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Monday, January 26, 2009

Puxa a mala lá de cima...

... que eu vou-me embora! Acho que já não tem mais porque não escrever, já é público e notório que estou de mudança para Belo Horizonte. Vou sentir falta do mar, acho o cheiro da cidade estranho, e nunca peguei ônibus reparando nos números. Mas estou de curso novo na faculdade, e doida pra comprar uma lapiseira nova! Deixo pra trás tudo que não couber na mala, não sei de quanto em quanto tempo volto para visitas, ainda não tenho onde morar... A única coisa que não fica pra trás é meu motivo de fazer sorrir. Lindo, colorido, pelo menos nos olhos dele o mar vai junto!
Espero que em pouco tempo, eu saiba fazer um pão de queijo caseiro respeitável!

Friday, January 23, 2009

Maldita Coceira...

No meio do abraço mais gostoso do mundo, pele cheirando a sabonete ainda, o queixo enfiado no côncavo do ombro, a bochecha colada no peito, e a testa roçando no queixo, uma mão nos cabelos, a outra em volta do braço, um maldito, amaldiçoado fiapo de cabelo voa e fica roçando na bochecha "livre", e começa a dar coceirinha. Avalio minhas opções, será que tiro o braço debaixo do braço que me circunda, não, isso desmonta o abraço todo, no entanto o outro braço está mergulhado no cabelo sedoso embora meio malcheiroso hoje dele. E agora? Penso então que sou forte, não tem porque eu largar um abraço tão delicioso feito este por causa de uma reles coceirinha, sou forte e resistirei, ninguém me tira desse oito em que estamos virados, que dirá um cabelinho rebelde se balançando ao vento...
...
...
Mas é claro que a coceirinha foi ficando cada vez mais insuportável, e depois de umas esfregadas naquela maciez imensa do ombro e do peito, continua coçando...
Resolvo então tirar a mão dos cabelos, que é a que menos desmontaria nosso abraço; no entanto, ao tomar firmeza para deixar o local, meus dedos afundam naquela gostosura que é uma pele de nuca com o pescoço dobrado, macia e fresca ainda por cima, graças ao ventilador. Desisto, já com vontade de chorar de tanta agonia pela coceirinha.
Então eu olho para cima, aquela barba malfeita no queixo, que eu odeio quase sempre, levanto a bochecha e roço de um lado para o outro, até que me sinto plenamente aliviada.
Depois de tanta atividade mental, infelizmente, cansei de tentar dormir, e larguei o meu universo de algodão doce e vim parar aqui, diante desse computador.

Tuesday, January 20, 2009

Das coisas que não posso compreender

Um cara estúpido, insensível e pau no cu, só que com um tom de voz modulado, me fudeu até não mais poder nos últimos meses. Tratou de me deixar insegura, me sentindo inútil, estúpida e inclusive me fez questionar as poucas certezas que eu tinha. Aquele punhadinho de alegria, aquele que geralmente nos resta mesmo quando nos tiram tudo, sabe? Ele fez questão de, qual adulto cruel frente à criança bobalhona, abrir a minha mãozinha rechonchuda e soprar meu punhadinho pelos ares. Fez isso com uma voz convincente e gentil, quase sempre calma, e quando isso me exasperou, ele foi ainda mais gentil e teve a voz ainda mais calma. Foi neste momento que eu percebi que estava ficando maluca.
Surtei, e sumi da frente dele. Fugi tão bem fugido que ele só me encontrou um mês depois. Com a cara mais lavada, foi gentil e com voz tranqüila ao telefone que afirmou ter sentido minha falta, não entender o meu sumiço e me chamar para tomar uma cerveja - totalmente bem intencionado.
E eu, mais uma vez pensei: devo ser mesmo maluca, uma pessoa tão calma, tão centrada.
Depois pensei melhor. Fiz uso de minha memória maravilhosamente azeitada, e lembrei que graças a Deus há um tempo cada vez mais distante dos dias de hoje, convivi com o mesmo tipo de doente psicopata. Qualquer semelhança não deve ser mera coincidência. Descobri que existem algumas pessoas com esta característica, elas não estão sozinhas no universo. Existe também o "tipo delas". O tipo que te manipula, te leva ao desespero, ao ódio e à mais completa degradação psicológica existentes, sutilmente te criticando e irritando, e quando te ver explodir, imediatamente retroceder e passar a ser manso.
Odeio esse tipinho. E prometo passar longe, sempre que conseguir identificá-lo.
O diacho é que o tipinho é tão manso, que é bem capaz de eu me ver num bar, bebendo uma cerveja com o tipinho, e me sentindo uma alienígena novamente...

