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Tuesday, February 20, 2018

Que Carnaval esquisito

Para ser mais honesta, que verão horrível! Chove torrencialmente há quase três meses aqui em sonífera ilha e adjacências. Tive 10 dias de recesso no final do ano, totalizando UM DIA DE PRAIA. Um fuckin dia.
Semana após semana, tentei me deslocar para pegar uma praia, uma piscina, e a chuva e as nuvens não paravam. 
Janeiro foi embora e não levou a chuva junto. Aí eu tive (novamente) 5 dias INTEIROS de recesso, e o Sol sequer deu as caras.
Comprei um vestido de tule. Coloquei o namorado artesão para confeccionar o meu adereço de cabeça (uma meia-lua toda cintilante). Tirei os glitter tudo para fora e ainda comprei uma orelha de gato.
Tudo isso, Brasil, para ter chovido e ficado nublado absolutamente TODOS OS DIAS DO FERIADO. Na terça-feira estava até frio!
A coisa mais incrível do Carnaval, para mim, são as fantasias. É poder brincar com os adereços, e principalmente, as maquiagens. Passo semanas me preparando, assistindo tutoriais, e procurando acessórios nas lojinhas do centro.
Amo a decoração de rua, amo estar na rua (não lembro de, depois de adulta, ter frequentado algum baile fechado), e saio do final da festa de alma tão renovada quanto se tivesse ido a um retiro de yoga. Não que eu já tenha ido a algum retiro de yoga, mas vocês entenderam o que quis dizer. 
Minha frustração está sem limites hoje! Quero meu verão de volta!

Thursday, February 15, 2018

A jornada da aceitação

Ontem, em minha sessão com A Analista, relatei uma série de histórias antigas a meu respeito, cuja semelhança entre elas era o fato de eu querer ser de um jeito, mas não ser - ser outra pessoa.
Em janeiro de 2006, eu fiz uma viagem para a Bahia, com uma amiga minha. Me apaixonei pela natureza, pelas praias, pela culinária (ensandeci com a diversidade de frutas e temperos), pelo sotaque, pelo jeitinho das pessoas... cheguei mesmo a achar que eu tinha nascido no lugar errado!
E em Porto Seguro, me aventurei a comprar um negócio chamado jetbronze - a pessoa pagava um valor, e levava um jato de óleos (provavelmente urucum e canela) que acelerariam o bronzeado. Para intensificar o processo, ainda fiquei sem filtro solar aquele dia - meu projeto era chegar de volta das férias muito morena (spoiler: isso nunca viria a acontecer em toda a minha vida). De vermelha, passei a descascada, para chegar em Santa Catarina com uma pele novinha, branquinha e sem nem marca de que havia passado dias no nordeste.
Minha amiga havia me alertado de que aquilo não era para mim, mas diante de minha insistência, eu fiz o tal procedimento que em nada resultou. Ela riu MUITO disso, eu nem tanto (devo ter rido só de desespero) e fiquei até um pouco magoada. Na minha cabeça, poderia ter algo lá no Nordeste mágico, uma substância que me coloriria, que retiraria a melanina lá de dentro do meu código genético... Enfim. Não foi daquela vez - ou de nenhuma outra, para ser mais exata.
Durante anos, eu ainda haveria de tentar outros produtos, filtros solares com fator inadequado para minha cor, me queimaria, passaria por insolação, enfim, estaria naquela batalha. Agora, passo diariamente o fator mais alto que consigo no rosto, sempre um FPS30 no corpo, reaplicando prodigamente se entro na água, optando por sombra e pelo horário após as 16h. Com isso, com essa luta vencida, consigo corar um pouquinho - bem pouquinho, para ser exata, em relação aos outros, mas muito em relação a mim.
Assim como esse pequeno fato, eu queria muitas outras coisas: ser pequenina e delicada (sou comprida do pescoço às pontas dos dedos dos pés), ser coordenada, graciosa de movimentos, ser organizada (isso, confesso, veio depois...), ser bonita (num sentido completamente diferente do que posso dizer de mim hoje)...
E ontem, ficamos trabalhando essa percepção do desajuste. Como eu passara anos de vida me abaixando ao lado de minhas amigas, nas fotos, e saindo muito pior do que se, simplesmente, me esticasse de meu tamanho. Sempre caminhei olhando para o chão: até hoje, tenho dificuldade em caminhar com os olhos na altura do horizonte. Como se fosse dificultoso para mim, estar em meu próprio tamanho.
Com o passar dos anos, fui tendo outros desvios, percepções distorcidas de imagem: de que estava mais gorda do que realmente estava, e hoje em dia, preciso lutar comigo constantemente para me lembrar que não estou gorda. Nem mesmo quando (e se) eu engordar 10kg em cima do meu peso atual eu estarei gorda. 
Ainda preciso constantemente me relembrar, quando vejo uma roupa laranjada ficar excelente em outras pessoas, que isso não é necessariamente excelente em mim, tão branquinha e de paleta fria, que detestei cinza a vida toda, mas a verdade é que o cinza me cai imensamente bem. Eu fico muito colorida de cinza, goste ou não.
Quanto mais vou me aceitando, mais vou desabrochando e me aproximando de um ideal de mim mesma meio borrado, que eu passei 33 anos visualizando de maneira separada de mim mesma, e agora, gradativamente, vou ajustando dentro de uma pessoa de verdade. Não a pessoa inventada pelas minhas ilusões de quando mais novinha, a pessoa que já chegou. 
O mais incrível, no entanto, é perceber a dificuldade que tenho em me ambientar aqui dentro da pele que habito, fincar o pé onde estou, me relacionar com a realidade. Me fio naquela máxima de que viver é melhor que sonhar, mas sou uma sonhadora incorrigível. 

