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Monday, January 30, 2012

Danilo, vai se foder.

Nem todo mundo que me lê me conhece pessoalmente. Problemas de auto-estima à parte, tenho a perfeita noção de que a minha aparência, loira de olhos azuis alta e magra, é socialmente aceita em todos os ambientes pelos quais circulo. Imediatamente quando entro numa lanchonete ou restaurante, ou mesmo numa loja, a relação de subserviência entre mim e o garçom ou o prestador de serviço se estabelece como se eu fosse milionária, como se eu fosse muito mais que ele. Inúmeras vezes as pessoas me fizeram favores, facilitaram meu acesso a determinados serviços, me deram coisas aleatórias, simplesmente porque simpatizaram comigo imediatamente. Nunca fui rejeitada numa entrevista de emprego; parte significativa disso sempre se deu por ter essa carinha de menina classe média criada a Danoninho.
Eventualmente, tenho dificuldades em fazer impor a minha posição sobre determinadas coisas, porque a despeito de minha aparência ser socialmente aceita, também suscita reflexões que levam as pessoas a considerarem que tenho pouca capacidade de discernimento, que me falta inteligência ou mesmo competência para dar cabo de algumas tarefas. Em português mais claro, sou mais facilmente taxada de "burra", e geralmente ninguém espera de mim grandes feitos intelectuais. Passo, assim, a vida a provar aos outros que não só não sou burra, mas que também sou capaz de decidir por mim mesma quais são as melhores opções. Nunca, mas nunca mesmo, dei risada de uma piada de loira ou as reproduzi. Mesmo assim, caso eu cometa algum deslize ou distração, que qualquer pessoa comete de vez em quando, isso é imediatamente atribuído ao fato de eu ter nascido loira. É, não faz sentido pra mim também. Mas as pessoas acham isso engraçado. Como eu não acho nada engraçado ter minha capacidade intelectual colocada à prova, principalmente vinculando isso à cor dos meus cabelos, eu nunca rio, fico brava e pouco me interessa se a piada é leve, grosseira, bem bolada ou o que for. Não gosto que se divirtam à minha custa usando minha aparência como motor da piada. Live with that.
Apesar de todo esse preâmbulo, receio que meus problemas não sejam nada perto de uma pessoa negra. Ninguém nunca pensou que eu estivesse com intenção de cometer furtos no supermercado, episódio bastante corriqueiro relatado por centenas de pessoas. Tampouco dizem que um serviço malfeito é um serviço "de loira", como costumam falar dos serviços "de negro". Tampouco vi minha família ser presa, violentada, castigada, e tampouco tenho poucas gerações atrás a marca do couro cravado na carne de minha avó. Ninguém nunca me mandou prender os cabelos, criticou a grossura de meus lábios ou de meu nariz. Jamais fui barrada em qualquer estabelecimento, ou julgada capaz de cometer alguma maldade apenas por minha aparência. Não sou eu que, olhando numa sala com mais de 100 pessoas, não vejo ninguém da mesma cor que eu. Tampouco sou eu que recebo o salário menor (e isso não sou eu quem invento, é o IBGE que computa) apenas porque sou negra. Assim, sou perfeitamente capaz de entender porque um humor "inocente" (sic) ofende tão imediatamente a tantas pessoas. Elas estão de saco cheio de serem julgadas, ofendidas, humilhadas, reconhecidas pela sua cor, embora façam um monte de coisas além de simplesmente serem negras.
Por uma sorte qualquer, sou heterossexual. E assim, nunca fui vítima de nenhum estuprador querendo me "ensinar a ser mulher", tampouco fui abordada num bar ou qualquer estabelecimento exigindo que eu e meu namorado parássemos de nos beijar. Embora tenha gente que diga que "quando há exageros, seja o casal hétero ou homossexual, sempre serão reprimidos", a repressão ao casal hétero geralmente não ultrapassa o limite das palavras. Assim não se dá com os casais homossexuais que apanham diariamente em espaços como a Avenida Paulista ou milhares de outros recônditos do nosso Brasil. Assim como não me divirto com piadas ou teorizações sobre as minhas práticas sexuais, entendo perfeitamente que os homossexuais não se sintam à vontade com as inúmeras piadas, veladas ou abertas, feitas sobre as suas preferências sexuais. E não é por causa de uma "mera piadinha" que se ofendem tanto; é porque passam a vida ouvindo "meras piadinhas" o dia todo. Sério. Enche o saco.
Então eis que surge um humorista brasileiro qualquer e me diz que “todo mundo ri com piada de gay ou de loira”. Eu não. Eu não rio, nem faço piada desse tipo. Tenho inúmeros amigos e colegas que tampouco são adeptos dessa prática. Isso significa que sou uma pessoa séria, que nunca ri? Garanto que sempre tenho do que rir. E que eventualmente, rio das pessoas, de algo que elas fizeram, de uma salsinha no meio do dente. Nunca de algo com o qual elas nasceram, e do qual não deveriam ter que se envergonhar ou rir amarelo, para não entrar em conflito. Tem gente que acha que reclamar disso é “modinha”, e que virou “palhaçada”; essas pessoas certamente não entendem o tamanho da opressão que se expressa de maneiras sutis, e também no humor. O humor reflete várias coisas, reflete a cultura de uma sociedade. A gente ri de negros, gays, mulheres, loiras, e os coloca em situações pejorativas nas piadas porque? Porque nessas piadas as pessoas precisam ter cor?
A palhaçada, pra mim, já começou há muito tempo. E não é a reação, mais que justa, de quem se sente ofendido. Aliás, caso eu profira alguma piada que ofenda alguma pessoa e ela me reportar isso, a primeira coisa que vou fazer é me desculpar, a segunda é nunca mais repeti-la. Se se tratar de uma parcela expressiva da sociedade, representada em entidade associativa, mais ainda. Aqui, quem define o exagero, não é quem faz a piada: é quem é alvo dela. É muito fácil, espectador da realidade, achar que determinada pessoa exagerou na reação ou que não era pra tanto. Na boa, se não foi com você, baixa a bolinha. Você não sabe o que foi que essa pessoa aturou até hoje para não aceitar determinadas brincadeiras.
Espero, caso realmente seja uma moda, que essa moda pegue e fique. Das pessoas não aceitarem o humor rasteiro, preconceituoso e pejorativo. Das pessoas, que se dizem tão inteligentes (quando é pra criticar a tal da Luiza que estava no Canadá), não consigam achar graça de humores tão desprovidos de conteúdo como esses.