Friday, January 02, 2009

Pequenas vinganças

Acho que talvez já tenha postado isso, mas como ninguém lê esse blog mesmo, foda-se, quem ler lê de novo. Meus alunos são esnobes, idiotas e acham que eu sou paga para lamber o chão que eles pisam. Eu não faço exatamente isso, mas relevo várias coisas que eu jamais permitiria numa pessoa que fosse de minhas relações pessoais, o que não significa exatamente que eu esteja "ok" com eles.
Por isso que quando algum se dá mal, fico felizona.
Vários deles fizeram cursinho o ano inteiro, pra poderem passar no vestibular de Administração, Economia ou Contábeis - afinal, eles são funcionários de banco e querem seguir carreira. Qual não foi minha felicidade ao saber que nenhum, absolutamente nenhum, teve um desempenho capaz de levá-los à UFSC?
Ninguém manda ser burro, fútil e porta. Isso só me deixa mais segura e tranqüila em relação à qualidade das minhas aulas - não no sentido de que são boas. Não, elas na realidade são péssimas.
Mas me consola saber que eles não saberiam dar valor a uma aula decente.

Pequenas Vinganças II

Tem o outro cara, o almofadinha que divide essa turma comigo. Vai de camisa social, todo polido, correto e com jeitinho intelectual. É mais ambicioso que a Flora da novela, mas age com uma educação irrepreensível. E eu, com a mesma educação, resolvi que no ano de 2009 vou foder a vida dele um pouquinho. Não é nada muito sério: é só que geralmente eu facilito as coisas pra ele, fazendo e digitalizando as chamadas, mantendo a turma organizada no horário de troca de professores, para que ele possa iniciar rapidamente a sua parte da aula. Pois agora eu resolvi que ele vai se danar. Vou trocar o horário de almoço dos insuportáveis, e ele vai ter que chegar, fazer chamada, organizar a turma, e nessas ele vai perder quase 1h.
Agora, me pergunte se eu ligo: ligo, sim. Vou ficar amarradona vendo-o se danar um cadinho...

Quando eu me confundo

Tem vezes que eu fico insatisfeita comigo mesma - até aí, normal. Mas várias vezes, fico insatisfeita comigo mesma duas vezes: a primeira, por algum motivo, e a segunda, por ter dado importância ao motivo ao invés de me respeitar e valorizar como sou.
Dias atrás eu estava no Chile e uma mulher, brasileira bem mais velha e casada, parou o que estava fazendo para vir me dizer: "você é muito linda, sabia?". Aí eu sorri e agradeci, e ela passou.
Dali para a frente, é claro que fiquei toda sem jeito sempre que via a mulher perto de mim, querendo ser além de muito linda, educada gentil e muito mais, para não frustrá-la. Para que ela não pensasse: "muito linda, mas fala palavrão..., "muito linda, mas anda com a coluna toda torta...", "muito linda, mas come fruta sem lavar...".
Aí passei o resto do passeio sorrindo, falando baixo e educadamente, mantendo a espinha ereta, não aceitei nada de comer, e fiz de tudo para não respirar. Depois, fui ficando enraivecida pelos meus modos, falsos, que havia adotado para não me permitir cair no conceito da mulher.
Tudo bem de perto é ligeiramente, ou mesmo extremamente vulgar; porque é que justo eu seria diferente? Porque o fato de eu ser desbocada, ter uma pancinha de estimação, gostar de descascar o esmalte e de comer na rua ia me tornar menos "muito linda"?
Não sei. Eu admiro as pessoas que não fazem nada disso, que se expressam sem gírias nem palavrões, que mantêm a coluna no lugar, sempre estão com a aparência impecável. Principalmente se essas pessoas forem "naturalmente" (se é que é possível isso ser da natureza de alguém) assim. Infeliz ou felizmente, não é o meu caso, mas acredito nas belezas inusitadas que encontramos na vulgaridade. Acho que é mais fácil eu encontrar algo belo no arroz com feijão, que encontrar uma decepção no meio da finesse.
Sabe-se lá...

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