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Tuesday, February 07, 2012

Anedota antiga

Quem me lê há muito tempo sabe que quando morei em BH, fui infeliz como um evangélico no Carnaval. Tive problemas de adaptação à cidade, à cultura local, e coisas subjetivas que fui enfiando na minha cabeça para justificar essa não-adaptação. Tipo: não ter terminal de ônibus, tem muita ladeira, tem muita carne de porco no restaurante e outras ninharias facilmente contornáveis quando a pessoa quer. A verdade é que eu nunca quis, e portanto colocava a culpa de tudo na cidade.
Introdução feita, lembrei de uma história ocorrida num domingo de manhã. Eu não sabia na época, mas parece que há uma lei municipal segundo a qual apenas aos domingos o motorista das linhas pode parar a qualquer ponto que um passageiro acene querendo embarcar. Naquele domingo qualquer, peguei o ônibus de costume lá no São Francisco onde morava, e queria descer na rua da Bahia, onde tinha uma reunião marcada para as 13h. Meu então digníssimo me telefonara cerca de 12h, perguntando se eu estava a caminho, porque aí poderíamos almoçar juntos ali perto. Confirmei nosso almoço e esperei o ônibus, já quase no centro, virar na rua. Ocorre que como todos os domingos, era dia de feira lá em cima na Afonso Pena, e o trânsito estava um caos, com os feirantes desmontando suas barracas, os carros indo embora, as ruas lá em cima ainda fechadas... Aquela festa. Pedi então ao cobrador se eu não podia descer antes, afinal o ônibus estava parado há um tempão a meia quadra do ponto onde eu queria descer. Ele me disse que não, de forma bem intransigente, e eu discuti com ele durante mais um tempo, argumentando inclusive que há poucos pontos atrás, ele tinha deixado uma pessoa embarcar em ponto que não era da linha. Liguei para o ex-digníssimo e expliquei que estava dentro do ônibus, já na rua da Bahia, mas não me deixavam descer. Isso tudo bem alto, porque eu estava naquela cadeira bem do lado do cobrador. E fiquei lá, revoltada durante mais uns minutos, olhando pela janela o caos. Num arroubo de revolta, dei uma pancada no vidro – não para quebrar, mas numa daquelas agressões irracionais a objetos inanimados, que não prejudicam nada além da mão de quem a desferiu. E comecei a chorar compulsivamente de raiva de não poder descer do ônibus. Ah gente, eu contei pra vocês né, andava meio infeliz...
Aí nesse ínterim, uma mulher sentada ao meu lado, começou a rezar fervorosamente em voz baixa, provavelmente tentando fazer com que o demônio que me possuíra saísse do corpo, e eu, irritada com aquela rezaceira, fiquei de pé, para ficar perto da porta. Nessa hora, o cobrador ordenou ao motorista que ele abrisse a porta, libertando-me assim do suplício.
Meu ex e os amigos da época me olhavam enquanto eu descia do ônibus com cara de choro e provavelmente de louca também.
Poucos minutos depois eu já podia rir, lembrando do cobrador com medo que eu quebrasse o ônibus, e da crente rezando por mim.

1 comment:

Cristiano said...

Transporte publico aqui nao é das melhores coisas... mas pelo menos vc desabafou... ao dar o "grito"
:)

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