Friday, January 27, 2012

Teresa Cristina - guardem esse nome

Esqueçam aquela famigerada, sem graça, irreal e malfeita vilã da Globo; estou falando de uma artista de fato, que canta um samba bom demais. Eu não a conhecia, mas um amigo meu bem mais antenado que eu nessas coisas, me mostrou o CD dela, e eu amei. Ela tem suas próprias composições, mas também revisita algumas clássicas, como essa aí abaixo.
Escutávamos esse CD no carro enquanto procurávamos por biquínis de emergência num final de semana qualquer, e uma das meninas, uma argentina super simpática, cantarolou o refrão dessa música. Não é uma gracinha? Ela conhecia esse sambinha mimoso!
Adorei, espero que vocês também curtam. Em dias de Michel Teló, um samba de qualidade me alenta!
Olhem só :)

Thursday, January 26, 2012

Tenho muito o que fazer

Semana que vem, estando sem carro, forçosamente concluirei minha mudança, uma vez que o trajeto de ônibus é impraticável. Provavelmente não vou ter internet logo nos primeiros dias, mas terei muito o que fazer, afinal, tenho uma casa inteirinha pra montar! Não sei se vou consegui relatar pormenorizadamente, mas tenciono bater fotos.

Os dias em Gothan

Aqui em Gothan City a vida é bem mais calma; um tipo de calma diferente, oriunda daqueles confortos de quem vai à casa da mãe e não se preocupa com quase nada. A casa é limpa e arrumada, a geladeira é cheia, as roupas são lavadas e passadas. Rose, nossa secretária do lar, havia passado um tempo distanciada, mas agora voltou a reinar por aqui. Sexta passada, ao entrar em casa, tive certeza de sua volta só pelo cheirinho que recendia nos corredores: do pano úmido com o Veja que ela passa dezenas de vezes no mesmo dia. A ordenação de meus livros na estante,e diversos outros carinhos demonstravam que ela tinha voltado.
Me fez waffles essa semana, a danada. Eu nem podia comê-los, afinal, encontro-me nesse estado lastimável que vocês já sabem. Mas um dia depois provei; eram deliciosos como de costume. Foram meu almoço hoje.
Ontem fui com minha tia depois da endoscopia comer na São José - sei que em virtude de tudo o que passei não deveria, mas tínhamos muita fome, principalmente eu, que não como sólidos há vários dias. Passamos a tarde conversando e rindo entre um suquinho e outro. Não sei se volto para minha Ilha no sábado ou no domingo, mas será em breve. Precisei deixar meu carro na UTI de lataria e agora só o resgato na quinta-feira que vem.
Assim os dias têm corrido; temos ido muito ao hospital, por minha causa e de meu pai - ele recebeu alta hoje de manhã, e a despeito de reclamar da dor nos pontos, sente-se melhor. No restante do tempo, vamos administrando as coisinhas que precisamos fazer. Revisitei meus livros antigos e comecei um novo, de literatura, o qual havia ganhado de aniversário de um amigo e ainda não tinha tido tempo de ler. Conto mais sobre ele quando estiver novamente entediada. Vocês devem compreender que tenho passado muito tempo deitada, e o note esquenta e me incomoda. Santo remédio para sair dessa internet.

