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Tuesday, March 13, 2012

Dilemas maternos

A cada dia e ano que passa, fica mais tranquilo para mim perceber que não sou do tipo que vai ser mãe. Houve um tempo em que eu ansiei por isso, assim como ansiei até por casar naquela cerimônia (com todo o respeito a quem cultua) cafonérrima em que meu pai me entrega a outro homem, como se eu não tivesse vida própria, como se tudo se resumisse a qual homem cuidaria de mim. Tudo isso na frente de um padre ou outro líder religioso, o que não combina em nada com meu ateísmo. Vamos combinar? A gente fala cada coisa quando é novinha!
Aos poucos fui percebendo que existiam outras alternativas para mim; e que minha trajetória de vida não necessariamente passaria por forma uma família, e o fato é que quando penso em tudo que ainda quero fazer, ver conhecer... Vão faltar anos, e não posso gastá-los com um projeto de vida que não me pertence.
Tem quem diga que isso é de fase, e que logo vou sentir o "instinto" (sic) me chamar. Odeio discutir o que eu faço da minha vida com outras pessoas, porque afinal a porra da vida é minha, mas odeio mais ainda quem usa o senso comum e valores religiosos para fazê-lo. Qualquer antropólogo chulé desmonta o conceito do "instinto" maternal. Me deixem em paz.
Mas ainda assim, fiquei esperando essa vontade chegar, e vi os anos passarem. Eles continuam passando, dia após dia, aqui por mim. A vontade não veio ainda não. E enquanto eu planejo minha próxima viagem e escrevo minha dissertação de mestrado, cogito se quero fazer doutorado ou morar fora do Brasil - e nunca cogito se quero um filho.
Tudo bem, se quando eu for velha mudar de ideia, eu adoto.
Mas achei engraçado como nos últimos dias falamos muito sobre isso; sobre o que faríamos se tivéssemos filhos. Essas coisas são tão complexas e exigem considerar tantos fatores que nem sei se manteria todos os posicionamentos, mas percebemos que se tivéssemos filhos, nós (eu e algumas amigas):
- não amamentaríamos eles no peito por mais que o período da licença maternidade, e caso fosse desconfortável para a gente, pararíamos ainda antes;
- optaríamos pelo parto humanizado, afinal de contas não quereríamos que nossos filhos saíssem do útero quentinho e escuro direto para um centro cirúrgico frio e impessoal;
- faríamos cesariana somente em caso de necessidade por saúde, porque não gostaríamos de passar um mês lidando com pós operatório, ao invés de lidar com o filho novo;
- colocaríamos os moleques em escolas públicas, porque percebemos que a instituição escola (e viemos de várias diferentes: eu por exemplo sempre tive oportunidade de estudar em boas escolas privadas) não nos tornou mais ávidos por conhecimento, tivemos que buscar isso de outras formas;
- também construiríamos junto aos filhos o projeto de trabalhar assim que fosse legalmente permitido, porque isso seria parte do nosso compromisso de torná-los seres autônomos: inclusive dos pais;
- tentaríamos não fazer tantos planos por eles, para que possam minimamente ter sua própria trajetória;
- lavaríamos suas boquinhas com sabão se dissessem qualquer coisa preconceituosa, racista, machista ou homofóbica!

Tudo bem, nada disso provavelmente se concretizará, mas achei divertido educar meu filho imaginário. Uma das melhores imaginações foi que poderia pari-lo no espaço, sem o atrito da gravidade, onde eu faria um mínimo de força e o bebê puf! saiu para flutuar, preso somente pelo cordão umbilical...

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