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Tuesday, May 23, 2017

Futura desdentada

Depois de literalmente anos postergando a decisão, amanhã eu me sentarei na cadeira d'A Ortodontista e ela fará um rápido e eficaz serviço: a extração de meus quatro sisos, todos de uma única vez, amanhã à tarde.
Após essa primeira "intervenção", terei que ver a possibilidade de outras extrações e o uso de aparelho ortodôntico pois segundo a dotôra, tenho uma boca muito pequena para muitos dentes.
Quem diria, hein?
Estou um pouco ansiosa pelo pós-cirúrgico, que não quero o inchaço que acompanha. Dizem que depende de meu empenho, então, vou me esforçar ao máximo.
Pensei em aproveitar os dois dias sem consumo de sólidos para me alimentar um pouco melhor. Conto sobre isso com o tempo abundante que terei.

Friday, May 19, 2017

A melhor refeição de minha vida, num dos melhores dias de minha vida: Praga

A entrada de algum café, achei muito bonitinho essa cestinha onde ficava a placa do estabelecimento e umas porcelanas tão características de lá
Ano passado, eu estava já de viagem marcada quando li sobre a greve dos trabalhadores da Airfance, companhia que iria usar. A favor de todas as greves que sou, só torci muito para que me deixassem levantar de Guarulhos com uma tripulação brasileira, que se ficasse presa em Paris, já diria o Chapolin Sincero: eu pelo menos estaria chorando em Paris.

Eu sou uma pessoa sortuda, mas considero recentemente que estou treinando o olhar para ver novas camadas de sorte, além das óbvias. Quando cheguei em Paris e meu voo para Budapeste estava cancelado, além de feliz por passar mais um dia inteiro em Paris, e um dia e uma noite em Praga (que ainda não conhecia), me senti feliz por estar de férias, e poder encarar aquele incidente como um presente.

Afinal, eu poderia estar indo para uma cirurgia, ou velório, e não era nada disso. Naqueles dias em conexão intermináveis, eu me senti na insustentável leveza do ser: tranquila com o fato de que a jornada terminaria bem, e que o trajeto também seria agradável, poderia aproveitar ao máximo as baldeações. As malas perdidas. O gasto a mais que isso representou.


Outra camada de sorte, foi saber que, dias antes da minha própria chegada nazoropa, a Pat Feldman, mulher e culinarista que admiro imensamente, estava também viajando e eu já havia anotado várias de suas diquinhas. Havia decidido ir a Praga por conta própria, de trem, no meio das férias - e no fim não foi necessário, pois eu já comecei por lá.
Coisa mais linda esse papel de embalagem - e a carne, perfeitamente picada (creio que não é feito na ponta da faca)

E uma das dicas era justamente esse lugar onde tive uma das melhores refeições da minha vida: um açougue onde as pessoas compram carne crua, mas também podem comer simples sanduíches feitos com as deliciosas salsichas assadas ali mesmo, com pães levain de um fornecedor confiável, e com vinhos "naturebas" (categorização que descobri também seguindo muito a Pat Feldman, e entendi que existem esse estilo de vinho que não é só orgânico: é de fermentação natural, biodinâmico, sem sulfitos e outros processos que aceleram e uniformizam o vinho).

Sentadinha numa banqueta, pedi o meu vinho, o meu steaktartare e algumas salsichas assadas com pão. E fiquei vendo o entra-e-sai de clientes comprando carne, lanchando os seus próprios sanduíches, e bebendo cerveja dessa torneira da parede, da qual também saía vodka. Lembrei de quando gosto de brincar com amigos socialistas sobre como em todas as casas, teriam torneiras de cerveja encanada. 
Cerveja em checo é PIVO

Passei um bom par de horas por lá, feliz e encantada com o sabor daquela carne que tinha algo de mentolado, que depois descobri que era picles. E também apreciando aquele vinho que me trazia algo de "fungo", meio de floresta, não sei explicar. Que não sabendo o que esperar, talvez considerasse o vinho "meio estragado", mas agora sabia ser a espontaneidade de um vinho vivo.

Saí dali e fui barafustando pelos corredores, pois havia uma galeria cheia de lojas de vinhos raros, gourmet e também nesse mesmo estilo: biodinâmico, orgânico, e palavras outras que jamais saberei nomear em checo. Trouxe uma minigarrafa de vinho branco italiano nessa proposta, pelo preço e pelo peso, embora quisesse trazer muito mais. 