Wednesday, January 25, 2012

Minha estreia

Hoje, daqui a poucos minutos na verdade, vou ser submetida a uma endoscopia. Pensei que morreria sem fazer uma, e confesso que estou (com o perdão da palavra) me cagando de medo. Mas vou encarar: depois de todos esses dias mal, indisposta, prostrada, combalida e derrubada, sinto que se não for à raíz de meus problemas, todos esses percalços terão sido em vão. Espero descobrir uma mera infecção bactericida, mas pelo que conversamos Doutor Gastro e eu, temos no mínimo um refluxo cabeludo para pentear. Estou em jejum desde 4h da manhã (sim, porque se o jejum era de 8h, eu o iniciei exatamente 8h antes do procedimento), e sem beber água desde que levantei - isso sim o que mais dói. Enfim, torçam por mim, e me enviem bons pensamentos, tanto para a saúde quanto para meus medos, sim? :/

Monday, January 23, 2012

Por isso, estou em Gothan

Vim na sexta-feira, num ato irrefletido em que achei que já podia. Pfff. Papis internado vai se submeter a uma cirurgia amanhã, e eu aqui dispersando minha mãe de sua função precípua de cuidadora dele. Nos eventuais rasgos de consciência que tive, gostei de estar aqui, são dias bonitos como os de feriados.

Não morri

Mas juro que em algumas horas, senti que cheguei perto. Tive uma virose, um refluxo junto, estou convalescendo ainda. Vou ter uma semana inteira ainda de atestado, exames, tratamentos, prometo ir contando agora que aparentemente estou me restabelecendo.
Voltei ao mundo dos vivos!

O Testamento

Possuo parcas merrecas, porém, precisava dividi-las entre as pessoas que gosto. Assim, em vários momentos dos últimos dias, passei a catalogar aquilo que de maior valor tenho, sendo mais ou menos o seguinte:

meu carro - fica com meu irmão mais novo, Thiago
meus livros clássicos do marxismo - vão todos pro PSTU de Florianópolis, para começarem uma biblioteca!
meus livros do Jostein Gaarder - vão para minha amiga Ilana
meus livros do Gabito - vão para minha colega de repartição, Cris
meus livros de culinária - ficam com minha mãe os que ela não tiver. Os demais vão pra Luana;
meus livros da Mafalda vol. I ao V - vão para Fabinho;
meus livros de literatura restantes - vão para parentes e amigos escolherem-nos, os demais podem ir pra alguma biblioteca dessas no mundo;
meus livros de Serviço Social - vão todos pro Centro Acadêmico Livre de Serviço Social da UFSC;
meus livros de educação - vão todos para meus colegas de linha no mestrado dividirem como quiserem, quais sejam: Didi, Carla, Gaspar e Evellyn;
meus perfumes - são todos de Rose, nossa secretária do lar;
meus lenços, echarpes e cachecóis - são da Cris;
todas as utilidades domésticas - são da Cris;
minhas maquiagens - ficam com a Wal;
meus esmaltes - podem ser divididos entre as amigas;
meus ítens alcoolicos de colecionador - vão para Tarcisio;
meus temperos raros - minha mãe tem a prerrogativa de se apropriar de todos que não tenha ainda, e o restante pode dividir entre amigos e amigas que saibam apreciá-los;
meus zigalhães de cosméticos - podem ser distribuídos entre todas as amigas, para que elas escolham;
meu computador - sede do PSTU de Floripa;
meu iPOD - vai para Tião;
minhas roupas e demais merrecas como calçados e bijuterias - podem ser distribuídos conforme as amigas, primas e afins os queiram;
meus materiais de artesanato - ficam para Tia Lene, a única com talento para não jogá-los fora;


Ufa!

Como se nota, nada como não ter muitos bens na vida.

Wednesday, January 18, 2012

Nisso falando

Esse final de semana vou lá colocar meus assuntos depilacísticos em dia com Elisângela, a melhor que já conheci.

É moda?

Uma boa moda que parece estar pegando entre os bofes é a de se depilarem ou, ao menos, aparar aqueles mais compridos. Recentemente, vi vários amigos meus de peito devidamente aparado, e não pude deixar de notar, afinal, a diferença entre o tórax e os braços e pernas é grande em relação ao comprimento. Todos me explicaram que são adeptos dessa prática por considerarem que têm pêlos demais, e que assim fica mais higiênico. A prática, ao que pude apurar, é extensiva às áreas genitais, deixando assim tudo muito mais limpinho e agradável! Meus amigos que dão esse confere na situação estão todos de parabéns, tenho certeza de que quem se aproxima das regiões também agradece! Aproveito para incentivar eventuais leitores que eu tenha, apesar de só receber comentários das mulheres... Limpem essa pentelheira! O resultado pode ser surpreendente!