Friday, February 09, 2018

Na repartição

Eu sei que eu já havia decidido nunca mais pegar elevador aqui. Mas outro dia, depois de um treino de pernas especialmente massacrante, tive que me utilizar deste para conseguir me locomover, apenas para descer.
Entra comigo um engenheiro, com quem não tenho nenhuma, repetindo: NENHUMA intimidade. Ele sorri para mim, coça um pouco o ouvido e me diz:
- Estou produzindo tanta cera que poderia até abrir uma fábrica de velas!

Sorrio de desespero e saio correndo, assim que o elevador se abre, para chorar no cantinho.

PRA QUE, Brasil?

Wednesday, January 31, 2018

Um novo blogue

Às vezes me dá vontade de criar um novo blogue. Com um projeto de pauta, onde eu fale somente de assuntos mais genéricos, como as minhas receitas, as minhas viagens, dicas que aprendi nesses anos de fuleiragem, para economizar, cuidar de mim, e por aí vai.

Um lugar bonitinho, ajeitadinho, com fotos decentes e textos decentes. Tenho um certo apego, no entanto, ao pensar em tudo que já consolidei aqui de escrita. Mesmo que não seja grandes coisas, tenho muito material aqui publicado. Talvez aqueles que se encaixassem, eu poderia então migrar para lá.

Dizem que o wordpress é bem melhor que o blogger, ferramenta que uso há mais de 10 anos, porque era o que tinha na época. 

O que vocês acham? 