Sonho com o dia que voltarei ao Nase Maso para comer mais steaktartare e com o dia que poderei perambular tranquila por aquela linda região de Praga, meio residencial e meio mercado de pulgas, uma rua cheia de antiquários e coisas inusitadas. Quem sabe em julho próximo. ;)

Monday, May 15, 2017

Já em contagem regressiva outra vez

"Todo ano é isso agora?"

Não, meu bem. Todo SEMESTRE é isso agora, entro em férias daqui a exatos 46 dias e vou novamente prazoropa encontrar meus pais e ter provavelmente outro verão diferentão.
Dessa vez, de lambuja, a minha conexão da sorte vai ser novamente em Amsterdam. Já estou salivando por antecipação pensando naqueles iogurtes maravilheses, naqueles queijos gouda de Gouda, nos stroopwaffles, naquelas elegantes casinhas que parecem ter um chapéu.
Ano passado, acabei tendo muitas vantagens de lambuja: conheci a Polônia, a Ucrânia, Praga (maravilhosa Praga), e mais um pequeno dia em Paris.
Dessa vez, ainda não sei como vai ser, apenas que terei 3 semanas para explorar. Enquanto isso, quem sabe, eu crie vergonha na cara e conte um pouco sobre essas coisas todas que surgiram e que foram incríveis nas férias retrasadas (pois as passadas já fui para o Japão e nem relatei sobre isso ainda, aloka).

O sucesso de uma lista humilde

Minha postagem imediatamente anterior à essa falava de assuntos bastante simples porém necessários para a vida reentrar nos seus trilhos.
Além de ter cumprido todas as metas, me superei em algumas, o que me deixou imensamente surpreendida!
Tanto, que nessa semana resolvi tentar novamente. Acabo de rascunhar os objetivos pessoais da semana. Tudo na mesma pegada "é o que tem pra hoje", pois a pessoa não passa em branco pela quantidade de coisas que se propõe a fazer. Não dá pra trabalhar, estudar, militar, amar, cuidar da casa e do cãozinho, treinar, fazer a própria comida e ainda decidir por conta própria entrar em projetinhos literários (reviro meus próprios olhos quando penso nas coisas que quero adicionar à minha vida).
Seguem as metas da semana (transcritas do rascunho, sem a fotinho pois meu 4G não está no dia colaborativo):

- agendar meus exames, consultas e compromissos;
- fazer um levantamento financeiro de pendências;
- treinar no mínimo 3 dias nesta semana;
- ler 10 páginas de literatura por dia;
- assistir um novo filme;
- continuar sem açúcar e sem glúten por essa semana.


Tuesday, May 09, 2017

As atribulações de uma vida que te roubam de si própria


Risotto caprese de ontem à noite, com mozzarella, manjericão e tomatinhos - e duas tacinhas de vinho


Então eu fiz planos.

Neles, eu seria humilde, paciente comigo mesma e não exageraria nem pegaria pesado. Coisa pouca, ia me respeitar e jamais abusar da minha própria disponibilidade.

E como sempre quando a gente faz os planos - ao menos eu - eles foram calculados tendo em mente dias de sol, sem trânsito e com todos os meus infinitos fatores condicionantes ali correspondendo de forma favorável a eles.

Daí vem a vida e aquela adiada de ir ao banco no momento que fosse pra faculdade é sumariamente abortada porque só dormi 4h na noite passada e durmo sem nem sentir o que houve, de roupa e tudo.

Daí eu planejo uma nova estrutura de trabalho na repartição, mas entro em greve e todos os meus pequenos esforços de ter um sistema e organizar um pouco melhor o caos, também vão por água abaixo.

Daí aquele moreno bonitão, que era só uma abstração longe o suficiente para não impactar sua rotina de trabalho, estudo, treino e dieta se materializa no seu apartamento, e com ele nada dessa rotina tem mais sentido. Parece que só a companhia dele tem sentido, mesmo que isso faça com que a sua pilha da to-do só aumente, e além da pilha, a sua necessidade de ter momentos como esse de agora, calada no sofá há quase 2h, que te abastecem pra dar cabo da lista.