Filme: Cavalo de Duas Pernas


E para variar, é mais uma dica do tipo soco no estômago. Um soco muito, muito forte. Já li piadinhas que quando uma pessoa quer dizer que é cult ela diz que gosta de filmes iranianos, atualmente muito bem aceitos nesses meios, recebendo premiações e tudo mais. Então, caso queiram fingir que são cult, esse é um filme iraniano, vão na fé!
Esse filme é um retrato (fiel ou não, desconheço) de o quão longe podem chegar as degradações da condição humana. Um menininho sem pernas recebe um empregado, também menino, para carregá-lo por aí: o tal cavalo de duas pernas. Aos pouquinhos, a relação absolutamente doentia e desumanizadora que se estabelece entre ambos vai se aprofundando e tornando a vida do empregado cada vez mais semelhante à de um cavalo: ele dorme entre os cavalos, descansa entre os cavalos, e até disputa corridas entre os cavalos. Seu servilismo e humildade atingem níveis os quais desconhecemos aqui no ocidente; a crueldade de seu pequeno patrão, no entanto, é bastante imaginável de acontecer por aqui. A maneira como se sobrepõe por ter dinheiro e poder comprar a dignidade de quem não o tem, a maneira como não enxerga sofrimento algum no mundo além do seu – a maneira como acredita que todos no mundo estão aqui para servi-lo.
É um filme que fala da desigualdade, da maldade, da injustiça, da miséria, do egoísmo, da fome. É brutal. Mas se quiserem assistir ainda assim, baixem aqui.

Sabe do que eu precisava?

De um dia inteiro em casa. Um dia como hoje de manhã, em que acordei, tomei café e banho e olhei super carinhosamente para aquela modesta sacola com 29 livros que O Orientador me recomendou que analisasse durante esse mês. Queria muito ter ficado com eles, analisando-os, fichando-os, passando a escrever. Mas como a vida é injusta, vim trabalhar.
Estou evitando descontar minhas horas positivas nesses dias. Agora, vamos combinar que não tem muito o que fazer por aqui, nesses dias. E nos finais de semana, quando poderia fazer isso, vou sempre à vida, já que a morte é certa.

Cof, cof

Adivinha quem foi que desde que qualificou o projeto nunca mais mexeu em nada do mestrado? Bingo! Todas as noites chego em casa e fantasio que vou fazer isso. Mas aí me distraio com as arrumações domésticas, com o maldito seriado novo que viciei, com as comidas que preciso comer e preparar para o dia seguinte... E aí já quero deitar cedo, para poder aproveitar a manhã seguinte. Você aproveita a manhã seguinte? Nem eu!
Preciso de um cronograma, urgente.

Tuesday, January 17, 2012

Na repartição

Dia tenso. Estou com um pepino cabeludo e pentelhudo nas mãos, daqueles bem difíceis. Preciso ajudar uma pessoa com graves problemas, do tipo realmente graves. Fiz várias tentativas, porém não sei se alguma delas vai surtir efeito. Quase chorei na frente do usuário durante o atendimento.
Ai senhor. Sei que ninguém vem na Assistente Social contar que pintou a casa de rosa, mas precisava o mundo ser assim tão injusto?

Não caminhei, no entanto

Depois de passar o final de semana inteiro numa casa encarapitada no alto de um morro, e de subir tantas escadas, minhas panturrilhas berravam a cada voltinha mísera até o banheiro, e não fui caminhar. Deitei cedo, e fiquei vendo filme e fazendo as unhas, enquanto esperava o sono me dominar completamente. Dormi tanto...

Engarrafamento no sacolão

Para ontem eu tinha grandes planos de comprar frutas, verduras e legumes no Direto do Campo. Ocorre que encontrei uma fila de no mínimo 30 pessoas esperando para pesar e pagar. Larguei aquela fila pra lá e voltei hoje de manhã, com muita tranquilidade e adquiri itens valiosos, tais como uma carambola, uma espiga de milho, uvas, salsinhas, e mais uma miríade de coisas que devo consumir essa semana.

Nojo

E sei lá mais que palavras expressam a minha consternação ante o caso de violência sexual acontecido dentro do programa Mais Merda do Brasil.
Eu, que idos tempos me entretinha com esse tipo de programação, vi minha vida se expandir enormemente ao romper com essa prática danosa ao meu rico cérebro. Mas ontem eu quis assistir - porque eu queria ouvir o pronunciamento do Boçal, quer dizer, Bial.
E dizer que ele "descumpriu as normas do programa" e que "o espetáculo tem que continuar" é pouco, pouquíssimo.
Ainda bem que cada vez mais eu passo as noites em melhores companhias!