Monday, January 29, 2018

Sobre os exercícios de disciplina da semana

A primeira semana, com motivação, foi que foi uma beleza! A segunda, animada, resolvi continuar com os mesmos exercícios, adicionando outros dois.
Mas aí, tem um negócio muito impressionante que começa a nos puxar, mundialmente convencionado como "zona de conforto", e foi só dar uma mexida, que o corpo pediu homeostase.
No meio da semana, fiz uma viagem rápida, e dali em diante, foi um acontecimento em cima do outro conspirando para que eu cumprisse meus exercícios de maneira irregular e inconstante. Para que minha disciplina ficasse menos nítida, mais difusa.
Porque a minha zona de conforto não é confortável (se é que alguma é). A minha é bagunçada, com coisas acumuladas, com muita tralha, com desejos de ser melhor, mas também muita confusão. Não é aquela zona de conforto metódica, de quem deixa a superfície ao menos organizada. 
E uma das coisas que combinei comigo mesma neste ano, era que eu ficaria muito consciente do que estava sentindo, e mesmo descumprindo o que havia combinado comigo, estive consciente. Conversei intensamente comigo mesma, não me deixei levar sem nem perceber.
O engraçado foi que, ao perceber, eu senti o desmanchar de minha desconfortável zona de conforto. Um hábito seu, que você não goste, só é bom de se manter quando você não percebe, quando ele está te levando de maneira suave. Aquilo que começa a te produzir pequenos choques, que você esbarra, encalha, a correnteza te afoga um pouco... já não é tão bom. 
De modos que, nesta semana, os exercícios da semana que passou estão mantidos. Quero ler o Fausto diariamente, até conclui-lo. E fazer minhas pranchas, e manter minha casa limpa e arrumada. 
Mas tudo bem não ter feito semana passada, porque chega de se depreciar, não é mesmo? Chega de achar que há um fracasso abalando tudo, quando na realidade, não há nada de mais em ter resistência a mudar. Mudar leva tempo, mesmo.
Quanto a comer em casa, quero também, mas essa semana eu tenho alguns programas marcados já. Então quero comer somente em casa, salvo quando meus programas forem sair para comer. 
Por precaução, também, reagendei meu horário com A Analista, local que não estava mais frequentando.

Uma coisa que me dá nojinho

Há anos que evito o elevador de manhã porque não gosto dos cheiros matinais das pessoas, uma vez que considero cheiros íntimos demais para a gente sentir assim, de gente de quem não tem intimidade.
Pois desde então, subo sempre as escadas, prática que considero não só mais segura e higiênica (eventualmente, a luz acabava aqui na repartição e algumas pessoas já ficaram presas), e me poupei deste tipo de dissabor.
Ocorre que, na manhã de hoje, meu chefe, extremamente parecido com o Sebastian, da pequena sereia, chegava de suas férias, todo animadinho. Lépido, fagueiro, cabelinhos cortados, sorridente como só aqueles que recém chegam de seu descanso podem estar.


Ocorre que Sebastian usava um desagradável perfume, que tenho memória olfativa de conhecer de outros tempos, me parece que alguma fragrância da Natura - e era lógico que essa maldita fragrância se grudou em mim, irremediavelmente. 
Justo hoje que nem passei o meu próprio perfume, pois tinha uma enxaqueca alucinante na noite que passou.

Monday, January 22, 2018

Os exercícios de disciplina

Na semana passada, eu tinha combinado comigo mesma uma meta fácil, e a outra, moderada: não comer fora de casa, e diariamente, dedicar 15minutos no mínimo para arrumar e limpar a casa.

Mesmo aquilo que considerei fácil (não comer fora de casa), teve alguns pequenos percalços para manter: como no dia em que fui ao cinema, e o cheiro da pipoca me invadiu, e o sábado, na praia, em que saí de casa com o café da manhã tomado, mas já passava muito da hora do almoço quando me deu fome e eu ainda estava por lá. Mas consegui, mesmo tendo tido umas vontades: de tomar um café, de comer um almoço mais rápido na padaria em dias de chuva... Foi enriquecedora a experiência. Recomendo a todo mundo, durante alguns dias, apenas não fazer aquilo que é habitual (seu e dos seus ao redor), só para observar de fora um hábito.

A meta moderada, eu cumpri com algumas irregularidades: numa determinada noite, deixei para fazer mais tarde e acabei esquecendo. Compensei no dia seguinte. E no domingo, aumentei o tempo, aproveitando que me sentia animada e motivada. Não considerei as tarefas cotidianas (cozinhar e lavar a louça) como parte destes exercícios, mas sim, o restante, aquelas que não gosto tanto de fazer. Terminei a semana com o armário arrumado, sabendo muito melhor o que vestir!