Daí você passa o final de semana em São Paulo, não gostando de quase nada do que comeu, mas comendo mesmo assim, e inclusive pagando caro por isso. Vê seu dinheiro - aquele que você recentemente aprendeu a dominar, ir escapando de suas mãos feito água. Parte porque você precisa, parte porque você escolhe isso.
As coisas mais lindas de SP, dessa vez, eram intangíveis - como as cores dos origamis na Feira da Liberdade

Dorme uma noite inquieta e de pesadelos no hostel - nem sabe se é porque comeu glúten demais, ou se porque está se procurando e não se acha.

E como sempre quando a gente se perde assim de si próprio, ao questionar tudo, corre o risco de na sanha de jogar fora o que não serve, jogar a criança junto com a água da bacia.

Então parei hoje.

Não compareci à aula, porque precisava de algumas horas quieta para tomar pé da situação - a interna e a externa. Responder os e-mails que ignorei insistentemente todos esses meses, mandar outros, e perguntar a mim mesma o que é que eu quero?

Resposta: quero um pouco mais de sossego. 

Quero saber onde estarei cada dia da semana e a que horas, também quero comparecer aos meus compromissos comigo mesma: a academia, que me viu pela última vez há 7 dias, a alimentação que foi ignorada enquanto me perdia numa quantidade abissal de doçuras que, convenhamos - nem estava tão bom assim.

Essa pequena e ressignificada lista acaba de ser escrita
Quero uma noite de sono completa, em horários condizentes com meus próprios hábitos, e quero ir à aula prazerosamente aprender. Chega de correr contra o tempo pelas provas. Elas já passaram.

Quero cozinhar, agora para dois, porque ele parece realmente apreciar essa comida meio raiz, meio nuttella que faço. Quero escutar a voz alta, clara e forte de quem chega chegando e me toca o coração - toca música, não toca agonia.

Quero sentir a vitalidade e a disposição de quem cuida de si, e a tranquilidade de quem precisa de pouco, só do bastante, para ficar contente. Porque a roda-viva atrás da magia por trás de diversões sofisticadas desse final de semana não me bastou. 

E como quero ser paciente, cuidadosa e humilde, inclusive comigo mesma, quero tudo isso apenas por alguns dias. E de lá, a gente vê outra vez o que é que quer. 

Também quero escrever mais por aqui, que estou gradativamente me cansando desses aplicativos em que preciso retalhar cada textinho que escrevo e ainda saber que a grande maioria achará um textão. Eu mesma não posso achar meus próprios pensamentos um textão!
Esse singelo e esquisito buquêzinho é o nirá - um vegetal que tem gosto de cebolinha, comprado também na Liberdade



Monday, April 17, 2017

Novamente, na repartição

Esse blogue que passou os últimos meses jogado às moscas tem alguma chance de voltar a ficar ativo, pois escrevo essa postagem aqui da minha mesa da repartição.
Nada muda, tudo mudou no entanto: em decorrência de todas as mudanças em curso no país, a vida de barnabé anda mais complicada ultimamente.
Minha chefe mudou de pessoa algumas vezes, e nem sei mais a quem me reporto - talvez a ninguém.
Acabaram com o restaurante que ficava aqui dentro, pois o mesmo faliu. Não havia café na garrafa quando fui beber. O ar-condicionado está desligado num prédio de dois blocos com 8 andares. Humpf.
Mas confesso que estou contente de estar aqui e não mais liberada. Aqui posso ter minha rotina, meus momentos de ler, de escrever, meu horário fixo. Aqui parece ser mais fácil fazer e executar os meus minúsculos planos.
E os minúsculos planos dos próximos dia são: desovar as pendências pessoais que são várias, de consultas e exames médicos, estudar para a semana de provas que inicia no dia 24/04, parar de comer feito uma desesperada (especialmente açúcar, com quem estou muito íntima nos últimos meses) e voltar a treinar.
Oremos!