Monday, January 16, 2012

Quando realmente passei medo

Sábado fomos no samba da Barra da Lagoa chacoalhar os esqueletos e ver que tipo de gente anda pela noite nesses dias. Fiquei um pouco frustrada; era mulher demais, e homem nenhum me tirava pra dançar. Prefiro muito mais o Bar do Tião – lá nunca fico parada!
Um homem alto, forte e delícia me apertou na cintura, me pegou pela mão e me foi levando pista adentro. Fui toda animada, pensei que ia dançar, que a gente ia conversar, e que...
Bom. Quando vi que havíamos atravessado a pista e ele me levava escada abaixo, estaquei. Afinal, um mínimo de diálogo prévio se exigia antes que decidíssemos fazer outra coisa juntos além de dançar. Como ele não me deu nenhuma explicação plausível, andei novamente em direção a onde estava antes. Me puxou novamente, novamente decidido (com um pouco mais de força), e me levava novamente para as escadas, quando perguntei onde ele estava me levando.
- Vou te levar pro paraííííso (insiram o sotaque mais manezinho que conseguirem).
Solto da mão dele, às gargalhadas, e ele me aperta o braço de novo, violentamente, e grita:
- Tais pensando que é mentira? Eu não conto mentira! Eu sou um poeta!
Soltei da mão de novo, fiz um joinha, e fui novamente embora. Dessa vez, com medo. Não foi num tom de “vou te comer”, foi num tom assim “banheira cheia de gelo sem o rim”.
Não, obrigada. Eu gosto do meu rim.
E voltei pra casa sem quase dançar, e definitivamente sem pegar ninguém. E mais que isso, com medo! De verdade! Tem gente do mal andando pelo mundo, que cara com olhar maldoso! O mal anda solto...

O final de semana


Num lapso de esquecimento, não levei minha câmera para registrar o final de semana com amigos que passei lá na praia da Solidão. Então recorri à internet para deixá-los todos com um pouco de inveja, mas também para eu me lembrar de como foi ótimo:
- aquele retrato da Frida Kahlo lá no quarto onde dormimos;
- os objetos lindos e cheios de história contidos naquele gigante mezanino todo de vidro, com vista para o mar;
- nossas refeições em volta da mesa de madeira, preparada a muitas mãos e boas conversas;
- o ventinho delicioso e fresco que sempre estava lá;
- o mergulho gelado porém necessário no mar domingo de manhã;
- a cansativa subida até a cachoeira, que manteve a água que bebíamos da torneira sempre gelada naturalmente;
- ter conhecido o samba da Teresa Cristina, e ter ouvido tanta Bethânia;
- ter lembrado que existem pessoas parecidas conosco;
- a massagem que me tirou da cefaléia;
- o tarot que a gente jogou no final de tarde domingo;

E muito mais!

Friday, January 13, 2012

Manhê, vomitei pelo nariz!

Postei isso ontem no face e vi o povo alucinar com minha história. Cheguei na casa de minha amiga sentindo a barriga inchada e um desconforto, então ela me orientou a fazer massagens abdominais. Fui ao banheiro e dormi durante um bom tempo. Ao acordar e ir ao banheiro de novo, passei por aquele dilema (quem nunca passou por ele?) de não saber se priorizava vomitar ou fazer cocô. Por sorte, deu tempo de fazer ambos! E na hora de vomitar, vomitei também pelo nariz! Ecccccccccccccaaaaaaaaaaaaaaaa!
Tomei um banho gelado, um chazinho, nem jantei, e dormi uma noite intranquila e estranha. Hoje estou aqui na repartição pensando no que comer, e com uma única certeza: não vai ser no restaurante lá embaixo. Tenho certeza que meu problema começou lá!

Thursday, January 12, 2012

Inflamei um cantinho de dedo no dia 31/12. Ele ficou gordinho na lateral, eu espremia e saíam coisinhas nojentas de dentro, eventualmente sangrava. Anteontem, estava com uma casquinha, a qual removi ontem. Está sarando muito vagarosamente, e por causa dele eu agora ando há quase 48h sem esmalte.

Desencanto

O desencanto sutil da conversa que não flui, não anima e não envolve. Vida que segue.

Um dia atípico

É composto por uma sessão de alongamento junto de mais 6 mulheres numa sala de apartamento, uma caminhada de 70min com duas corridinhas alternadas, um menu muito mais saudável que todos os recentes (lasagne de berinjelas com mozzarela de búfalas, totalmente aceito pela nutri)e pouco sono.
Estou me sentindo particularmente bem comigo mesma, por não ter metido o pé no jantar, e já estou ansiosa pensando no que vou comer hoje à noite!