Minha ideia é manter os exercícios nesta semana. Não deverei ainda comer fora de casa, e deverei manter os 15min diários, só que preciso aumentar um pouco a dificuldade: decidi marcar um horário, para cumprir esta tarefa. Então diariamente, logo antes do jantar, deverei durante 15min fazer meu trabalho doméstico. No horário de verão, gosto de jantar por volta das 20h, assim, é início de noite.

Além disso, durante esta semana, diariamente, quero ler um capítulo do Fausto, livro que iniciei um ano atrás, ficou chato, larguei, mas não consigo abandonar nenhum livro. Sempre leio até o final, e quero terminar este. Essa é uma meta moderada, porque gosto de ler, mas não estou apreciando essa leitura. 

Também quero ir me treinando para a questão da atividade física sair melhor e com maior frequência: diariamente, também, farei 4 séries de prancha, em qualquer lugar (casa, academia, tanto faz). É uma meta fácil, mas preciso do hábito de fazer. 

Como só estou começando hoje, estas metas serão feitas até a próxima segunda-feira. Recapitulando:

1 - sigo sem comer fora de casa;
2 - sigo fazendo 15min de trabalho doméstico por dia, porém, sempre antes do jantar;
3 - ler um capítulo do Fausto todos os dias;
4 - fazer 4 séries de prancha todos os dias.


Thursday, January 18, 2018

Apenas um relato solto de um dia ordinário






Mais uma visita à Ortodontista (e vocês nem imaginam o tanto que estes dentes já se movimentaram), que termina comigo nervosa, sempre saio de lá mais mexida do que entrei, mesmo que em teoria, ontem tenha sido quase indolor.

Descobri as maravilhas do Buscopan em gotas somente aos 33 anos de idade, honestamente, não sei como fazia antes. Decido tomar algumas, porque nosso cinema era logo, e eu ainda me sentia com o abdome distendido, desconfortável. Fecho meus olhos, que ardem, decido tirar as lentes também. 

No quarto geladinho, o cãozinho ressona e de vez em quando bufa. Sim, meu cachorro tem 14 anos de idade e gosta de reclamar, então volta e meia, ele solta um FFFFFFFF, muito ostensivo.

Em cima da cama, procuro uma posição cômoda, administrando dois travesseiros, e duas pessoas: a minha, e a dele, que está sempre por perto. Sempre quer estar mais perto, por mais que já esteja perto. 

Conversamos cumplicemente, no escuro, coisas nossas - nossos dias, nossos planos, e reviramos nossa história desde o princípio. As partes que mais gostamos, as partes que divergimos (como o dia em que ele me pediu em namoro, eu perguntei o que mudava, e ele retirou o pedido) sobre o que realmente aconteceu.

Falamos também de futuro, e das coisas que queremos para nós, das que não queremos, e de como gostamos de estar ali, vivendo nossa vida e fazendo as nossas coisas. 

Não há presente maior que o presente, quando bem aproveitado. E ontem, fazendo contas, percebemos que fazia um ano que eu havia me declarado a ele. Tinham só algumas semanas de convívio, nenhuma perspectiva de futuro (ele tinha uma passagem só de ida marcada para 25/01/2017), e eu estava irremediavelmente apaixonada.

Ele voltou. E ainda está aqui. 

E ao voltar, trouxe consigo o meu mixer do coração


Teve que comer meu creme de chuchu (e admitir que é bom), arrumar meu quarto, passear o cãozinho, instalar minha bancada de especiarias (finalmente tenho uma!), e até aprendeu a fazer jejum intermitente (nunca ofereci, mas ele gostou). Me deu flores amarelas de aniversário (amarelo é minha cor predileta). 

Não há nenhum dia, desde que ele chegou, em que eu não me sinta sortuda.

Mas como diz um amigo meu, importante saber quem é quem na relação, hahaha: do casal, o bonito é ele, sem sombra de dúvidas!

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