Monday, April 03, 2017

A Chapada dos Veadeiros num bate e volta insano

Anos atrás, havia lido esse post da Jojo sobre a Chapada dos Veadeiros e ficado encantada, embasbacada pela grandiosidade das paisagens.
E desde então, ficou aquele post-it mental de que queria muito ir, e sempre naquela iminência de que logo ia acontecer, mas a verdade é que os voos domésticos andam caros, eu ando com essa sorte de poder viajar "pra fora" nas férias, e o tempo ficou escasso. Até os feriados eram poucos!
Daí tem quase três anos que vou várias vezes ao ano para Brasília, mas nunca conseguia conciliar um final de semana por lá.
Esse ano, resolvi que não ia deixar nenhuma oportunidade passar, e quando dia 21 de janeiro foi marcada uma reunião em Brasília, o primeiro pedido que fiz foi: me deixem no último voo de domingo.
E comecei as minhas pesquisas e os planos!
Rapidamente, descobri que dois dias era tempo suficiente para algumas coisas, mas não para todas. Encontrei um hostel muito bem falado, o Buddy's Alto Paraíso, que tinha fotos gracinha, uma diária de R$50 (em alojamento misto, mas com meninas no quarto, que foi meu pedido à Alice, depois do episódio uruguaio), que era lindo, bem localizado e confortável.
Salinha do hostel

Praticamente não fiquei nele, era só uma cama pra dormir mesmo, mas a conversa do pessoal (hóspedes e funcionários) era muito agradável, os espaços muito legais, e com certeza quando voltar lá, ficarei novamente!
Fui de carro locado, pois o único ônibus que sai de Brasília para Alto Paraíso era às 12h de sábado, e tinham muitos reviews falando de quebradeira na estrada. Eu perderia valioso tempo, além disso, a volta seria tarde demais no domingo. Então 11h da manhã entrei no aeroporto de Brasília e fui em todas as locadoras (uma ao lado da outra) e escolhi a mais barata, no caso, a Movida. Por uma diária e mais algumas horas-extra, paguei R$140. Podia parcelar no cartão. Peguei de tanque cheio e devolvi da mesma maneira - um tanque foi a medida para a viagem e os passeios, aliás.
A estrada é simples, mas asfaltada, e o limite de velocidade é quase o tempo todo 60km/h. Fui respeitando o limite, apreciando a paisagem e cantando dentro do carro. Saindo da área urbana de Brasília e Planaltina, você logo começa a ver aquela paisagem fora do comum que é a área nacional da Chapada dos Veadeiros:

Cheguei pelo meio da tarde, e só entrei no hostel, me troquei e estava querendo ir para uma cachoeira específica (Almécegas). Mas Alice me explicou que como já eram quase 16h, eu teria muito pouco tempo dentro do parque, pois as coisas lá fecham 17h30. Por sua indicação, fomos ali na cachoeira dos Cristais, uma fazenda particular (como a maioria das cachoeiras, aliás), que era muito perto e aproveitaríamos o resto do dia.
"Nós" porque no meio do caminho, fui incumbida de levar Vincent, o irlandês em sabático que recém havia chegado em Alto Paraíso e não tinha como ir para lugar nenhum. Dei carona a ele e fizemos a trilha juntos. Ele pagou minha entrada na cachoeira em retribuição à carona :)

A trilha é leve, as cachoeiras bonitas, mas bonito mesmo é ver o paredão de cânion à sua frente. Tomamos banho na última, lá embaixo, e caminhamos novamente, enquanto pelas diversas quedinhas as pessoas tocavam flauta, praticavam yoga e outras coisas comuns numa localidade conhecida pelo povo embarcar em naves espaciais. 
Ao subir, estávamos com sede e fome, e havia a promessa de que ali vendia o melhor pastel da região. Não tinha mais pastel, mas rolou umas cervejas contemplando a vista e tentando eu arranhar meu inglês e Vincent, arranhar seu pouco português. 
Cerveja com essa vista. MDDC
De volta, foi o tempo de um banho e saímos novamente para jantar, agora, no outro lugar que prometeram os melhores pastéis (o gringo essas horas não pensava mais em outro assunto). Comemos de pupunha com pequi, de camarão, e de carne-seca. Todos estavam muito gostosos, mas qualquer feirinha da Liberdade já seria melhor. Eram 21h e a cidade estava numa escuridão completa fora da avenida central, caminhar até o hostel foi meio confuso, mas chegamos novamente para dormir e levantar muito cedo.
Achei uma gracinha esses detalhes de decoração e o filtro de barro usado como vasinho!
Estava cansada do dia, de falar inglês e de ser babá de Vincent, então, na manhã seguinte, madruguei para ir até o Parque Nacional, porém, não pude achar a entrada.
Com medo de não fazer nada, rumei para o Vale da Lua, APENAS A DECISÃO MAIS ACERTADA EVER:

Foi lá que respirei fundo, me encantei e vi que sim, é possível qualquer ateu querer fazer contato novamente com sua nave. Era maravilhoso, energético, especialmente onde a câmera do meu celular não chega, entrar por baixo dessas "crateras" e sentir a água cair forte em cima de você. Dessa cor incrível. Olhar pra cima e ver esses cânions que não pude encarar de dentro do parque. 
Olhando a parte de baixo, os "furinhos" ou crateras, e acima, esse desbunde de novo
Mais ou menos ao meio-dia, tive que sair de lá para reiniciar a viagem. Em menos de 3h estava novamente em Brasília, para devolver o carro e esperar meu voo com folga. E com muita vontade de voltar, pois tem MUITO o que se ver por lá.
Fica de aprendizado, no entanto, que é um lugar para o qual a pessoa deve ir preparada: com dinheiro em espécie, com paciência para encontrar as coisas fechadas, para não ter quase sinal nenhum de internet ou mesmo de telefone, encher o tanque cada vez que encontrar um posto.
E abrir bem os olhos, pois coisas incríveis podem ser vistas: eu vi um camaleão fosforescente cruzar meu caminho, muitos pássaros e borboletas de cores maravilhosas, tinha flor do cerrado aqui e ali, e o ar puríssimo.
Higiene mental é a palavra!




Friday, March 17, 2017

Dando um carinho pro cérebro e arrumando sarna pra me coçar - a graduação em Nutrição

Um dia ainda quero contar em detalhes e muito textão tudo o que minha vida sentiu de melhora ao procurar um belo dia (há mais ou menos três anos atrás) uma nutricionista pois queria emagrecer depois de uma orgia de dulce de leche y vino no Uruguai.
Aquela primeira nutri, no entanto, não foi quem me acompanhou nos últimos dois anos, quando as coisas realmente ficaram difíceis e o problema não era kilo a mais nenhum: infecções de todas as ordens, inflamações, tudo desregulado, ficando quase calva, os dias em que chorei sozinha no banheiro olhando minha escova de cabelos (foi dessa época que adquiri o hábito que trago até hoje de não penteá-los) parecendo o Primo It.
Encantada com resultados surpreendentes na minha saúde, na minha forma física, na minha disposição mental, acabei enveredando por um caminho apaixonado de comer cada vez melhor, cada vez mais limpo e mais específico.
Muito raramente, saio do bicho e planta nos dias de hoje, aquilo que não existe em sua versão orgânica na feira eu nem compro, as preparações estão imensamente mais simplificadas, e meu paladar mudou significativamente também. 
Minha comida tem um frescor e um colorido todo dela, que só de enxergá-la já me faz sentir saúde - parece que entra até pelos olhos. Quando aspiro o vapor de uma panela cheia de vagens, ou salpico a salsinha fresca sobre o molho vermelho de beterraba e cenoura, parece que só esse gesto já tem um poder de cura impressionante.
Remédios de todas as ordens venceram os prazos de validade na farmacinha lá de casa. 
E de repente eu vi que, por esporte, eu passo tanto tempo assistindo, lendo e estudando sobre o potencial transformador de uma alimentação simples e verdadeira, que já poderia considerar uma carga horária de graduação.
E foi isso mesmo que eu resolvi transformar em realidade.
Peguei todas essas horas que eu já fuçava sozinha, e fui me matricular numa instituição de ensino pra fazer o curso. Que tem duração de 4 anos e meio, e não sei exatamente se vou concluir.
A única coisa que sei, é que o tempo passa de qualquer maneira, a gente estudando ou não, trabalhando ou não, e que toda vez que não usei meu tempo estudando, me arrependi.
Eu precisei de 3 anos para curar minha mente e meu corpo de muitas coisas, mas agora a gente já pode se desafiar novamente :)
Aos poucos, se me sentir à vontade, vou iniciar a escrever sobre o que estou aprendendo. Tem só uma semana de aula, e eu já vi tantas coisas novas e diferentes! A coisa mais legal de mudar radicalmente de área (sou Assistente Social com mestrado em educação sobre saúde do trabalhador, ou seja...), é que você sente engrenagens novas se movendo, sente seu cérebro se expandindo igual madeira, por usá-lo para outras coisas.
Só por isso, esse semestre (que pode ser o primeiro ou o único, no pressure), já vai ter valido a pena.
Estou feliz! 
(e essa é uma das resoluções de Ano Novo que ainda não lhes contei!)

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