Wednesday, January 11, 2012

Bifurca de novo

Às vezes as pessoas não podem ficar de maneira mais permanente na nossa vida, e apesar disso, elas conseguem ser o divisor das águas de coisas que nunca imaginava. Eu sei, dolorosa e pesarosamente, que é melhor nem começar a querer pra não começar a sofrer junto, mas isso não me impede de perceber, já que especificamente do jeito que eu quero, não posso ter, que quero de um jeito bastante parecido com o que demonstrava que era. Sabe quando a gente vê um bebêzinho fofo e sabe que ele não é nosso, nem pode ser, mas a gente quer um pra gente, do jeitinho daquele que a gente achou fofo? (no meu caso os bebês japinhas são meu delírio, adoraria!) É mais ou menos assim que me sinto: sei que ele não dá pra ser, mas tem que ser alguém daquele jeitinho! Com aquela risada gostosa, com aquela tranquilidade e bom humor, com aquele carinho todo que dá, de graça! Sem imbecilidades competitivas, sem piadas de loira sem graça, sem aqueles julgamentos todos que vejo nos olhos de tanta gente.
Pode não ter durado nada em termos de tempo, agora em termos de efeito... Ainda mais intolerância à boçalidade fácil da pista!

AI 5 na repartição

Aqui é proibido vender qualquer badulaque do tipo Natura, roupa, empadinha, Avon ou similares. Obviamente, num prédio com quase 800 funcionários públicos só no setor administrativo, proibição desse calibre só serve pra atiçar o povo. No dia da menina da Natura é um tal do telefone pra cá e pra lá, e todo mundo se aboleta no banheiro quando chega a menina da bijuteria, e assim a gente vai fazendo, furtivamente, algo que não deveria fazer.
Porém, que na minha opinião, não prejudica a ninguém, e tampouco aos nossos trabalhos: o balé é tão orquestrado e silencioso que só se nota pelos olhares que tem gente vendendo algo interessante nos banheiros, e uma vai revezando com a outra até estarem todas totalmente satisfeitas. Dia desses, uma mulher trouxe um homem com novidades diretamente dos EUA, e ainda por cima, ele me saca uma maquininha de cartão de crédito e parcela em 3x! Foi a glória!
Impressionantemente, no entanto, foi o fato de que nem 15min depois do vuco-vuco, já havia chegado uma proibição pela intranet, orientando que não se comercialize mais nada aqui dentro. Como só mulheres compradoras foram até o banheiro dos fundos conferir as bugigangas do moço, me questiono quem foi o dedo-duro que se prestou a ir lá na gerente denunciar o comércio, tal qual na sexta série. Tem dó.

(...)

Dia desses, para melhorar, a mesma comedora de ratazanas baixa um e-mail avisando que não quer mais nenhum tipo de papel, foto ou recado pendurado ou colado nas paredes das ilhas. Chamou isso de 5S. Eu chamo isso de não ter mais o que fazer, porque para mim é vital a lista de todos os ramais no setor devidamente pregadinha aqui na parede em frente ao telefone. Também gosto de ver as fotos com que meus colegas ornam suas paredes e mesas, é uma forma de se sentirem mais parte do espaço. Ainda mandou avisar que não podem mais haver frutas sobre as mesas, uma vez que há uma copa (de 1,5m por 1,5m) onde devemos guardá-las até o consumo. Mandou avisar, generosamente, que a água está liberada. Obedeci a questão da folha, porque alguém arbitrariamente a despregou e jogou fora sem que eu visse, mas continuo com minha frutinha aqui em cima. Porque isso não é norma da repartição, é norma dela, e às vezes a gente precisa resistir, nem que seja um cadinho.

Tuesday, January 10, 2012

Aborto prestes a ser legalizado no Uruguai!

Se você individualmente é contra o aborto, não aborte. Porém não concorde com a cadeia para quem abortou. Aliás, né, era só o que faltava: as prisões lotadas de gente, e a gente prendendo mulheres porque elas optaram por não levar a gravidez a termo. Aliás, quem não conhece no mínimo uma pessoa que fez aborto? E essas pessoas, deveriam ir pra cadeia? Deveriam ficar estéreis por causa dessa opção? Deveriam morrer infeccionadas ou com hemorragia?
Não posso deixar de rir da ameaça da Igreja Católica de excomungar os parlamentares (com todo o respeito aos católicos); tem coisa mais antiga que excomungar alguém? Tudo bem que décadas atrás, ser respeitado pela Igreja era algo de importante projeção social, mas hoje em dia, quem liga se você é católico, excomungado por si mesmo ou pelos outros?

Notícia aqui.

Adivinha se eu não estou de dieta!

