. Uma criatividade que parecia vir lá de dentro do coração, lá do fundo dos porões das casas antigas da família. Parecia, do verbo não parece mais. No Natal passado corri atrás de seu último lançamento, O Caderno de Maya, para presentear minha mãe. Foi uma maratona, exaustivamente descrita em alguns posts sobre o Natal, mas no fim adquiri o presente e fiquei ansiosa esperando pela minha vez de ler. Mas quando eu li, ah quando eu li... Imaginem vocês aquele tipo de romance chulé, nível sei lá assim, Sidney Sheldon ou outro entretenimento que o valha? Uma história besta de uma adolescente envolvida com o tráfico de drogas em Las Vegas, sem cor nenhuma, sem emoção nenhuma, enlatada, besta... cadê o coração? Pô Isabel, cadê? Gente, que frustração! Imagino que ela tenha sofrido muito mais no exílio na Venezuela (sim, ela é sobrinha de Salvador, cujo sobrenome leva também), vendo a filha morrer em Madri, ou mesmo passando dificuldade no Chile, do que hoje em dia morando em San Francisco e vivendo de renda de livros. Mas uma coisa posso dizer sem medo de errar: essa mulher não escreve mais como antigamente. Não mesmo! Para quem lê Paula, Filha da Fortuna, suas heroínas fortes e meio bruxas, suas descrições para muito além do fantástico em sua leitura do Zorro, por exemplo, e depois lê esse maldito Caderno, não tem como não comparar nem sentir falta. Isabel Allende perdeu a mão feio. Perdeu mesmo!

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