Ontem passei o dia contabilizando e observando cuidadosamente tudo o que consumia, e deu tudo certo.
Até 1h da manhã, quando então estava urrando de fome e resolvi com um pãozinho francês com requeijão, e depois disso, dormi profunda e imediatamente.
A despeito de minhas escorregadelas, não desisto: enfrentei uma de minhas recentes nêmesis, a salada de alfaces, aproveitando que estava num buffet a kilo que a servia. Odeio sua textura molenga, fria, e avinagrada quando está temperada. Gosto de comida crocante. Mas como não estava temperada, enfrentei e comi, como fosse remédio, junto com as rúculas, as cenouras e as beterrabas. E evitei honrosamente o bife à parmegiana, coisa que poucas semanas atrás jamais conseguiria!
Ocorre que comendo diariamente em restaurantes self service, sempre vou ter opções desse calibre, não vai ser um dia especial. Se quiser, posso comer lasanha, estrogonofe, frango ou bife à milanesa e batatas fritas todos os dias. Isso não prestou.
Torçam por mim!

Monday, January 09, 2012

Hoje vou finalizar o esvaziamento aqui do apartamento antigo e limpá-lo. Amanhã preciso encontrar uma carretinha para levar o sofá-cama, o armário e a escrivaninha embora. Também preciso comprar produtos de limpeza para o apartamento novo, quero-o afinal impecável para receber os novos móveis! Saindo daqui em poucos minutos, devo subir escadas mais umas duas vezes, deixando objetos que se encontram em meu carro. Preciso de uma lata de tinta, para pintar minha escrivaninha. Ai gente! Ui! Que emoção!

Tem mais

Quando pensava eu que me encontrava livre de demais percalços, eis que a bateria de meu carro morre novamente, em plena madrugada numa rua super de morro. Eu juro que não aguento mais o balé de telefonar pro seguro e esperar o socorro, mas melhor isso que não ser socorrida. Fizeram a chupeta e fui até em casa, na qual o carro morreu novamente bem dentro da vaga da garagem. Resolvi não me estressar, nem me aborrecer, mas é humanamente impossível para meu eu-metódico não se coçar inteirinha de ódio por ver algo sair dessa maneira dos planos. Resolvi na manhã seguinte trocando a bateria e ficando dessa vez R$260,00 mais pobre. Na boa, em 5 dias eu gastei o equivalente à prestação de um carro zero, e isso deveria me suscitar reflexões existenciais – e suscitou.
O plano, nesse sentido, é assim que estiver totalmente adequada ao meu apartamento novo e menos dependente do carro, deixá-lo em qualquer latoeiro de responsa e fazer a maquiagem necessária à venda e troca desse veículo que a muitos lugares me levou, mas que agora não quer levar mais, e me fez perder a confiança.
Não estivesse eu tão ocupada em acabar de apreciar os momentos finais de meu recesso laborativo, teria passado cerca de 12h remoendo a quebra do carro. Como o tempo era curto, a companhia era boa e o problema incontornável, fiz como ouvi alguém aconselha dia desses e “fui à vida, que a morte é certa”.
Mas que eu bufei, eu bufei.

Amor ou ódio?

Eu sou uma amante entusiasta da segunda-feira; sempre acredito no poder de um recomeço de semana pra gente reiniciar a dieta, o exercício físico, a rotina do que for. Levando em consideração que essa é a primeira do ano (ao menos a que eu trabalho), ando toda envolvida com meus planos, passando a agenda a limpo, comendo frutas e cereais integrais, e aquela parafernália toda.
Nessa, no entanto, oscilo entre o ódio por ter acabado minha semana de folga maravilhosa, e a felicidade de poder recomeçar a vida.
A semana de festas e as primeiras do ano, quem acompanha meus históricos, pode notar que via de regra, estou sempre rolando pelo chão junto com a felicidade. Essa não foi diferente: apesar do Sol ter sido inconstante, e as pessoas sempre mudarem um pouco, algumas permanecem e não falham. Novas pessoas se apresentam e cumprem seu papel.
A pergunta existencial, nesse sentido, é como posso fazer caber a felicidade da folga junto com a felicidade da segunda-feira, que também tem lá o seu valor? Nada do que aconteceu na semana passada se repetirá nessa semana; isso me entristece e alivia ao mesmo tempo, enquanto meus eu's adolescente e ancião se debatem para ver quem vence.

Estou saudosa

Estou saudosa de peles escaldantes quase febris, de abraços magricelos e apertados, de beijos deliciosos e estralados, de madrugadas de pegação e atrapalhamentos eventuais, de abraços mais folgados durante o sono, porém não menos gostosos, de sua barba macia, seu formato compacto, sua risada gentil e sua voz engraçada, porém inconfundível.
Merda.

Que decepção, Mart'nália!

Ela não fez nada. Quem fez fui eu: dormi meia hora a mais do que deveria e cheguei na Brava quando seu show já estava no auge, indo pro final. Pegamos chuva, uma chuva intensa, mas nada disso importava, porque ela é maravilhosa, né gente? Que samba mais gostoso, que mulher energética! Que presença no show! Que alegria!
Quero lembrar o resto da vida que enquanto chovia muito, muito forte, eu estava junto com centenas de pessoas sambando na Praia Brava e cantando, junto com a Mart'nália que a vida, é bonita e é bonita!
Gritamos e sorrimos junto com ela!

Que decepção, Selton!

Sábado fui junto com uma amiga bem-relacionada ver como os chiques e famosos se comportam em Jurerê internacional, num luau só para convidados lá no Taikô. Oi?
Foi isso mesmo! Aceitei o convite de ser o plus one dessa minha amiga, alertando-a de que talvez eu não suportasse durante muito tempo o ambiente que imaginava encontrar lá (a julgar inclusive pelas reportagens veiculadas durante a semana da pegação lá na P12, uma espécie de babilônia dos ricos, em que eles pagam champanhes e destilados com energéticos a garotas louras com pouca roupa e descem até o chão ao som de não sei bem quem. E depois ainda chamam os bailes funk de comunidade de baixo nível. Aham, senta lá.) A despeito de todas essas ressalvas, resolvi topar e ir ver o que acontecia, para variar estava sem programação e poderíamos ficar as duas papeando ou mesmo ir embora, né?
Enfim, cantava lá o deprimente Claudio Zoli, uma espécie de alma gêmea musical do não menos depressive Jorge Vercilo, e a gente andava lá no meio dos chiques e famosos (e bem-comportados, não barbarizaram nem um pouquinho), quando vejo nada menos que Selton Mello indo embora! Te adoro, Selton! Beijo me liga! Faz pra mim ao vivo aquela cena de você beijando a mulher invisível!
Fiquei toda contente e emocionada, porém um pouco decepcionada ao vê-lo abordar uma menina vestida de havaiana, responsável por colocar as pulseirinhas nos convidados, e falar algumas coisas no seu ouvido e lhe dar um beijinho de tchau. Ela o contemplava sem grande reação, porém claramente não se agradava da investida dele, e o que me deixou mais impressionada era a cara que ele fazia: quem assistiu ao Cheiro do Ralo, um dos melhores filmes que já vi com ele, deve se lembrar da cara de maníaco que ele fazia constantemente, e era exatamente essa cara que ele tinha sábado...
Pô, Selton. Justo tu? Sou tão tua fã! Um pouco menos agora, juro que fiquei desapontada!
Agora, digam se não estou muito fina em 2012: inaugurei o homens irritantes com um global!

Agora é sério

Voltei de verdade!

Thursday, January 05, 2012

E como o carro pifou?

Dia 31 eu saía do norte da Ilha rumo à festa de Reveillon que participaria - isso foi um longo operativo, que incluía, dentre outras coisas, preparar um isopor lotado de bebidas e travesseiros e cobertores para passar a noite - meus e de mais 3 amigos. Quando estávamos já na SC405, no Rio Tavares, noto que o limpador de parabrisa não funciona. É assim que tomo consciência de que meu carro morrera. E de que não ligaria mais. Amigos saem na chuva para empurrá-lo, e engatando a segunda ele pega no tranco por mais...10m. Colocamos o carro na calçada, ligo para o seguro. 40min depois, chega o motoboy para constatar que não era bateria. Era o alternador. Liga de novo, chama o guincho, e o táxi. 45min depois, o guincho chega antes do táxi, e temos que descarregar o carro de todos os objetos e levá-los, na chuva, para o outro lado da rua, sob uma marquise. Mais cerca de 15min e chega o nosso táxi, e com quase 2h de atraso, estamos entrando na festa, já ligeiramente alcoolizados (lembram do isopor?) e injuriados. Que fechamento pra esse ano, hein?

Talvez eu quase tenha morrido ontem

Meu carro pifou, e isso é uma longa história. Tirei-o da oficina e fui imediatamente abastecê-lo, e lá, por mais que virasse a chave na ignição, ele não funcionava. O frentista me alertou, assustado, que estava vazando gasolina. Abrimos o capô e a mangueirinha estava solta. Isso tudo ali, bem do lado da bomba.
E já pensou se voa faísca e eu viro carvão? Ou pior, se sobrevivo e viro múmia?

De passagem


Estou aqui dando uma passada que pode ser mais ou menos breve, vai depender da hora que chega aquela ligação, sabe?
Tive direito a essa semana de folga na repartição e a tenho aproveitado na praia, com os amigos, com atividades lúdico-amorosas, com um pouco de álcool e um tiquinho de azar.
Tivemos uma virada linda, porém chuvosa, que findou por tornar nossa festa meio restritiva. Essa foto é um breve lance da nossa mesa, cheia de comidinhas árabes - nossa festa era temática, em homenagem à vibrante e emocionante primavera árabe de 2011. Às vezes, sinto medo de morrer sem ver uma revolução na vida - por esse critério, quase já posso morrer!
Enquanto tenho tempo, vou contando as coisas...
Feliz 2012!

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